Nuvens Brancas |
||
|
Uma nuvem branca é um mistério - o vir,o ir, o próprio existir dela.Uma nuvem branca existe sem quaisquer raízes - um fenômeno desenraizado, apoiado no nada, mas assim mesmo existe. E existe em abundância.
O todo da existência é assim - sem quaisquer raízes,sem qualquer causalidade,sem qualquer causa final,ela existe e existe como um mistério.
Uma nuvem flutua para onde quer que o vento a leve. Ela não tem nenhum lugar para onde chegar, nenhum destino para ser cumprido, nenhum fim.
Archives
Visitors:
|
Sábado, Novembro 07, 2009
Buffett e seu novo brinquedo No maior negócio de sua carreira, o megainvestidor compra a principal ferrovia dos Estados Unidos – uma aposta no futuro dos trens e da economia americana Luís Guilherme Barrucho - Ilustração Rob
Tal como seus antepassados, que recorreram às ferrovias para desbravar o Oeste dos Estados Unidos no século XIX, Warren Buffett decidiu investir seu futuro nos trens. Apostou alto. Na semana passada, o empresário de 79 anos realizou o maior negócio de sua carreira ao comprar a totalidade das ações da principal ferrovia do país, a Burlington Northern Santa Fe, por 26,3 bilhões de dólares. Dono de um repertório de frases cáusticas, Buffett afirmou logo após o anúncio da aquisição: "Isso só está acontecendo porque meu pai não quis me comprar um trenzinho quando eu era criança". Longe de ser motivada por uma frustração infantil, a investida de Buffett deverá render polpudos lucros a seus acionistas. Em primeiro lugar, porque a recuperação da economia americana elevará a demanda por transportes de carga. Além disso, o encarecimento do petróleo e a busca por alternativas menos poluentes tornarão o frete ferroviá-rio ainda mais vantajoso em relação ao rodoviário. "Coloquei todas as minhas fichas no futuro da economia americana", disse Buffett ao fechar a transação. É um voto de confiança de um dos mais visionários investidores do mundo não apenas em seu país, mas também na retomada de um setor que havia perdido importância desde a popularização dos veículos e aviões. As ferrovias perderam gradativamente espaço. Atualmente, enquanto os caminhões carregam 68% das mercadorias que circulam nos Estados Unidos, os trens restringem-se a 15%. No Brasil, que optou pelo modelo americano de estímulo à indústria automobilística na década de 50, os trilhos também foram desprezados. Desde aquele período, a extensão da malha diminuiu 30%. Agora os Estados Unidos – e também o Brasil, onde os investimentos decuplicaram depois das privatizações feitas na década passada – voltam a se render aos trens. Contribui para essa redescoberta o fato de que as locomotivas ganharam tecnologia e velocidade, além de ser o meio mais barato de transportar grandes quantidades de mercadorias dentro do território de um país. Segundo a Association of American Railroads, com um galão de combustível (3,8 litros) um trem movimenta 1 tonelada de carga por 740 quilômetros. Em caminhões, essa distância cai para 180 quilômetros. "As ferrovias tornaram-se mais atrativas ao oferecer um bom retorno financeiro aliado à preocupação ambiental", afirma Rodrigo Vilaça, diretor executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários. O investimento também cabe na estratégia de Buffett, que prefere alocar seus recursos em atividades tradicionais – ele nunca aplicou em companhias de internet, por exemplo – e que sejam bem administradas. Diz Paulo Fernando Fleury, da UFRJ: "A Burlington Northern mudou a forma de gerenciar ferrovias nos Estados Unidos. Ela incorporou a lógica do mercado ao aprimorar a qualidade do serviço e a eficiência de custos". Isto é, o tipo de brinquedo que hoje faz a alegria de Buffett. Sexta-feira, Novembro 06, 2009
ELIANE CANTANHÊDE Nem tão longe, nem tão perto BRASÍLIA - Ao acolher as denúncias de desvio e de lavagem de dinheiro público contra o senador tucano Eduardo Azeredo, o ministro do STF Joaquim Barbosa expõe os subterrâneos do financiamento de campanhas, com o PSDB e o PT lado a lado. E eles não estão sós. Os atuais métodos levam inevitavelmente a acusações e confusões. Se alguém contribui em aberto, com tudo declarado, está sujeito a suspeição toda vez que seu candidato votar algum projeto e, em especial, se ele se meter em enrascadas. Mas, se contribui por baixo dos panos, no "caixa dois", está sujeito a processo criminal. Se ficar, o bicho come; se correr, o bicho pega. E com campanhas cada vez mais sofisticadas e mais caras. Há, porém, diferenças entre o que se chama de "valerioduto mineiro", contra o tucano Azeredo, e o "mensalão", que pegou o PT de jeito. Num, a acusação é focada no financiamento ilegal de candidaturas. No outro, no pagamento de propina para amoldar os votos de partidos e parlamentares já eleitos ao gosto de um governo. Como há a questão que Azeredo levanta e gera constrangimentos: ele está envolvido por financiamentos que, aparentemente, saíam de empresas mineiras, entravam no caixa de Marcos Valério e desembocavam na campanha tucana. Como cabeça de chapa, ele é também o acusado-mor. Mas, no caso do candidato e atual presidente da República, isso não ocorreu. Grandalhões da campanha de Lula respondem por diferentes acusações, mas sozinhos. E os eventuais compradores e comprados para votar com o governo no Congresso estão encalacrados, mas a responsabilidade do governo teve teto: parou em Zé Dirceu. O STF acerta ao capturar Azeredo na rede. Que sirva para jogar luzes sobre financiamentos de campanha, desde que deixando bem claro que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Pelo menos, até o próximo escândalo. elianec@uol.com.br Uma ótima sexta-feira e um gostoso fim de semana Quinta-feira, Novembro 05, 2009
