Nuvens Brancas |
||
|
Uma nuvem branca é um mistério - o vir,o ir, o próprio existir dela.Uma nuvem branca existe sem quaisquer raízes - um fenômeno desenraizado, apoiado no nada, mas assim mesmo existe. E existe em abundância.
O todo da existência é assim - sem quaisquer raízes,sem qualquer causalidade,sem qualquer causa final,ela existe e existe como um mistério.
Uma nuvem flutua para onde quer que o vento a leve. Ela não tem nenhum lugar para onde chegar, nenhum destino para ser cumprido, nenhum fim.
Archives
Visitors:
|
Sábado, Abril 30, 2005
Diogo Mainardi Vamos soltar os bandidos "Os americanos acreditam que, tirando os criminosos de circulação, a criminalidade também diminui. Os lulistas rejeitam a receita americana. É simplória demais" Os Estados Unidos garantem que a melhor maneira de combater o crime é trancar os bandidos na cadeia. A solução pode parecer extravagante para nós, brasileiros, mas os americanos acreditam que, tirando os criminosos de circulação, a criminalidade também diminui. O país acaba de anunciar um novo recorde no número de detentos: mais de 2,1 milhões. Entre 1994 e 2004, a população carcerária americana aumentou 42%. No mesmo período, a taxa de criminalidade caiu 33%. O saldo é surpreendente: mais bandidos na cadeia, menos crimes. Quem diria? Os lulistas rejeitam a receita americana. É simplória demais. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, prega exatamente o contrário para o Brasil: "Não podemos continuar com o crescimento assustador da quantidade de gente indo para a cadeia, ao mesmo passo que não temos a condição de alcançar isso com a construção de novos presídios". O diretor do Departamento Nacional de Penitenciárias, Clayton Nunes, concorda com o chefe: "O problema dos presídios brasileiros não está na criação de novas vagas". O melhor a fazer, segundo Clayton Nunes, é soltar boa parte dos presos, porque "95% da população prisional não oferece perigo à sociedade". O presidente do PT, José Genoíno, defende a mesma idéia: "A eficácia governamental não se mede pelo número de presos". A opinião é compartilhada pelo deputado Geraldo Thadeu, relator da Subcomissão do Sistema Penitenciário. Ele recomenda a adoção, em escala nacional, do modelo aplicado na cidade mineira de Itaúna, onde a cadeia é gerida diretamente pelos detentos, que ficam até com a guarda das chaves. O deputado Thadeu tem razão. Por que seguir o exemplo dos últimos trinta anos nos Estados Unidos se podemos contar com o pioneirismo de Itaúna? A administração lulista reconhece que os presídios estão superlotados. Os eficientes técnicos do governo só parecem perdidos quanto à real dimensão do problema. Em 14 de maio de 2004, Clayton Nunes informou no Congresso Nacional que o sistema carcerário brasileiro tinha um déficit de 110.000 vagas. Em 16 de junho, Márcio Thomaz Bastos admitiu no mesmo Congresso Nacional que faltavam 178.000 vagas. Em 23 de junho, Clayton Nunes voltou ao Congresso Nacional e reduziu o número para 65.000 vagas. Uma variação de 200 e tantos por cento em apenas quarenta dias. Márcio Thomaz Bastos revelou aos deputados que, para suprir a demanda, teríamos de construir sete novas cadeias por mês. Por via das dúvidas, ele preferiu não construir nenhuma, em dois anos e meio de governo. Sempre que os Estados Unidos anunciam um novo recorde no número de detentos, os lulistas oferecem uma interpretação negativa para o fato. Uns profetizam o "ocaso do império americano". Outros denunciam a prática de uma "política de repressão racista" no país, uma vez que negros e latinos lotam as prisões. Negros e latinos lotam as prisões simplesmente porque cometem mais delitos. É duro entender a mentalidade dos americanos. Eles querem prender os bandidos. A gente é menos primário. A gente que Sexta-feira, Abril 29, 2005
