Nuvens Brancas

Nuvens Brancas

Uma nuvem branca é um mistério - o vir,o ir, o próprio existir dela.Uma nuvem branca existe sem quaisquer raízes - um fenômeno desenraizado,apoiado no nada, mas assim mesmo existe.E existe em abundância. O todo da existência é assim - sem quaisquer raízes,sem qualquer causalidade,sem qualquer causa final,ela existe e existe como um mistério. Uma nuvem flutua para onde quer que o vento a leve. Ela não tem nenhum lugar para onde chegar, nenhum destino para ser cumprido, nenhum fim.



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Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004
 


Blogger.com.br: semana tumultuada


Não se fala de outra coisa na comunidade blogueira nas últimas duas semanas. A decisão do Blogger.com.br de vetar o acesso de IPs internacionais a blogs hospedados nos servidores da Globo.com foi tema de exaltados posts, listas de discussão enfurecidas e, de modo geral, incerteza e irritação entre os usuários. O acesso voltou ao normal, mas a desconfiança ficou, até porque o Blogger.com.br só se manifestou a respeito do caso quando o serviço foi normalizado.

Frederico Monteiro, diretor de marketing do portal, reconhece que houve falha na comunicação, mas garante não existir motivo para maiores inquietações. Ele diz que o Blogger.com.br ficou inacessível para IPs internacionais apenas no sábado (dia 14) e na segunda (dia 16), e observa que o congelamento foi motivado por problemas técnicos:

¿ Passamos por um ataque muito violento no sábado. Como a maior parte dos IPs que nos atacava era dos EUA e da Europa, tivemos que agir rápido para proteger os assinantes e o conteúdo do portal.

Os internautas que hospedam seus blogs no Blogger. com.br, porém, não aceitam a explicação, e dizem que o veto vinha acontecendo há mais tempo. Luciana Misura, que mantém o blog Mundo Pequeno , que reúne brasileiros residentes no exterior, chegou a criar uma lista de discussão (em ) para debater as possíveis causas do veto aos IPs internacionais. A lista já tem mais de 95 membros.

Outros problemas envolvendo blogs do Blogger.com.br não ajudaram a melhorar o clima: Alessandra Félix e Matusalém Matusca , dois dos principais blogueiros brasileiros, tiveram os blogs deletados, sem conseguir explicações do Blogger. com.br.

Frederico diz que o Blogger.com.br não apaga o conteúdo dos blogs mas, quando os usuários ficam mais de 60 dias sem postar, congela o seu conteúdo. Este, no entanto, não era o caso nem de Alessandra nem de Matusca; o diretor de marketing promete investigar o que aconteceu.

No caso de blogs inativos, a empresa comunica o congelamento aos usuários por email; os posts ficam armazenados por mais 90 dias, quando, finalmente, são eliminados. Caso o blogueiro queira reaver senha, login e conteúdo, será considerado, pelas regras da Globo.com, como novo assinante ¿ e aí terá de pagar como tal.

¿ Temos mais de um milhão de blogs. Destes, 250 mil foram congelados por inatividade ¿ diz Frederico. ¿ Cerca de 80% dos blogs que hospedamos são considerados inativos. A grande maioria dos usuários tem intervalos de atividade de quatro a cinco meses.

O portal identificou três categorias de usuários de acordo com o perfil de atividade: os que postam sempre (minoria); o usuário esporádico, que publica de um a dois posts por mês e, por último, os usuários que experimentam o serviço, têm ¿surtos¿ de publicação e logo em seguida abandonam o blog. A maior parte dos blogs congelados se enquadra na terceira categoria.

Segundo a empresa, a partir de agora qualquer modificação nas condições de uso do serviço será comunicada aos usuários com pelo menos cinco dias de antecedência, exceto, é claro, em casos de força maior. Leia-se aí ataques de hackers ou ações judiciais, que podem levar o provedor a congelar blogs por, digamos, pedofilia ou conteúdo racista.

Frederico Monteiro diz que o provedor não pretende implementar novas mudanças e que os blogueiros.BR podem postar tranqüilos. ( Elis Monteiro )


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Domingo, Fevereiro 15, 2004
 


Procuram-se jovens destemidos

Marinha promove concurso para formar segunda turma de fuzileiros do ano. Força vai contratar também para quadro civil e de engenheiros e capelães
Leila Souza Lima

Muitos desistem antes do fim da semana de ambientação, mas a maior parte dos alunos do Curso de Formação de Soldados do Corpo de Fuzileiros Navais leva a experiência a sério e faz da oportunidade o ponto de partida para uma longa carreira. Afinal, o fuzileiro aplicado pode chegar ao posto de capitão de mar-e-guerra. Quem quiser apostar nessa trajetória tem até o dia 12 para se inscrever no concurso que vai formar a segunda turma deste ano.