Aécio 2010! UAI, WE CAN! E sabe o que o Lula sugeriu ao Obama pra melhorar a saúde nos EUA? Implantar o SUS! BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! E aí perguntaram pra cantora Stephany no "Esquadrão da Moda" do SBT: "Você é de Áries?". "Não, eu sou do Piauí." E o melhor cartaz da Parada Gay do Rio: "EU ERA EX-GAY!". Rarará! E as estradas? O ministro dos Transportes disse: "As estradas brasileiras são coisa de outro mundo". São sim, do mundo da Lua. Só tem cratera. Um amigo meu vai trocar o carro por um jipe lunar! E o filme do Michael Jackson? Mudou de nome. Não é mais "This is It". É "This Is Quisito!". Maica Jéssica em "This Is Quisito!". Rarará! Criança não paga! E farta distribuição de pirolito! E O Lulalelé? Sabe o que ele sugeriu pro Obama pra melhorar a saúde nos Estados Unidos? Implantar o SUS! E o Obama quase foi internado. De tanto rir! Esta é a realidade do SUS: um menino entrou na fila pra operar a fimose e esperou tanto tempo que acabou operando a próstata. E o babado do momento é o Aécio. Aécio X Serra. Sarkozy Mineiro X Vampiro da Mooca! O Aécio parece o Sarkozy: narigudo e só pega mulherão! E a relação do Serra com o Aécio parece coisa de socialite: falsas, porém simpáticas! E Minas só tem três coisas ruins: não tem mar, Telemar e o Itamar. E tem Aleijadinho. Ou, como diz aquela perua bem fresca: Aleijadérrimo. "Comprei duas obras do Aleijadérrimo." E o Aécio já tá com o slogan pra 2010: "UAI, WE CAN!". E o jingle é o funk: "Um Tapinha Só Não Dói!". Rarará! E já está com o programa de governo pra 2010: cinco dentes de ái, três cuié de ói. Um repôi. Casca o ái, quenta o ói e foga o ái socado no ói quente. Repôi no ái e ói. Por um Brasil melhor. Este é o programa do Aécio pra 2010: repôi no ái e ói! Minas é um monte de montanha com um monte de gente dando adeus. É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é duro, mas desce! Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Barrolândia, no interior da Bahia, tem uma escola chamada Escola Rainha Sílvia. E eu pergunto: POR QUÊ? Acho que nem em Estocolmo tem a escola Rainha Sílvia. Rarará. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro obvio lulante. "Assustado": companheiro Obama quando o Lula mandou ele fazer um SUS nos Estados Unidos. Ia ser um sú! Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. simao@uol.com.br Excelente quinta-feira - Aproveite o dia Quarta-feira, Novembro 04, 2009
Uau! Dilma inaugura buraco de tatu! Pra preservar a espécie, os morcegos transam até com a sogra. Por isso é que transmitem raiva BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Lá se foi o ultimo feriadão do ano! Depois de cinco dias na Bahia, de volta a São Paulo. A marginal Tietê continua linda! Rarará. E sabe o que eu vou pedir pro Lula? Aposentadoria por tempo de praia. Aposentadoria por tempo de Havaianas! E lá na Bahia tem uma barraca chamada BURRALINDA! Eu não sei se o dono é zoófilo, se está apaixonado por uma jega, se é homenagem à mulher dele ou se é homenagem à Carla Perez! E deu na Folha: "Morcegos praticam sexo oral para prolongar a relação". É o Batman! Por isso que o Batman e Robin tiveram uma relação tão longa. Morcego é um bicho esquisito. Pra preservar a espécie, eles transam até com a sogra. Por isso é que transmitem raiva. Rarará. Ainda bem que eu não nasci morcego! E sabe o que o Batman faz quando se lembra do Robin? Pega o bat-móvel, vai pra bat-caverna e bat-uma. Rarará! E qual a próxima inauguração da dupla Lula e Dilma? Tão inaugurando até buraco de tatu! A Dilma inaugura buraco de tatu. Qualquer dia, eles abrem a cortina da sala e inauguram a janela! E o Ecad diz que hotéis e motéis têm que pagar direitos autorais. O Roberto Carlos vai ficar quaquilionário. E o Wando e o Dicró? E no fim de semana teve Parada Gay no Rio e Marcha para Jesus em São Paulo. Conhecida como A Marcha das Héteras. As bibas que se arrependeram e viraram héteras. Mas como disse aquela biba: se Deus fosse gay, o mundo seria mais arrumadinho! Rarará. É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Fortaleza, no Ceará, tem um bar chamado Bar dos Otários. E vive cheio! Rarará. Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Isqueiro": lugar onde se arranca minhoca pra pescar lambari! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. simao@uol.com.br Aproveite o dia. Uma ótima quarta-feira para todos nós Terça-feira, Novembro 03, 2009
OS QUE SE VÃO "Os que se vão, vão depressa. Ontem, ainda, recebia seus emails Pedindo para que eu descrevesse O que eu gostava, pedindo desculpas por perturbar A concentração no meu trabalho. Confirmando o que eu já sabia Que ficava mais comigo Do que com o homem Com quem eras casada. Os que se vão, vão depressa. Seus olhos grandes e pretos, das fotografias tão poucas é fato que me enviou, brilhavam. Sua voz doce e firme faz pouco ainda falava no telefone. Indagavas: por que ligar se já conversamos tanto no msn ou por email? Suas mãos tão macias Que toquei em adeus de chegada E de despedida um dia tinham gestos de bênçãos. No entanto hoje, devem escrever para outros no mesmo teclado que teclavas para mim. Nem um vestígio meu, sequer. no seu micro porque Perguntavas também Porque guardar e reviver coisas de um passado que se foi!! Decerto nem minha lembrança há na sua mente quanto mais no seu coração, pois ocupa-os com novos amigos, Alguns, quase todos, indiferentes ou desconhecidos mas chama-os de querido como me chamavas. Os que se vão, vão depressa. Mais depressa que os pássaros que passam no céu, Mais depressa que o próprio tempo, Mais depressa que a bondade dos homens, mais depressa que os trens correndo, nas noites escuras, Mais depressa que a estrela fugitiva que mal faz traço no céu. Os que se vão, vão depressa. Só no coração do poeta, que é diferente dos outros corações, Só no coração sempre ferido do poeta é que não vão depressa os que se vão. Ontem ainda sorrias e me escrevias Para o meu email do trabalho Para agradecer pelas minhas mensagens para dizer que gostavas do que lhe dizia, até que decidiste não mais manteres contato comigo e nem guardares lembranças minhas.. E que darias prioridade para As suas coisas. Os que se vão vão depressa, tão depressa os que se vão ..." Minha amiga: não permita que sua dor, seja ela causada pelo motivo que for, a impeça de perceber a beleza de cada momento. Não deixe que suas lágrimas, por mais sentidas e justas que sejam, turvem sua visão, impossibilitando que seus olhos vejam a vida com clareza e serenidade. Dedique aos amores que partiram pensamentos otimistas e repletos de confiança no reencontro futuro, sem desespero nem revolta. Se hoje, na sua rotina, pareceu-lhe que ninguém notou a dor que lhe invadia intensamente o peito, como aconteceu comigo até porque era o dia de folga de quem se foi... saiba que nada, nem mesmo nossas angústias, passam despercebidas ao Pai. Confie, persista e prossiga, sempre.