Encontro de bambas Marcelo D2 diz que teve medo de dividir o palco com Paulinho da Viola no show que comanda domingo, em Copacabana Alícia Uchôa Engana-se quem pensa que, no Brasil, tudo acaba em samba. Nas areias cariocas de Copacabana, tudo começa com batucada. Pelo menos neste domingo, quando Marcelo D2 recebe Paulinho da Viola, Marisa Monte e Martnália na abertura do projeto Encontros Tim, a partir das 18h. O samba é o fio condutor do show. Não só por causa dos convidados, mas do meu som também, conta o anfitrião Marcelo D2, empolgado. Vai ser uma grande oportunidade tocar para um grande público. Será um marco na minha carreira. Ainda mais sendo o dono da festa, orgulha-se ele, que canta duas músicas com cada um dos convidados. Do hip hop à MPB, nada fica de fora do repertório e os quatro sobem ao palco com a bagagem cheia. São três pessoas que admiro muito. Dei uns nomes para a Maria Jucá, produtora, e ela sugeriu também o Paulinho, lembra D2, que, confessa, se sentiu intimidado. Tive um certo receio. O cara é todo sério, eu sou moleque, falo de maconha. Fiquei com vergonha. Mas a gente reuniu todo mundo, ensaiou e foi sensacional. Ele é divertido, humilde, e acho que os três vão estar em casa, garante ele, que já conhecia Martnália e Marisa de outros carnavais. Entre as músicas que o rapper não quer deixar de fora está À Procura da Batida Perfeita. Não sei se é a que o público mais gosta, mas é a que mais gosto de tocar, porque resume o meu som, sintetiza ele, que divide o palco com Paulinho da Viola para cantar Argumento, clássico do sambista. Não poderia cantar um rap inteiro. Isso, só o Marcelo. É um discurso veloz, difícil. Não vai ser um encontro muito comum, mas não tem nada de incompatível, abençoa Paulinho, que depois de tocar cavaquinho para o rapper cantar, divide o microfone com Marisa em Dança da Solidão. Em pleno Dia do Trabalhador, a festa na praia é uma tentativa de resgatar os grandes eventos que marcaram a data no País. Para Marisa Monte, além da reunião dos quatro, o maior diferencial são o cenário e a platéia. O mais bacana é que o show é de graça e o público, o melhor possível. Não paga ingresso, mas paga com participação, aplausos. É muito mais caloroso, conta a cantora, veterana quando o assunto é show nas areias da cidade. Em sua participação, Marisa, que é portelense nata e produziu discos da Velha Guarda da escola, jogando luz sobre nomes populares do samba, como Argemiro Patrocínio, dá um toque de MPB ao show. Sem deixar o samba morrer. Somos todos cariocas e, além do Rio, temos em comum o coração aberto para essa manifestação cultural da nossa cidade que é o samba, diz ela, que adianta seu repertório. A gente só vai fazer duas músicas, que eu já canto. Uma é uma Dizem que o Amor, que cantei no disco do Argemiro, em que o Marcelo participou e mixou, e Cinco Minutos, do Benjor, que gravei no Memórias, Crônicas e Declarações de Amor, avisa. Parceira de Zona Norte de D2, Martnália divide pela primeira vez o palco com o amigo. É legal participar desse movimento, misturando samba com hip hop. O resto é o pesadelo do samba, brinca Martnália, que conhece o anfitrião de outros tempos. A gente se conhecia dos bastidores. Nós somos da mesma área, ele do Andaraí e eu, de Vila Isabel. Sem contar as festas a que já fomos juntos, diz ela, baladeira e sambista de primeira. A Martnália é família, diz Marcelo. No show, canto