Há chances para 700 rapazes que tenham completado 18 anos até 9 de agosto e, no máximo, 21, até 31 de dezembro, além de altura mínima igual ou superior a 1,62 m. Mulheres são admitidas apenas como musicistas, em seleção à parte.

Para conquistar a vaga, os candidatos passam por uma avaliação com sete etapas: Exame de Escolaridade (provas de Matemática e Língua Portuguesa), Verificação de Dados Biográficos, Inspeção de Saúde, Teste de Suficiência Física, Exame Psicológico, Verificação de Documentos e Concentração para Ambientação. Aprovados no exame ganham R$ 160 mensais durante o treinamento. Os que conseguem se formar passam a ter salário de R$ 600.

Candidatos a fuzileiro estão cada vez mais qualificados

Para concorrer às vagas, basta Ensino Fundamental completo, mas o complicador é que o nível de escolaridade dos participantes vem aumentando, na verdade, um reflexo do desemprego. Essa mudança no perfil do candidato torna a disputa desigual especialmente para jovens de baixas renda e escolaridade. Antes, entravam por vocação. Hoje, ser fuzileiro é opção de carreira, alternativa ao desemprego, afirma o capitão-de-corveta Eduardo, que conduz o programa.

O curso é aplicado no Centro de Instrução Almirante Milcíades Portela Alves (Ciampa), na Avenida Brasil, Campo Grande. A unidade recebe candidatos de todo o País, menos de Manaus e Distrito Federal, onde fica o Centro de Instrução e Adestramento de Brasília (CIAB). Depois de formados fuzileiros, os rapazes voltam para suas regiões de origem.

Até a formatura, no entanto, o caminho não é fácil. Muitos chegam aqui sem a menor noção do que é ser militar. Acham que é só vestir a farda e estarão prontos. O objetivo é que se transformem em soldados, e isso não é fácil, alerta o Comandante Killian, patente superior na escola.

Quando chegam à unidade, os aspirantes têm seus pertences recolhidos. São 17 semanas de treinamento, sendo a primeira em regime de isolamento total. Na terceira e quinta semanas, os recrutas podem receber visita de parentes. Na sétima, adquirem o direito de sair às sextas-feiras e regressar aos domingos.

Nada é refresco nesse período. A alvorada, hora e levantar, é às 4h da manhã, na primeira semana, passando para 5h, nas seguintes. Os recrutas levantam, fazem cama, higiene pessoal e iniciam jornada que só acaba perto das 23h. Ao longo do dia, muitos exercícios e atividades disciplinares. Eles não podem se tocar nem andar sozinhos, estão sempre sob o comando de um superior e em ritmo acelerado. Levantam correndo e vão dormir correndo, garante o capitão Eduardo.

Além do treinamento físico, todos freqüentam classes e devem cumprir período obrigatório de estudo. O resultado de tratamento tão rigoroso é reconhecido pelos pais dos que concluem o curso. Muitos procuram os oficiais e agradecem pela transformação dos meninos, que saem responsáveis, organizados, estudiosos e com planos para o futuro.


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Sábado, Fevereiro 14, 2004
 


Uniforme do samba

Juliana Alves, musa do Salgueiro, mostra o balanço da minissaia, traje oficial dos dias de folia

Márcia Disitzer

Juliana Alves quando samba, é luxo só. A atriz, de 21 anos, que pulou do Big Brother para a novela Chocolate com Pimenta, será uma das musas do desfile do Salgueiro e rainha da bateria da Império da Tijuca. E para cair no samba, nada melhor que vestir uma minissaia de balanço. Essa dupla Carnaval e minissaia é nota 10 no quesito figurino.

O Clube dos Democráticos point do Carnaval carioca e que terá hoje como principal atração o bloco Spanta Neném foi palco para a moça mostrar os modelos mais quentes da temporada do samba. Gosto de usar minissaia de tecidos leves, diz ela.

Com babados, de jeans, bem curtinha, de seda transparente ou transpassada, supersexy, a minissaia ganha destaque e companhias estilosas. A sandália de plataforma branca e as metalizadas de salto fino são indispensáveis, assim como as regatas moderninhas e os tops de paetês. No mais, é se jogar nos blocos da cidade com o uniforme do samba.