Universotários da Uniban! Socuerro! O "Fantástico" entrou em "Pânico'! E descobri a droga que o Zina usa: a camiseta do Timão BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! "Papai Noel preso com adolescentes no carro". E adivinha o nome da cidade? NEVES! Rarará! E o vestuário feminino com que qualquer mulher sonha: um vestido tomara que caia, uma calcinha tomara que tirem e um sutiã tomara que sustente. Rarará. E Finados é o Senado. A Turma do Já Morreu. O Sarney é um FINADO VIVO! Rarará. E a loira da microssaia? Aquela menina apedrejada pelos UNIVERSOTÁRIOS da Uniban por estar vestindo uma microssaia! Socuerro! A Uniban virou TALEBAN! Rarará! Os universotários da Taleban! E eu vi a foto da menina: loira farmácia com micro roxa. Gongada no "Esquadrão da Moda"! Rarará! Finados é o "Fantástico"! Que tá morrendo. O site Eramos6 tem algumas sugestões pra aumentar a audiência do "Fantástico": ressuscitar o Cid Moreira, o Mr. M e a zebrinha! Rarará. Ou então bota a Patrícia Poeta pelada. E contrata o Vesgo, o Ceará e a Sabrina Sato. O "Fantástico" entrou em "Pânico"! E descobriram a droga que o Zina usa: a camiseta do Corinthians. Rarará. E o Rubinho, hein? Ganha pra não ganhar nada! Rarará! E essa deu na Folha de sábado: "Morcegos fazem sexo oral para prolongar a relação". É o batboquete! Rarará! E um amigo meu que foi passar o feriadão na casa da sogra e disse que ela fez três tipos de comida: enlatada, congelada e queimada. Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas chacoalha pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Aveiro, Portugal, tem uma loja infantil chamada Brincando, Cresce. Não resta a menor dúvida: Portugal é o berço do antitucanês. O Brasil apenas tropicalizou. Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Desmaiô": o companheiro Lula viu a dona Marisa de maiô e DESMAIÔ. Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! simao@uol.com.br
ELIANE CANTANHÊDE Tão longe, tão perto BRASÍLIA - Modestamente, na dimensão do Brasil em imbróglios internacionais, a questão do Oriente Médio vai desabar por aqui neste novembro. No dia 11, chega o presidente e ex-premiê de Israel, Shimon Peres. No dia 23, é a vez do presidente reeleito do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Refletindo as paixões que judeus e árabes (apesar de o Irã ser persa) despertam mundo afora, aqui também já começa a guerra de torcidas, com vantagem, ao menos com base no que circula na internet, para os críticos da vinda de Ahmadinejad. Razões não faltam para torcer a favor de um lado ou de outro e, principalmente, contra os dois. Aliás, o Irã é suspeito de construir a bomba; Israel já a tem. Em foros internacionais, Ahmadinejad nega o Holocausto e chama Israel de "racista". Internamente, provocou uma onda de protestos e clamores de liberdade e de modernidade ao se reeleger presidente. Mas Shimon Peres, que levou o Prêmio Nobel da Paz em 1994 por seu esforço de negociação entre judeus e árabes, representa um país jogado contra a parede pelo "relatório Goldstone", do Comitê de Direitos Humanos da ONU, por causa da invasão de Gaza na virada de 2008 para 2009. A maioria dos 1.400 mortos era civil, quase 200 deles menores de 15 anos. E o Brasil no meio disso, se até a atual incursão de Hillary Clinton à região está sendo um fracasso, enquanto avançam as colônias israelenses na Cisjordânia? Planalto e Itamaraty têm a política do não isolamento, seja de que país for, e se movem a partir de três interesses: as relações bilaterais, a inserção brasileira no mundo e -por mais que cheire a megalomania- ajudar nas negociações. O que não dá é exigir que o Brasil recuse a vinda de Ahmadinejad e promova a aproximação com Israel, ou vice-versa: que promova a vinda de um e recuse a aproximação com o outro. Quanto mais equidistante, melhor para o Brasil. elianec@uol.com.br Well, ainda que com chuva que possamos ter uma ótima terça-feira. Para quem está de folga uma folga recompensadora Segunda-feira, Novembro 02, 2009
O melhor caminho MORREM NO Brasil cerca de 30 mil pessoas por ano em desastres automobilísticos. Grande parte das fatalidades se deve à imprudência dos motoristas, mas não se pode desconsiderar a contribuição das más condições das estradas para essa tragédia. Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes revela que 70% das rodovias estão em condições classificadas de "péssimas", "ruins" ou "regulares". O levantamento mostra que 46% das estradas não possuem acostamento; 51% têm traçado péssimo ou ruim; a sinalização é insuficiente em 24% da malha. O mapa rodoviário expõe enormes discrepâncias regionais: entre as dez piores vias, cinco estão no norte do país -três passam pelo Pará. Por outro lado, as dez líderes do ranking situam-se no Estado de São Paulo. O contraste entre a realidade paulista e a das demais unidades federativas fica patente pelo avanço de São Paulo na concessão de rodovias a empresas. A pesquisa evidencia como as estradas privatizadas deixam federais e as outras estaduais a comer poeira: as primeiras conquistam avaliação positiva em 76% dos casos, enquanto as demais estacionam na casa dos 30%. Os recursos escassos que o governo destina aos transportes rodoviários precisariam se concentrar na expansão da malha. Vias já construídas cujo fluxo de veículos desperte interesse deveriam ser repassadas à iniciativa privada, a fim de livrar o erário do ônus de sua manutenção. Desde outubro de 2007, quando sete lotes de estradas federais foram concedidos, só houve leilão de um trecho, na Bahia. Evidentemente não se desata esse nó como num passe de mágica. Os pedágios, por exemplo, se multiplicarão país afora. A experiência mostra, contudo, que a competição pode diminuir a tarifa para o usuário -e que um contrato de concessão bem elaborado e fiscalizado redunda em benefícios para os motoristas. Domingo, Novembro 01, 2009