Celeuma, que é uma música que o Djavan fez para mim. Depois, com o D2, vou cantar duas músicas gravadas por ele, Batucada e Re-batucada, que fazem alusão a João Nogueira, enumera a filha de Martinho da Vila. Com poucos ensaios, Martnália torce pelo improviso. Tudo pode acontecer, graças a Deus. De repente pinta um lance lá. Tem um gostinho especial, povão, misturas, adoro. Carioca e praia têm tudo a ver. PRAIA de Copacabana (altura da Rua República do Peru). Domingo, às 18h. VIA LIGHT. Palco será armado no Parque 3, esquina com a Rua Professora Paris. ESPAÇO Cultural Sylvio Monteiro. Rua Getúlio Vargas 51, Centro, Nova Iguaçu (2668-1362). SESC São João de Meriti. Av. Automóvel Clube 66 (2756-6177). INFANTIL. O projeto Sessão Criança, do CCBB, exibe amanhã e domingo o filme animado Shrek 2, de Andrew Adamson, Kelly Asbury e Conrad Vernon. Na trama, a princesa Fiona e o ogro verde (que na versão dublada ganhou a voz do humorista Bussunda), recém-casados, enfrentam seu maior desafio: apresentar para os pais da moça o suposto príncipe encantado que a conquistou. O longa recebeu duas indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Filme de Animação e Canção Original (Accidentally in Love). RUA Primeiro de Março 66, Centro, (3808-2020). Amanhã e domingo, às 14h (senhas às 13h30). SHOW. Integrante da primeira edição do programa Fama, o baiano Adelmo Casé (foto) apresenta amanhã, no shopping Bay Market, as músicas do CD lançado recentemente e que leva seu nome, além de sucessos da soul music brasileira. Entre as faixas do novo trabalho estão Adeus, Teu Calor e A Felicidade é Breve. Composições de Tim Maia e Jorge Benjor também fazem parte do repertório do show, que conta com a participação do percussionista Pedro Mamede. RUA Visconde do Rio Branco 360, Centro, Niterói (2620-2450). Amanhã, às 18h. MPB. O cantor e compositor Guilherme Arantes canta amanhã no Shopping Nova América, em Del Castilho, numa homenagem antecipada ao Dia das Mães, comemorado no próximo fim de semana. Entre os clássicos de seu repertório prometidos para o show estão Aprendendo a Jogar, Deixa Chover, Planeta Água, Cheia de Charme, Balão Azul e Meu Mundo. A apresentação tem ainda Nada Mais, que embalou a babá Nice nas duas versões da novela Anjo Mau, exibidas em 1976 e em 1997, e que marcou a estréia de Guilherme na música brasileira. AVENIDA Pastor Martin Luther King Jr. 126, Del Castilho (3083-1000). Amanhã, às 19h. Quinta-feira, Abril 28, 2005
Fim de uma era Parece que todas as mulheres ousadas do pop resolveram recolher armas na mesma hora Zean Bravo A mesma Madonna que fez da música pop sinônimo de escândalos, agora dita outra moda entre suas seguidoras. Casada, mãe de dois filhos, a quarentona transformou-se em estudiosa fervorosa da cabala vertente da religiosidade judaica e escritora de livros infantis. Também casada, a única polêmica recente produzida por Britney Spears foi exibir a roliça silhueta de grávida. Até Christina Aguilera, que não teve pudor ao adotar um estilo que flerta com a vulgaridade explícita, está com o pé no altar. Em seu convite de casamento com o executivo Jordan Bratman pode-se ler Ela disse sim. Psicanalista fala da mudança Seria a ordem natural? Em terras nacionais, Kelly Key, ainda em licença-maternidade do segundo filho, prepara novo CD para o fim de maio. Depois de apresentar programa infantil, ela avisou que não é a mesma domadora de cachorrinhos de outros tempos. Tida como pegadora, Wanessa Camargo não abastece mais o noticiário de fofocas: Quero deixar as coisas acontecerem, disse a moça. Todo mundo têm um lado caseiro. As cantoras