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Lya Luft
14/02/2004


Férias como auto-ajuda

Descobri que cronista tem direito a férias, portanto por três sábados todos estaremos isentos; de escrever, de ler.

Vou curtir a auto-ajuda das férias: parte delas passada aqui mesmo no computador, pois muitos trabalhos me esperam, apesar da minha tendência à vagabundagem lírica. Meu lado de odalisca mental preferiria olhar as flores da minha quaresmeira, na atenção flutuante que Freud apreciava enquanto seus pacientes se esfolavam vivos no divã.

Eu, em lugar de pacientes, escuto as palavras dando cambalhotas na minha cabeça, botando a língua ou seduzindo personagens que a maioria das vezes acabam no lixo cósmico do esquecimento.

A última novidade que me tem feito rir sozinha nessas horas é lembrar o comentário feito com ar cúmplice: "Sabe que andei te defendendo de uma calúnia?" No começo apontei uma orelha: mas a esta altura da vida, as netas gêmeas empilhando no tapete do escritório os livros que derrubam das prateleiras, ainda estão fazendo folclore com minha vida? "Não! É que fulano diz que teu livro vende bem porque é auto-ajuda." Oh, bocejos de tédio celestial.

Bom, já dizia meu velho pai, a burrice é a mãe de todos os males. E a burrice, quando se junta com aquilo que Lygia Fagundes em situação semelhante chamou de "o olhar oblíquo da inveja vertendo suas lágrimas de verde bílis", só faz besteira. Nenhum de meus livros, do mais obscuro romance ao mais falsamente simples trecho do Perdas & Ganhos, foi escrito com intenção de ajudar ninguém em coisa nenhuma. E a intenção é o primeiro passo para definir uma obra qualquer. Ao contrário, meu desejo sempre será provocar, se possível atrapalhar para fazer pensar: isto é, levar à saudável transgressão do questionamento.

Mas se acham que é auto-ajuda, achem. E daí? Aliás, estou pensando no título "Auto-ajuda" para um novo livro. Todos ficarão felizes, e vou finalmente ouvir tilintar no bolso aquelas moedas que todo mundo imagina. Pois, segundo as almas simples, quem aparece nas listas de mais vendidos automaticamente está rico. Só moramos numa casa que não está em ruínas, e temos um carro que anda, para disfarçar as contas na Suíça, o castelo na Morávia (por que Morávia, não sei), e o bangalô na Côte d'Azur - que aliás deve estar fora de moda.

Preciso de férias, urgente, pra trabalhar dobrado e reforçar o orçamento. Até breve.

lya.luft@zerohora.com.br


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Sábado, Fevereiro 07, 2004
 
Um tapinha não dói

Boa surpresa em Celebridade: a desenvoltura com que Márcio Garcia interpreta Marcos
Ricardo Valladares

Rafael Campos


Cláudia Abreu e Márcio Garcia: ela é a "cachorra" e alguns sopapos são para valer

O desempenho do ator Márcio Garcia é uma das poucas boas surpresas da novela Celebridade. Ele está perfeitamente à vontade no papel do aproveitador Marcos, que protagoniza cenas de alta voltagem com a vilã Laura, interpretada por Cláudia Abreu (Cláudia também está excelente em seu papel, mas isso já era esperado). Marcos e Laura são cúmplices na cafajestice e no amor. Os dois tramam seus golpes juntos e comemoram suas vitórias com sessões animadas de sexo, que têm um toque sadomasoquista. Ele a chama carinhosamente de "cachorra", e não é incomum que ambos troquem uns sopapinhos.

"Eu já dei uns tapas nele de verdade e as pegadas dele são fortes. A gente se diverte e tem uma sintonia muito boa", diz Cláudia. O fino ajuste entre os dois fez com que os improvisos passassem a ser constantes. Semanas atrás, uma cena pedia que o casal se despedisse e Marcos partisse de carro. Na hora da partida, o carro falhou, o que não estava no script. "Empurra aí, cachorra", disse Márcio. E lá foi Cláudia, rindo, empurrar. "O Márcio é muito rápido, cria brincadeiras na hora", diz a atriz.

A carreira do carioca Márcio Garcia, de 33 anos, começou por acaso, em 1992, quando ele foi apanhar uma namorada na agência Elite. O pessoal gostou da estampa do rapagão e o convidou para ser modelo. Márcio interrompeu o curso de administração de empresas no primeiro ano e foi à luta. Das campanhas publicitárias saltou para a televisão. Assumiu a apresentação de um show esportivo na MTV e, em 1994, fez sua primeira aparição de sucesso na Rede Globo, como o pescador Cassiano na novela Tropicaliente. Além de atuar em novelas, Márcio já apresentou o programa infantil Gente Inocente, que ia ao ar nas manhãs de domingo. Com seu estilo "garotão saúde", ele tem boa aceitação entre os espectadores jovens de ambos os sexos. Isso faz de Márcio um curinga dentro da emissora.