FERREIRA GULLAR Em direção à desordem A sociedade carioca entrou em entropia desde que o tráfico instalou-se nas favelas FABIANO ATANÁSIO da Silva, o FB, que comandou a invasão do morro dos Macacos, estava preso e foi beneficiado pelo regime de prisão-albergue, isto é, foi lhe dado o direito de sair do presídio, de dia, para trabalhar, e voltar, à noite, para dormir. Atanásio, a exemplo de dezenas de outros bandidos, saiu e não voltou mais. E a gente se pergunta: se Atanásio foi condenado por ser chefe do tráfico naquela favela, a que trabalho o juiz, que lhe concedeu a prisão albergue, acha que ele iria se dedicar? Coerentemente, o FB foi fazer o trabalho que sempre fez: traficar. É impossível negar que, em matéria de Justiça, vivemos, no Brasil, uma espécie de comédia: uma cena recente desse pastelão foi a briga entre a Justiça Estadual de São Paulo e a Justiça Federal, cada uma delas atribuindo-se o direito de julgar os ladrões que roubaram duas telas -uma de Portinari e outra de Picasso- do Masp. A Justiça Estadual os condenou, o advogado de defesa recorreu da sentença e o Superior Tribunal de Justiça a anulou, alegando que, como as obras tinham sido tombadas pelo Iphan, órgão federal, caberia à Justiça Federal julgar os ladrões, e mandou soltá-los. Ou seja, enquanto os juízes brigam, os ratos passeiam em cima da mesa. Ainda como parte da comédia nacional, registre-se o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao dar posse ao novo ministro de Assuntos Estratégicos, aquele ministério que já por si é uma piada. Todos sabemos que esse ministério foi entregue ao não menos extravagante Mangabeira Unger, que já se foi, e era conhecido como o "ministro do futuro". Lula, que odeia ler, mas adora discursar, quando abre a boca diz qualquer coisa. Pois vejam o que ele disse, no discurso, confundindo o nome de seu ex-ministro com o do deputado Fernando Gabeira, seu adversário político: "O Gabeira não está aqui, está certamente naquela escola em Chicago...". E, sem se dar conta da confusão que fazia, acrescentou: "O dia em que o companheiro José Alencar e a direção do PRB entraram em meu gabinete para aprovar o nome do companheiro Gabeira para ministro...". Como se não bastasse, ao se dirigir ao novo ministro do futuro, Samuel Guimarães, chamou-o de Mangabeira, e, ao tentar corrigir o erro, piorou, trocando-lhe o nome de Samuel por Salomão... Parece que bebe! Criticado pelo presidente do STF devido ao comício-piquenique que fez com Dilma e seus ministros, às margens do São Francisco, Lula respondeu: "Agora eles estão nervosos porque estamos inaugurando obras". Mentira, estavam ali, segundo a própria versão oficial, para "fiscalizar" as obras mas, ainda assim, desde quando é função do presidente da República fiscalizar obras? Apenas pretexto para fazer campanha eleitoral fora do prazo legal. A alegação de que isso está dentro da lei, porque só é proibido inaugurar obras públicas após 31 de julho do ano eleitoral, não significa que se pode fazer campanha eleitoral anos antes daquela data; é um sofisma, que o STF estranhamente engoliu. E Lula ainda teve a desfaçatez de afirmar que estava ali a trabalho (com Dilma e Ciro), comendo churrasco e ouvindo um cantor de forró, por ele contratado. E, com a maior cara-de-pau, afirmou: "É muito fácil assumir a Presidência da República e não fazer nada, porque ninguém nunca fez". Gente, até quando o país vai ter que aturar semelhante megalomania? Ninguém imaginou que um presidente oriundo da classe operária viesse a dar nisso. Conforme a segunda lei da termodinâmica, os sistemas físicos tendem à desordem. A perturbação da ordem de um sistema chama-se entropia, como, por exemplo, os ruídos numa transmissão radiofônica. Isso vale também para outros sistemas, como a sociedade humana, cuja ordem é mantida pelas normas e leis que regem o comportamento de seus integrantes. A sociedade carioca, por exemplo, como sistema social, entrou em processo de entropia desde que, nos anos 70, o tráfico começou a instalar-se nas favelas. Os conflitos armados entre grupos de traficantes e desses com a polícia comprometem a ordem social e põem em risco a vida das pessoas. Essa tendência à desordem pode ser revertida se o governo e a sociedade, juntos, se dispuserem a isso. O prefeito do Rio decidiu promover corridas de Fórmula Indy no aterro do Flamengo, área de lazer que ostenta belos exemplares da mata brasileira, ali plantados por Burle Marx. Vão atormentar os moradores do Flamengo e envenenar a fauna e a flora do parque, embora exista na cidade um autódromo. Sai um imperador entra outro! Sábado, Outubro 31, 2009
01 de novembro de 2009 N° 16142 - MARTHA MEDEIROS O último a lembrar de nós REcentemente li Rimas da Vida e da Morte, do excelente Amós Oz, que narra os delírios de um escritor que, ao participar de um sarau literário, começa a olhar para cada desconhecido na plateia e a criar silenciosamente uma história fictícia para cada um deles, numa inspirada viagem mental. Lá pelas tantas, em determinado capítulo, o autor comenta algo que sempre me fez pensar: diz ele que a gente vive até o dia em que morre a última pessoa que lembra de nós.
Pode ser um filho, um neto, um bisneto ou um admirador, mas enquanto essa pessoa viver, mesmo a gente já tendo morrido, viveremos através da lembrança dele. Só quando essa pessoa morrer, a última que ainda lembra de nós, é que morreremos em definitivo, para sempre. Estaremos tão mortos como se nunca tivéssemos existido. Pra minha sorte, tive poucas perdas realmente dolorosas. Perdi um querido amigo há mais de 20 anos, e perdi uma avó que era como uma segunda mãe. Lembro deles constantemente, sonho com eles, busco-os na minha memória, porque é a única homenagem possível: mantê-los vivos através do que recordo deles. Daqui a 100 anos, ninguém mais se lembrará nem de um, nem de outro, eles não terão mais amigos, netos ou bisnetos vivos, eles estarão definitivamente mortos, e pensar nisso me dói como se eles fossem morrer de novo. Aquele que compõe músicas, faz filmes, escreve livros, bate recordes ou é um Pelé, um Picasso, um Mozart, consegue uma imortalidade estendida, mas, ainda assim, será sempre lembrado por sua imagem pública, não mais a privada, não mais a lembrança da sua voz ao acordar, da risada, do bom humor ou do mau humor, não mais daquilo que lhe personificava na intimidade. Serão póstumos, mas não farão mais falta na vida daqueles com quem compartilharam almoços, madrugadas, discussões, já que essas testemunhas também não estarão mais aqui. Alguém me disse: se você acreditasse em reencarnação, nada disso te ocuparia a mente. De fato, não acredito, e mesmo que eu esteja enganada, de que me serve a eternidade sem poder comprová-la? Se sou um besouro reencarnado ou se já fui uma princesa egípcia, que diferença faz? Minha consciência é que me guia, não minhas abstrações. Sou quem sou, sou aquela que pode ser lembrada. Não me conforta ser uma especulação. É provável que ainda não tenha nascido aquele que será o último a me recordar, a rever minhas fotos, a falar bem ou mal de mim. Nem tive netos ainda. Qual será a data de minha morte definitiva? Não será a do meu último suspiro, e sim a do último suspiro daquele que ainda me carrega na sua lembrança afetiva – ou no seu ódio por mim, já que o ódio igualmente mantém nossa sobrevivência. Cafajestes e assassinos também se mantêm vivos através daqueles que lhes temeram um dia. Nessa véspera de Finados, queria fazer uma homenagem a ele: ao último ser humano a lembrar de nós, a ter saudade de nós, a recordar nosso jeito de caminhar, de resmungar, o último a guardar os casos que ouviu sobre nós e a reter nossa história particular. O último a pronunciar nosso nome, a nos fazer elogios ou a discordar de nossas ideias. O último a permitir que habitássemos sua recordação. Bendita seja essa criatura, que ainda nos manterá vivos para muito além da vida. Bendita seja essa criatura, que ainda nos manterá vivos para muito além da vida