pop não são super-heroínas que têm uma identidade secreta nas horas vagas, analisa o psicanalista Luiz Alberto Py. Os fãs se dividem. Madonna já contribuiu para abrir a mente das pessoas sobre sexualidade. Ela pode tudo, diz universitária Bianca Dutra, 23 anos. É difícil ter sempre um escândalo maior que outro para virar notícia. Anunciar que ser mãe de família é a prioridade pode ser um choque para muitos, emenda a estudante Natália Lima, 18. Escândalo esgota SONHO COMUM. No fundo todas querem encontrar seu par, casar, ter filhos e viver felizes para sempre. Toda mulher cresceu sonhando com príncipe encantado e não vai abrir mão disso, acredita a professora Sueli Carvalho Nascimento, 36 anos. CRIAÇÃO. Às vezes, enxergo a mim mesma na minha filha, sei exatamente o que ela está pensando. Meu lado coruja diz que eles jamais cometerão erros e isso é terrível, disse em entrevista mamãe Madonna, que tem fama de severa com os filhos. POP. A música se faz muita pela imagens que as cantoras passam. Pode ver que todas querem ser como Madonna foram, aponta a universitária Bianca Dutra. BEIJO. Depois que Madonna beijou a Britney e a Aguilera na boca, elas ficaram numa disputa para ver quem era a mais devassa, quem aparecia mais pelada nos clipes, quem pegava mais gente. Elas pensaram que iriam ocupar o lugar da Madonna, mas chega uma hora que os escândalos se esgotam, diz o publicitário Adriano Rangel, 25 anos. SANDY. Sempre discreta, Sandy não gosta de fazer alarde de sua vida pessoal, nem usa de artifícios escandalosos para manter-se em evidência. Sempre foi criticada, mas agora está fazendo escola. Quarta-feira, Abril 27, 2005
O amor do Rei Segunda caixa reeditando obra de Roberto Carlos traz discos dos anos 70, cheios de canções com apelo sensual Mauro Ferreira De ídolo juvenil e roqueiro dos anos 60, Roberto Carlos se transformou aos poucos no romântico amante latino da década de 70, com perfil conservador que resiste até hoje. Prevista para março, a segunda caixa da coleção Pra Sempre chega esta semana às lojas (preço médio de R$ 300) e mostra, através de 12 discos gravados pelo Rei entre 1970 e 1979, que a obra de Roberto ganhou forte carga erótica nos anos 70. Foi a fase de sucessos como Vista a Roupa meu Bem (1970), Amada Amante (1971), Proposta (1973), Seu Corpo (1975), Cavalgada (1977) e Café da Manhã (1978) que fizeram do cantor o maior vendedor de discos do Brasil a partir daquela década, com cifras superiores a um milhão de cópias de cada álbum. Se a trilha de motel do Rei ainda hoje seduz o público de meia-idade do cantor, a segunda caixa da coleção tem um atrativo para as crianças, por recuperar disco infantil que permanecia escondido na discografia do Rei. Trata-se de Roberto Carlos Narra Pedro e o Lobo, disco que registra em estúdio o recital feito pelo cantor na Sala Cecília Meirelles, no Rio, com a orquestra New York Philharmonic, regida por Leonard Bernstein. A partir dos anos 70 Roberto Carlos passou a defender em seus discos valores religiosos e familiares. Jesus Cristo entrou no disco de 1970 e nunca mais saiu dos shows do cantor. A obra do Rei nos anos 70 ainda guarda resquícios da fase soul, mas, a cada disco, sua música foi se tornando menos negra. Súditos vibram Poucos reis têm tantos súditos como Roberto Carlos. A nova caixa de CDs marca, segundo fãs distintos, o auge criativo do cantor e compositor. Sem dúvida nossos grandes sucessos estão na década de 70. É maravilhoso para quem é fã do Roberto como eu, diz Erasmo Carlos. É mais uma oportunidade para ter a obra atualizada e remixada com novas tecnologias. A cantora