Nos últimos anos, ele também se tornou um empresário bem-sucedido. Ele representa uma grife inglesa de relógios na América Latina e tem um escritório de mídia. Está casado com a publicitária Andréa Santa Rosa, de 25 anos, com quem teve um filho, Pedro. O casal vive numa casa de 600 metros quadrados no bairro do Joá, no Rio de Janeiro. A casa tem quadra de esportes, academia, piscina e um canil com doze cães.

Antes do casamento, Márcio construiu um bom currículo de namorador. Teve um caso-relâmpago com a apresentadora Angélica e um noivado de dois anos com a modelo Daniella Sarahyba. Ao romper com a moça, Márcio pediu de volta um colar de 10 000 dólares que havia lhe dado. Daniella resolveu doar a jóia à Casa dos Artistas.


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Domingo, Fevereiro 01, 2004
 


Artigo
Oitenta por cento

SÉRGIO DA COSTA FRANCO/ Historiador

Depois que o PMDB nacional se vendeu ingloriamente ao presidente Lula pelo preço de dois ministérios inexpressivos, o governo já está apregoando que contará com maioria de 80% do Congresso Nacional. Esse dado é altamente inquietante, pois com tal maioria, habilmente manejada pela distribuição de favores e de cargos de confiança (criaram-se agora, numa penada, 1.332 CCs, mais 1.465 FGs), pode o Executivo conseguir tudo. E o "conseguir tudo", por parte de um governo de tendências monopolistas, que namora Fidel Castro, Kadafi e Hugo Chávez, significa a possibilidade de mudar a Constituição em pontos essenciais à sobrevivência da democracia.

Até agora, o elenco de direitos e garantias fundamentais tem nos livrado da aplicação prática das utopias e delírios revolucionários que predominam entre as cabeças pensantes do governo Lula. Mas a Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência foi confiada a um comunista ortodoxo, da facção maoísta; o primeiro-ministro José Dirceu não é exatamente um paladino do liberalismo, como não o é o ora beatificado senador José Sarney, homem de confiança da Arena e da ditadura militar. Quando os utopistas se unem aos fisiológicos, o resultado é sempre mau para a ordem jurídica.

Por enquanto existem um Poder Judiciário e um Ministério Público mais ou menos vigilantes no resguardo da Constituição. E a minguada porém canônica autonomia dos Estados pode contrabalançar os exagerados poderes da União Federal. Mas o que poderá advir do súbito definhamento da oposição (reduzida agora ao PSDB e ao PFL) e da afirmação dessa maioria de 80% nas deliberações da Duma de Brasília? Estamos fartos de saber que a ética política anda muito longe das práticas de um poder sem contrastes. Ainda agora se viu o Senado Federal induzido em erro na aprovação da Reforma Previdenciária: para que aceitasse alguns pontos que a maioria rejeitava, prometeram-lhe a concomitante ou imediata aprovação da "PEC paralela", mas já estão os próceres da Câmara negaceando e "roendo a corda", com o claro risco de ficar a "paralela" para as calendas gregas. Apesar de ter sido ela o pretexto para a onerosa convocação extraordinária do Congresso! Uma espécie de "conto do pacote" institucional foi o que se aplicou em nosso estimado senador Paim e noutros pais da pátria que resistiam a engolir a reforma da Previdência, tal como vinha proposta pelo governo. Porém não haja estranheza em relação à inédita rasteira de que foi vítima o Senado. As esquerdas sempre foram favoráveis à extinção da câmara alta.

De resto, essa inédita maioria de 80%, na ânsia de ajudar e agradar ao Executivo federal, poderá ceder às antigas tendências centralistas e unitárias, para reduzir a autonomia dos Estados e invadir as esferas específicas do poder local. A reforma tributária, em gestação prolongada, certamente não dará alívio às finanças estaduais e só cuidará de encher os cofres da União. Todo governo de inclinação autoritária é insaciável e, se for lastreado por maioria parlamentar de 80%, nada lhe bastará.

Os dóceis governadores que hoje se curvam ao governo central talvez se arrependam futuramente de terem sido os personagens "bonzinhos" dessa comédia de ardis e de enganos.



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