Pequeno manual da civilidade As pequenas vantagens de virtudes grandemente subestimadas, analisadas por quem entende tudo do assunto, desde sempre Juliana Linhares - Montagem sobre foto divulgação NÃO LIBERTE O MONSTRO QUE EXISTE EM VOCÊ
A vida em estado natural: "Solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta" Engana-se quem pensa que civilidade é uma matéria relacionada a senhores pomposos e mesas cobertas de talheres esquisitos. Mas é verdade que o tema foi tratado por cavalheiros com quilometragem de pelo menos alguns séculos. Tudo o que disseram, porém, sobre a necessidade de convenções sociais para promover a boa convivência e administrar conflitos permanece de urgente contemporaneidade. Quando Schopenhauer, o gigante da filosofia alemã do século XIX, dizia que as pessoas deveriam seguir o comportamento do porco-espinho - se fica muito perto de seus pares, morre espetado; se fica muito longe, morre de frio -, não estava pensando no uso do telefone celular em público, mas bem que poderia. Thomas Hobbes, um dos gênios do pensamento político produzidos pela Inglaterra, constatou no século XVII que em estado natural, sem as construções sociais, "a vida do homem é solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta". Em outras palavras, um congestionamento em São Paulo em dia de chuva. Por isso, emergem leis necessárias, entre as quais que "os homens cumpram os pactos que celebrarem" (e não parem em fila dupla, por exemplo) e "não declarem ódio ou desprezo pelo outro por atos, palavras, atitude ou gesto" (e não façam perfis falsos na internet). Especialistas em ética, comportamento e controle dos monstros interiores fazem análises e sugestões nesse pequeno manual das virtudes da civilidade. Todo mundo pode aprender - e até lucrar com elas. "O stress é causado em grande parte por relacionamentos humanos mal resolvidos. Se melhorarmos a capacidade de nos relacionar, teremos menos brigas, menos stress e, consequentemente, menos processos e pessoas doentes", diz o italiano Piero Massimo Forni. Professor da Universidade Johns Hopkins e um dos maiores especialistas mundiais no estudo da civilidade, ele até calculou o custo da falta dela nos Estados Unidos: 30 bilhões de dólares por ano. Já pensaram se ele conhecesse o Congresso brasileiro? Questão de honra Houve um tempo em que tudo girava em torno dela: ter honra era ser um legítimo membro da tribo; não ter, preferível morrer. O conceito de honra, na sua interpretação mais tradicional, nasceu na Grécia antiga, foi remodelado em Roma e reemergiu na Idade Média. "Na época feudal, a honra era uma qualidade atribuída aos nobres, essencialmente guerreiros, cuja função social era proteger o rei, as crianças e as mulheres", diz Roberto Romano, professor de ética e filosofia da Unicamp. Hoje, a HONRADEZ pode ser mais relacionada à fidelidade aos próprios princípios ou ao próprio eu. Ou, no popular, ter vergonha na cara. É por isso que o tribunal da própria consciência continua a pesar mesmo quando se alega que "todo mundo faz", a começar dos "caras lá de cima", então "que mal tem" em levar a avozinha para passar na frente na fila de comprar ingresso, desrespeitar a precedência na hora de pegar uma vaga no estacionamento do shopping ou deixar uma toalha guardando lugar o dia inteirinho na espreguiçadeira da piscina disputada? O mal, evidentemente, está em desprezar a própria dignidade. Sexta-feira, Outubro 30, 2009
JOSÉ SIMÃO Ueba! Vampiro suga a marginal! BR é abreviatura de buraco! BR 101 quer dizer que a estrada tem 101 buracos! BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Ueba! Mais um feriadão! O brasileiro é um feriado! O Lula tem que lançar mais uma emenda provisória: EMENDA até o fim do ano! E o que abre e o que fecha nesse feriadão? AS PERNAS! As pernas e a porta da geladeira! E sabe por que a novela tem intervalo? Pra esfriar o pingolim do Zé Mayer! E adorei a charge do Sponholz: saiu o primeiro contemplado do programa Minha Casa, Minha Vida! O Zelaya. "Muchas Gracias. Embajada del Brasil. Tu Casa, Mi Vida!" E notícia de todo feriadão: "Trânsito lento na rodovia Ayrton Senna". "Tudo parado na rodovia Ayrton Senna." Lento e parado? Então muda o nome pra Rodovia Rubens Barrichello! E ainda por cima, a marginal em obras! É o Serra! Vampiro suga a marginal! Rarará! E essa buemba: "Polícia de São Paulo apreende aranhas vivas". Ainda bem que são vivas. A única aranha morta que eu conheço é a da Hebe! O cara recebeu as aranhas pelo correio direto de Belém do Pará. E sabe onde ele comprou as aranhas? Num site de relacionamento. Rarará. É verdade! Por 400 contos! É que veneno de aranha cura impotência! É verdade! A Ana Maria Braga mostrou no programa. Quer dizer, mostrou a notícia, não a aranha. Porque Halloween é só no sábado! E precisa ser veneno de aranha viúva-negra! E como disse o outro: "Aranha sempre me deixou excitado, independente do estado civil. Pode ser viúva-negra, loira solteira ou ruiva divorciada". E péssima notícia pra quem vai pegar estrada: "70% das estradas têm problemas". BR é abreviatura de buraco! BR 101 quer dizer que tem 101 buracos. Já tem buraco esperando no acostamento! E adorei a charge do Marco Aurélio pro Rio-2016. Faixa estendida no Pão de Açúcar: "FAVOR NÃO ATIRAR NOS ATLETAS!". E esse Zina do "Pânico" tem que se benzer: BENZINA! É mole? É mole, mas sobe! Ou, como diz aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que no Rio Grande do Sul tem uma churrascaria chamada Dois Irmãos. Com a faixa "Grelhados no Carvão"! Dois Irmãos Grelhados no Carvão! Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Prolixo": destino dos discursos do companheiro Lula. PRO LIXO! Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. E vai indo que eu não vou! simao@uol.com.br Quinta-feira, Outubro 29, 2009