Sandra de Sá acrescenta: É a fase mais livre e feliz de Roberto e o melhor entendimento de sua veia romântica com o rock e o soul de Erasmo, diz Sandra. O cantor Bebeto, mestre dos bailes de samba rock desde os anos 70, opina: Mesmo no rock, o Roberto sempre foi romântico. Nos 70 está seu período mais maduro e adulto e ao mesmo tempo singelo. O roqueiro Frejat, que na década de 90 produziu disco de homenagem ao Rei e cantou com o Barão músicas como Quando (1967), diz: Por ele eu sou monarquista. Roberto é rei. Dos 70, fico com os primeiros discos, curto mais os anos 60. Já dei a primeira caixa de presente a vários amigos. (Pedro Landim) Mamães BÔNUS. Como as vendas dos discos de Roberto Carlos sempre sobem nos Dias das Mães, o CD Pra Sempre ao Vivo no Pacaembu está sendo reeditado com a faixa-bônus A Volta, gravada pelo Rei para a trilha da novela América. O disco foi lançado em dezembro, mas somente era vendido com o DVD homônimo. A reedição é avulsa. COLEÇÃO. Pelo cronograma inicial da coleção Pra Sempre, chega às lojas em junho a caixa com os discos gravados nos anos 80. COLETÂNEA. Apesar do título equivocado, o disco San Remo 1968 é uma coletânea de faixas gravadas pelo Rei em compactos dos anos 60 e 70. Saiu em 1976. Terça-feira, Abril 26, 2005
Publicado em 26 de abril de 2005 - Versão impressa Arnaldo Jabor Festival de besteiras assola o país Só os profetas enxergam o óbvio, dizia o Nelson Rodrigues. Eu não sou profeta, mas vejo o óbvio ali no meio da rua, como um grande ovo, como um entulho, como um bonde parado, vejo o óbvio, um elefante dormindo, enquanto a estupidez nacional discute bobagens ideológicas e ridicularias políticas. Como dizia Sérgio Porto: festival de besteiras no Brasil. A burrice detesta o óbvio. A burrice pensa que o óbvio é pouco, que se deve buscar secretas respostas, oblíquos caminhos, enquanto o óbvio ulula em nossa frente. E a burrice comanda essa gente que está no governo. Outras doenças já tivemos: esperteza, ladroagem, oportunismo, mentiras (não que o PT no governo não as tenha em forma menos aguda, mas sua moléstia fundamental é a testa curta com idéias antigas). Essa semana ouvimos o bordão de sempre: Temos de baixar os juros. Repetido pelo vice Jose Alencar, de olho no governo de Minas, por Miguel Rosseto, amante dos campônios, e pelo Severino, valha-nos Deus... É extraordinário: a ala ignorante do governo reclama da ala sensata por causa dos juros altos. Esquecem que os juros estão altos porque eles mesmos, os queixosos, não conseguem imaginar medidas para baixá-los, pois não sabem administrar, não sabem fazer política. Erram em tudo e fica o Palocci agüentando a barra sozinho, enquanto as antas incompetentes vão roendo sua sensatez, transformando-o no inimigo para o futuro. Querem fritá-lo para diminuir sua influência, para encurralá-lo como o responsável pela paralisia nacional. A esquerda burra do PT também já lançou sua palavra de ordem no partido: demitir o Palocci, Meirelles e Jucá, como se fossem da mesma pipa. Querem fritar o Palocci para que, no segundo mandato do Lula, possam botar para quebrar tudo isso que está aí. Querem fritar o Palocci porque ele é o princípio da realidade tão odiado. Sem reeleição, o segundo mandato pode trazer um populismo vagabundo, que já tem indícios nas farmácias e comidinhas a 1 real, ridícula imitação do nefasto casal 20 do Rio. Até hoje, todas as críticas dos próprios petistas ao governo Lula, todas as diatribes dos intelectuais de esquerda (esses voyeurs inúteis da Academia) são discursos regressistas, são clamores pela volta a um modelo genuíno (com e sem