29 de outubro de 2009 | N° 16139 LETICIA WIERZCHOWSKI Da parte que nos cabe Há duas semanas, a norte-americana Elinor Ostrom dividiu com seu compatriota Oliver Williamson o Prêmio Nobel de Economia. Elinor foi laureada pela Real Academia Sueca de Ciências por sua pesquisa que demonstra como propriedades compartilhadas podem ser gerenciadas com êxito por associações de usuários. A tese de Elinor, focada na análise de florestas, pastagens e lagos, derruba a noção de que o poder público deve ser o único responsável e grande atuante na manutenção do bem comum. Não entendo nada de economia, mas a senhora Ostrom mostrou (e convenceu os caras) que todos nós devemos fazer a nossa parte, e podemos fazê-la muito bem, obrigada. O recado é claro: temos que cuidar juntos deste planeta que dividimos e viemos usando tão egoisticamente. Alguém pode imaginar maior associação de usuários que essa, a dos habitantes do planeta Terra? Ok, todos os governos devem fazer a sua parte, as grandes indústrias devem fazer a sua parte, mas você e eu, caminhantes, cidadãos e consumidores, temos que contribuir com o nosso modesto quinhão. Impressionou-me o resultado de uma pesquisa divulgada recentemente pelo Ministério do Meio Ambiente: no Brasil, são consumidas 1 milhão e 500 mil sacolas plásticas por hora. Imaginem a gigantesca montanha de sacolas que somamos num único dia, e agora pensemos quantos milhares dessas sacolas vão parar nos bueiros, entupindo encanamentos e prejudicando o escoamento da água nas ruas e avenidas (avenidas que irão alagar na próxima chuvarada), e quantos milhares dessas sacolas finalmente vão parar no fundo dos mares e dos rios, matando flora e fauna marinha. Evidemente, a maioria dessas sacolinhas não segue para o lixo reciclado: seu destino é apodrecer lentamente, envenenando o solo por 400 anos, até seu completo desaparecimento. Quatrocentos anos por uma reles sacola plástica? O Taj Mahal levou 22 anos para ser erguido. A cidade de Chichén Itzá foi construída em menos de 15 anos pelo povo maia. O Cristo Redentor precisou de 5 anos para abrir seus braços sobre o Rio de Janeiro, e o Coliseu Romano gastou 10 anos até acolher as primeiras lutas de gladiadores. É claro que a maioria dessas maravilhas precisou do trabalho constante de milhares de homens para ficar pronta; porém, o mesmo fazemos nós: somos milhares, diariamente, descartando tranquila e repetidamente nossas sacolas plásticas, criando o nosso monumento ao não-futuro. Um grande não-trabalho em equipe, enquanto alguns ganham prêmios por provar que somos capazes de fazer justamente o contrário. Quarta-feira, Outubro 28, 2009
A morte do e-mail Cresce o número de internautas que usam as redes sociais para trocar mensagens, deixando em segundo plano o "velho" correio eletrônico DANIELA ARRAIS - DA REPORTAGEM LOCAL Você checa e-mail várias vezes ao dia, usa sua caixa de entrada como um arquivo da sua vida e até manda lembretes para si mesmo sobre o que tem que fazer? E acha que a sua relação é a mais natural possível com a internet? Então saiba que o e-mail, criado nos anos 1960, é uma ferramenta que tem perdido espaço na rede. O crescimento de redes sociais como Orkut e Facebook e de serviços como o Twitter aponta que usuários estão tentando se comunicar com mais velocidade. Os adolescentes puxam essa onda. Pesquisa do Pew Internet & American Life Project, dos Estados Unidos, aponta que o e-mail vem perdendo espaço para os mensageiros instantâneos e o SMS como forma de se conectar com os amigos. "O e-mail é visto como uma ferramenta usada para se comunicar com "gente velha", como pais e professores", afirmou em entrevista à Folha a pesquisadora Mary Madden. Ferramentas como o Wave, do Google, reforçam a tendência ao enaltecer a multiplicidade e a instantaneidade. "Embora o e-mail seja um formato de comunicação muito importante, a partir de agora só decairá no uso", afirma João Paulo Cavalcanti, sócio da Box 1824, empresa de pesquisa de tendências. Ele cita estudo da Nielsen que aponta que o uso de softwares sociais superou a penetração do uso de e-mail. "Ou seja, os softwares sociais, principalmente o Facebook, já representam a principal forma de relacionamento via internet." Nesta edição, veja como adolescentes se comunicam, leia como questões de insegurança afastam usuários e confira apostas para o futuro.
28 de outubro de 2009 | N° 16138 MARTHA MEDEIROS Confie em Deus, mas tranque o carro Mike Tyson segue na mídia: andou sendo entrevistado pela Oprah e fazendo um mea-culpa por uma vida inteira de desvios de comportamento. Isso me fez lembrar de quando ele foi acusado de estupro pela ex-miss Desiree Washington, em 1991. A moça havia entrado no quarto com ele, de madrugada e, ao que consta, desistiu de levar adiante a brincadeira. Qualquer pessoa tem o direito de desistir do ato sexual na hora H e o parceiro tem o dever de respeitar a decisão, por mais fulo da vida que fique, mas deixar Mike Tyson fulo não é algo que uma pessoa de juízo arrisque. Na época, a escritora Camille Paglia disse que Tyson errou, logicamente, mas que a moça era uma idiota. E justificou sua opinião dando o seguinte exemplo: se você estaciona seu carro numa rua escura e deixa a chave na ignição, não significa que ele possa ser roubado. Mas, se for, você foi um panaca. Essa história sempre me volta à cabeça quando começo a ouvir algum “ai de mim”, que é o mantra das vítimas. Fico prestando atenção na história e, quase sempre, descubro que o mártir deixou a chave na ignição. São os casos de garotas que se deixam filmar nuas pelo namorado e depois descobrem que viraram as musas do YouTube, garotos que dirigem alcoolizados a 140 km/h e acordam no outro dia no hospital, ou artistas que vivem dando barraco em público e depois se queixam por serem perseguidos por paparazzi. Eles devem se perguntar, dramáticos: onde está Deus nessa hora, que não me ajuda? Está ajudando a encontrar sobreviventes de um tsunami ou consolando quem tem um câncer em metástase, porque esses, sim, são vítimas genuínas: mesmo deixando seus carros bem trancados, foram surpreendidos pelo destino. “Não há prêmio ou punição na vida, apenas consequências.” Não sei quem escreveu isso, mas está coberto de razão. Sorte e azar são responsáveis por uns 10% do nosso céu ou inferno, os 90% restantes são efeitos das nossas atitudes. Vale para o trabalho, para o amor, para o convívio em família, para o dinheiro, para a saúde da mente e também do corpo. Reconheço que os governos não ajudam, que certas leis atrapalham, que a burocracia atravanca, que o cotidiano é cruel, e até as disfunções climáticas conspiram contra. Ainda assim, avançamos (prêmio) ou retrocedemos (punição) por mérito ou bananice nossos. Então, tranque o carro numa rua escura e também dentro da sua garagem, não entre no quarto de um neanderthal se você não estiver bem certa do que deseja, não deixe uma vela acesa perto de uma janela aberta, pense duas vezes antes de mandar seu chefe para um lugar que você não gostaria de ir, não tenha em casa Doritos, Coca-Cola e Ouro Branco se estiver planejando perder uns quilos e lembre-se do que sua bisavó dizia: regue as plantas, regue suas relações, regue seu futuro, porque sem cuidar, nada floresce. E, por via das dúvidas, confie em Deus também, que mal não faz. Uma excelente quarta-feira ensolarada por aqui, para todos nós. Terça-feira, Outubro 27, 2009
JOSÉ SIMÃO Socuerro! Carla Perez vira apostila! E o Lula, que fez aniversário? O corpinho é de 64, mas a cara é sempre de 51! BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! É que um amigo meu estava prestando um concurso e comprou uma apostila resumida. Como era o nome da professora? CARLA PEREZ! Carla Perez! Rarará! Carla Perez vira apostila. Com "i" de iscola e "e" de esqueiro! E ela foi pro programa do Silvio Santos e disse que o Alasca era uma praia! Neve e areia é tudo branco mesmo! Ela faz esquibunda nas dunas do Alasca! E o Lula, que fez aniversário? Vocês viram na TV? O Lula fez 64 anos. Com aquela cara de 51. O corpinho é de 64, mas a cara é sempre de 51! E a boca da dona Marisa? Completou 64 plásticas. Ela tá com a boca da Aline Moraes. Boca de bico de tênis Conga. E essa: "Sarney fechará fundação que leva seu nome no Maranhão". Se ele fechar tudo que leva seu nome no Maranhão, o Maranhão acaba. Ele fechou a Afundação Sarney. Mas não é onde ele seria sepultado? Então ele não tem mais onde cair morto! Campanha: "Arrume um lugar pro Sarney cair morto e seja feliz!". E essa vem direto da Cópula do Clima de Copenhague: "A vaca é uma bomba climática!". Flatulência de gado esquenta o planeta. Botaram a culpa na vaca! Pum de vaca avacalha o planeta. A vaca é PUMluidora. A PUMluição! E querem que os fazendeiros paguem imposto. Já imaginou se a moda pega: IPUMtu e IPUMva! Rarará! E ainda acaba com a maior diversão do ser humano: soltar pum embaixo do cobertor! E sabe o que o planeta disse pros ecologistas? Me deixem morrer em paz! Rarará! E um amigo me disse que o Palmeiras tá parecendo a Vanusa cantando o hino! Um sincroniiiiiismo! Sujão na Chavezuela! Chávez quer que os companheiros tomem banho de três minutos pra economizar. Lembrar da namorada ou da vizinha durante o banho nem pensar. Como disse aquele venezuelano: "Não dá nem pra bater uma no chuveiro!". Na Venezuela a única coisa que se bate é continência. Rarará! Manda o Chávez botar aquela placa no chuveiro: "Favor lavar só o que for usar hoje!". Quem tomar banho é inimigo da pátria! Ianque de mierda! Venezuelano não é porco, é patriota! É mole? É mole, mas sobe. Ou, como disse aquele outro: é mole, mas chacoalha pra ver o que acontece. E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Penúria": companheira galinha. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! simao@uol.com.br
27 de outubro de 2009 | N° 16137AlertaVoltar para a edição de hoje LIBERATO VIEIRA DA CUNHA Um traço de ternura Encontro por acaso uma dama que não vejo há anos. Ambos sorrimos, conversamos uns momentos, ela conta que continua morando no Exterior, que tem agora duas filhas pequenas – e então há um instante de silêncio em que nos fitamos e nos despedimos como se nos tornássemos a ver amanhã. Não sei quando a reencontrarei. Mas eu amei essa mulher. Foi um suave romance num mês de outubro e nos separamos sem mágoas nem queixas. Lembro que, à época, eu ia viajar para a Europa e prometi lhe trazer um relógio-cuco e que ela me respondeu que não trouxesse, que detestava a passagem impiedosa do tempo. Creio que não tivemos uma grande paixão. Mas, como ela era muito bonita, me deixou um pouco de doçura no coração. Agora não sei quando tornarei a falar com ela. É esse o grande mistério das relações sentimentais. Enquanto perduram, qualquer separação é inimaginável. O distanciamento é inconcebível e a simples ideia da ausência um do outro parece insuportável. Mas os ponteiros dos minutos tudo curam, mesmo os romances aparentemente mais indestrutíveis. Não tenho a mais longínqua ideia de quando reverei minha amiga, ainda mais ela, que vive tão longe. E no entanto houve uma época em que nos telefonávamos todos os dias, em que trocávamos cartas sedutoras, em que o primeiro pensamento da manhã e o último da noite eram a um e outro dirigidos. Não sei como é a cidade em que ela mora. Suponho que, por estes dias, com a chegada do outono, o ar se faça frio, as árvores se desnudem, um vento gelado sopre pelas esquinas, caia mansamente a primeira neve. Desconfio que, num entardecer qualquer, ela sinta saudade do Brasil, e até recorde, por um breve momento, pelo espaço de um tênue sorriso, nosso encontro numa esquina. Mas suspeito que, depois de me endereçar um pensamento de brandura, se esqueça de mim, cuide de suas tarefas na universidade, resista à tentação de me dirigir um e-mail. Pois a vida é assim mesmo, mais inconstante do que a incerteza do mar. Uma excelente terça-feira de sol e para quem está de folga, que seja uma folga merecida Segunda-feira, Outubro 26, 2009
Mais um dia para a casa própria Desde sexta-feira, Salão do Imóvel, na Capital, já movimentou mais de R$ 15 milhões em negócios O domingo era de Gre-Nal, mas também foi dia de fechar a compra da casa própria no 3º Salão do Imóvel, realizado no Shopping Iguatemi, na Capital. O taxista Tayrone de Souza Alves Junior era um dos que não tirava os olhos do relógio. Tayrone tinha pressa em se livrar do aluguel, mas também de correr para uma TV e assistir ao seu time vencer o clássico do futebol gaúcho depois de conferir algumas entre as 20 mil ofertas do disponíveis no local. O evento começou na sexta e termina hoje. Ele e a mulher, a professora Roberta dos Santos Vergottini, aproveitaram o Salão do Imóvel para assinar o contrato de compra de uma casa de dois dormitórios no valor de R$ 100 mil em um condomínio fechado em Cachoeirinha. Adquirido dentro do Programa Minha Casa, Minha Vida, o imóvel será financiado em 300 meses. – Aproveitei que havia esses subsídios – comemorou Tayrone. Levantamento preliminar até as 17h de ontem apontou que as 53 vendas realizadas durante o evento movimentaram R$ 15,808 milhões. Além disso, foram efetuadas nesse período pelo menos 143 reservas. Em pleno horário do Gre-Nal, o evento estava mesmo “bombando”, segundo o termo usado por Diogo Horn, diretor da ImóvelClass, promotora do evento. O executivo atribui a movimentação (tanto em público quanto em vendas) a uma atmosfera favorável ao setor, com os incentivos do governo. – As pessoas estão mais otimistas em se comprometer na compra de um imóvel. Nas edições anteriores do Salão, havia mais captação (pessoas que demostravam interesse na compra do imóvel). Agora, estão fechando a compra – afirma Horn. “Olhadinha” terminou com a reserva de um apartamento O evento conta com 86 estandes (sendo oito imobiliárias e 29 construtoras). Foi essa facilidade de reunir várias opções em um só lugar que atraiu o casal de professores Antonio Carlos e Loysa Peixoto. Eles esperavam só dar uma olhada nas ofertas, mas saíram do Salão do Imóvel com uma reserva de um apartamento estimado em R$ 750 mil em um empreendimento que nem lançado foi ainda. – É bem na região que queríamos. Como quero uma sala grande, posso mudar na planta e transformar o apartamento de quatro dormitórios em três – planeja Loysa. Ainda que com chuva que tenhamos uma segunda-feira gostosa e um finzinho de outubro produtivo. Sábado, Outubro 24, 2009