trocadilho), para restaurar o verdadeiro ideário do PT: nenhuma crítica é prospectiva, em busca de novos procedimentos. O Palocci, Meirelles, Furlan, Roberto Rodrigues são a prova insuportável de sua incompetência. O lado delirante e bolchevista do governo Lula não entende que ser de esquerda no Brasil é combater o Estado gastador, destroçar a burocracia, o clientelismo, a estrutura política arcaica. Nada mais. Mas continuam disfarçados de democratas, usando os cacoetes da velha tradição comuna . Não se conformam com as soluções possíveis porque, em seu imaginário ambivalente, querem algo mas além do capitalismo e, como o socialismo no Brasil seria uma tsumani de bosta, sonham com um regime inexistente num futuro improvável (isso para os mais românticos) ou com um bom emprego vitalício, para os mais oportunistas. Só pessoas com a cabeça limpa de cânones ideológicos entendem que o Estado come a sociedade no Brasil. Come, como um buraco negro chupando luz. Isso é o óbvio que eu, pobre escriba, falo há dez anos. O Estado, ocupado pelas oligarquias e burocratas, come tudo: come a poupança pública e privada, come a Saúde. No Estado, dominado por oligarquias seculares, nosso destino apodrece. Agora, políticos em Brasília deram para falar em república, como se tudo fosse uma questão de mudança de mentalidade. Só mudanças econômicas mudam mentalidades, só reformas no Estado. O problema é que nossos dirigentes atuais não conseguem abrir mão dessa idéia centralizadora, controladora, do lugar mágico de onde viria a remissão dos pobres, de onde viria o pênis mágico de Lênin. Os esquerdistas querem ser proprietários do Estado, exatamente como os velhos oligarcas já são. Daí, a palavra nova só pode vir de pessoas que produzem, que geram riquezas para o país e que sofrem, esmagados entre o ideologismo e o patrimonialismo. Esta semana a revista Veja tem uma entrevista do empresário Jorge Gerdau Johannpeter onde brilha a simplicidade da verdade. Ele diz, do alto de sua experiência produtiva no Brasil e lá fora (tem 16 fábricas do Exterior e dez aqui): O sistema tributário brasileiro é medieval. Se você investe cem milhões para construir uma fábrica, é obrigado a recolher 30 milhões em impostos, antes de começar a produzir. Se esse investimento fosse feito em outro país, teria custo tributário zero. Esses trinta por cento de impostos poderiam ser aplicados no que interessa: aumento de produção e geração de mais empregos. Esse modelo é semelhante aos alvarás na Idade Média, onde o nobre, para dar autorização para o comerciante trabalhar, exigia o pagamento antecipado. (...) Aqui no Brasil os impostos consomem 54% do valor que adicionamos ao produto. Lá fora é 14%. (...), a necessidade de financiamento do Estado suga todos os recursos disponíveis para o crédito. Com sua divida enorme, o governo compete com as empresas e pessoas na obtenção de recursos dos bancos. Além disso, há uma tributação sobre os empréstimos que é única no planeta. Essa tributação quando existe lá fora é a mais baixa possível, para estimular os empréstimos. No Brasil é o inverso. (...) Havendo pobreza no Brasil e pouquíssimo dinheiro para investir, é um absurdo que não se faça uma revolução de gestão nos gastos públicos (...) ... o governo carrega o ônus de ter de gerenciar uma dualidade comportamental do partido. De um lado o PT apóia a gestão econômica. Do outro, a combate. É isso aí. O óbvio. Um programa que poderia ser do governo. O ululante programa. Mas o óbvio tem de ser evitado pelos burros e sonhadores. Se executassem o que Gerdau declarou, avançaríamos mais para uma república.