25 de outubro de 2009 | N° 16135 MARTHA MEDEIROS Viver a vida infantilmente Gosto das novelas do Manoel Carlos porque os personagens conversam como se não tivessem decorado o texto, é tudo muito naturalista, e assim está sendo em Viver a Vida, mas algo tem me chamado a atenção: esse naturalismo nunca foi tão infantil. Sei que uma novela é apenas uma caricatura da realidade, mas não posso deixar de reparar que a maioria dos personagens não parece ter mais do que 16 anos. Irmãos marmanjos correm pela casa para bater um no outro. Um advogado persegue a prima da esposa e, para “pegá-la”, vive se escondendo atrás das portas ou no banco de trás do carro, provocando gritinhos histéricos na moça, que é jornalista especializada em economia. Esse mesmo advogado outro dia foi corrido pela personagem da atriz Maria Luiza Mendonça, que o perseguiu pelo escritório com um taco de golfe nas mãos. Alinne Moraes não caminha: saltita. Lilia Cabral interpreta uma mulher que não tolera cinco minutos de solidão e só pensa em dar o troco no ex-marido que a largou. Giovanna Antonelli e a filhinha parecem ter a mesma idade. Taís Araújo e José Mayer curtiram a lua de mel num carrossel em Paris. Búzios também parece um parque de diversões, onde se anda de conversível com os braços pra cima, como numa montanha-russa. Imagens lindas, mas é novela das oito mesmo? Não é Malhação?Não faz tanto tempo assim, pais e filhos não se vestiam igual, fofocas maliciosas não faziam parte das conversas de gente grande, as relações não eram descartáveis como latinhas de refri, envelhecer não parecia tão trágico, não havia tantos brinquedinhos tecnológicos para maiores de idade, e os papéis eram mais bem definidos: crianças e adolescentes tinham o direito de brincar e se divertir, enquanto os adultos colocavam ordem no galinheiro. Piorou? Não. Acho ótimo que possamos ser joviais e divertidos até os 100 anos, mas é bom ficarmos atentos para não cair na cilada de achar que só os imaturos sabem viver a vida. Manoel Carlos tem fama de escrever novelas realistas e está fazendo exatamente isso. Tempera todas as cenas com muxoxos, beicinhos, chiliques, deslumbramentos, birras e flertes, escancarando uma fatia da sociedade que parece não saber mais se comprometer, nem trocar ideias sem agredir, nem aceitar o sofrimento. Uma das exceções é a personagem da atriz Lica Oliveira, que faz a charmosa mãe da Helena e que demonstra ter abandonado faz tempo o jardim de infância, esbanjando elegância e bom senso. É novela, criatura!! Eu sei, eu sei. E é possível que essa infantilização seja uma estratégia para contrastar com o dramalhão que vem pela frente. Mas não custa refletirmos sobre o que parece bobo, mas não é: o desprestígio da maturidade nos tempos atuais. Sei que, no fundo, somos todos crianças grandes, só que não dá pra perder a compostura e sair atrás de quem nos enerva com um taco de golfe nas mãos. Viva a espontaneidade juvenil, mas nosso lado adulto merece continuar com algum ibope. Ainda que com chuva, que possamos ter um lindo domingo e um ótimo início de semana.
Quase uma bicicleta O minicarro elétrico idealizado por Jaime Lerner foi projetado para ser alugado em terminais de transporte coletivo e percorrer pequenas distâncias Marcelo Bortoloti Juliana Braz O MENOR DO MUNDO Lerner ao lado do Dock Dock: inspirado na experiência de Paris Em 1974, quando era prefeito de Curitiba, o arquiteto e urbanista Jaime Lerner implantou um modelo de transporte público que se tornaria referência mundial. O Ligeirinho, mais tarde batizado de BRT (Bus Rapid Transit), sistema de ônibus com pistas exclusivas e embarque similar ao das estações de trem, foi copiado em 83 cidades no mundo.
Agora, Lerner está lançando um projeto no outro extremo da cadeia do transporte urbano: um veículo movido a energia elétrica com capacidade para uma única pessoa. O Dock Dock, cujo protótipo será apresentado no fim desta semana no Rio de Janeiro, é o menor carro elétrico já concebido: mede 60 centímetros de largura, 1,38 metro de comprimento e 1,5 metro de altura. Atinge velocidade máxima de 20 quilômetros por hora e foi pensado para circular em faixas compartilhadas com pedestres, bicicletas e locais onde o trânsito de automóveis é restrito. Sua inspiração vem do Velib, sistema de bicicletas públicas de Paris. A ideia é que os veículos funcionem como complemento do sistema de transporte coletivo, possibilitando deslocamento mais rápido do que o permitido pela caminhada e mais confortável do que sobre uma bicicleta. Como no modelo parisiense, os carrinhos serão alugados em áreas de grande circulação, próximas aos terminais de ônibus ou metrô. Os usuá-rios poderão retirá-los e devolvê-los em qualquer estação, pagando com cartão de crédito. Essa é a grande diferença entre o Dock Dock e outros minicarros elétricos, como o Puma, da General Motors e da Segway, com lançamento previsto para 2012, que é um veículo para ser comprado e guardado na garagem do usuário, como qualquer outro. O projeto se escora em experiências internacionais bem-sucedidas, que demonstraram a eficiência do complemento individual ao transporte público. Depois do êxito no projeto do Velib, a prefeitura de Paris planeja, para o fim de 2010, implantar o Autolib, um carro de uso coletivo, para até quatro pessoas. Serão disponibilizados 3 000 veículos elétricos em mais de 1 000 pontos da cidade. Outra iniciativa interessante nessa linha é o Personal Rapid Transit, um veículo elétrico para até quatro pessoas que circula sobre trilhos com estações situadas a pequena distância. Ele dispensa motorista – é o usuário quem aciona um botão correspondente à estação em que deseja saltar. Um modelo piloto está sendo construído no aeroporto internacional de Londres. A ideia central é que o transporte de massa consegue resolver o problema de grandes deslocamentos. Mas não acaba com a necessidade de deslocamento individual dentro de um mesmo bairro ou entre bairros vizinhos. "Isso provoca alguns dos principais problemas no trânsito das metrópoles", diz José Eugênio Leal, professor de engenharia de transporte da PUC-Rio. James Leynse/Corbis/Latin Stock NO FILÃO DOS CARROS ELÉTRICOS O pequeno Puma, que será lançado em 2012 pela General Motors e pela Segway O conceito de transporte complementar pode funcionar especialmente bem nas regiões centrais de grandes cidades que adotaram a opção de banir, ou reduzir drasticamente, a circulação de automóveis.
É o caso de Nova York, que, desde maio deste ano, interditou ao tráfego parte da Broadway, na Times Square. Um trecho de cinco quarteirões transformou-se numa área ampla onde só é possível circular de bicicleta ou a pé. O Brasil também se movimenta nessa direção. São Paulo aprovou em junho um projeto de lei que prevê a restrição gradativa dos automóveis particulares no centro. No Rio, existe a intenção da prefeitura de fechar ao tráfego uma das principais avenidas centrais, a Rio Branco. Lerner enxerga aí um filão para seu veículo. Mas sua ambição é maior que essa. Quer fazer dele um complemento ao transporte coletivo em qualquer local de uma grande cidade. Ainda que seja preciso construir ciclofaixas por onde passem bicicletas e seus Dock Dock. Diz Lerner: "Pode parecer complicado, mas é mais fácil do que foi construir as faixas exclusivas de ônibus". |
|