Nunca fui tímida Lívia Lemos posa para a Sexy e, na qualidade de ex de Ronaldo, avalia a confusão do casamento com Cicarelli Zean Bravo Quando surgiu na capa da Playboy como namorada de Ronaldo, há um ano, a vida de Lívia Lemos estava no olho do furacão. Além de lidar com a exposição de estar nua nas bancas, ela aprendeu a conviver com todo tipo de crítica e assédio por ser a loura da vez ao lado do jogador. Hoje, aos 21 anos, a apresentadora do Rolé, do canal por assinatura SporTV (Net) tira a situação de letra. Nua pela segunda vez é capa da Sexy que chega às bancas quinta-feira , Lívia lança mão do clichê e diz viver a transição de menina para mulher. Estou numa outra fase da minha vida, mais segura. A Sexy me convidava desde o ano passado e eu sempre pensando. Chegou uma hora que não tinha mais o que pensar. A grana é incrível e não vou ser hipócrita de dizer que não pesou, confessa. Aluna de Teatro do Tablado, Lívia diz que agora não conseguiria conciliar as duas carreiras. Mas teatro é importante para a vida de qualquer um, até de um advogado. Ajuda a desinibir, conta. Ela nem precisava. Nunca fui tímida, diz, rindo. Apesar de ser atirada, Lívia confessa que fica com certo frio na barriga ao pensar que estará nua de novo em todo o País. Antes da Playboy não era modelo, agora já sabia alguns ângulos. As fotos ficaram singelas, uma coisa café da manhã, diz ela, que posou em Búzios. Lívia sabe como é a pressão de estar com Renault A alegada maturidade Lívia demonstra ao falar do ex, hoje casado com a também apresentadora Daniella Cicarelli. Sei bem o que é isso, é muita pressão. Imagina ela que é esposa, resume a loura, que acompanhou todo o barraco do casamento na França à distância. Tudo mundo viu, mesmo se eu quisesse não teria como não ter ficado sabendo, diz. Para mostrar que cresceu mesmo, Lívia que já chegou a criticar Cicarelli no passado hoje refaz seus votos. Eles se amam, vão ter um bebê. As pessoas podiam deixar os dois viverem a vida deles, pede. A nudez de agora não tem nenhuma ligação com o fato de Lívia ter sido namorado de Ronaldo. Isso já passou. Cada um tem sua vida, diz Lívia, por telefone. Ela está na Bahia gravando novas edições do Rolé. Ontem, praticou rafiting e, no domingo, pulou de pára-quedas. Estou no meu terceiro ano no programa. Fico à vontade, se tenho medo eu choro e também pago mico. Danço com o povo. Aqui na Bahia já botei argila em todo o corpo e rolei na lama, diz. Solteira há pouco tempo, Lívia confessa que sempre foi de namoros longos. Namoro desde os 14 anos, mas acabei de passar por um rompimento. Não adianta me desesperar. Progresso e surfistas VIDA GANHA. Aproveito a fase e não tenho medo de ficar marcada por ter posado nua. Tenho 21 anos e sou apresentadora há cinco. Com o dinheiro da Playboy, comprei meu primeiro carro e ainda guardei. Agora, estou procurando meu apartamento. Tá bom, tudo isso na minha idade. SONHO. Minha pilha atual é o Rolé. Adoro as viagens. Agora irão ao ar os programas gravados no Havaí. Foi uma das melhores viagens da minha vida. Fiquei numa casa em frente a praia de Pipeline, com ondas perfeitas e os melhores surfistas do mundo. É um sonho realizado, diz. ASSÉDIO. Quando posei para a Playboy só falaram coisas boas para mim e o retorno foi o melhor possível, conta. CRÍTICA. A melhora é visível se você pegar meu primeiro Rolé e os de agora. Estou mais segura para encarar os atletas que entrevisto, diz Lívia. Segunda-feira, Abril 25, 2005
Original de fábrica Mulheres sem silicone tomam conta das capas da Playboy e provam que beleza natural ainda é sucesso Zean Bravo Em frente à banca, três amigas apontam a Playboy com a ex-BBB Natália Nara na capa. Ué, ela não está usando silicone!, surpreendem-se. Em época de corpos turbinados, o único retoque providenciado pela morena foi a cirurgia nas orelhas de abano. Tem mulher que já disse que depois da minha Playboy virá a moda do peito pequeno, aposta Natália, que veio na seqüência de Bárbara Borges e Ana de Biase, duas donas de curvas originais. Em maio, a revista terá outra beleza natural: a da atriz Flávia Monteiro ela só lançou mão de um aplique nos cabelos. Natália confessa que no início estranhou o convite da revista. Fiquei preocupada, pensei que as pessoas não iriam gostar. Liguei para a produtora perguntando se deveria pôr silicone. Era a Playboy e queria agradar. Quero vender e precisava encarar esse objetivo, diz ela, franca. Mulheres aprovam as curvas naturais Flávia Monteiro intensificou a malhação, mas jura que não cedeu ao apelo do silicone. Sei que vou ficar exposta um mês inteiro, mas minha preparação foi normal, conta a atriz, que se define do tipo mignon. Maiores interessados nas fotos, os marmanjos não reclamam das últimas edições da revista. É bom ver mulher de verdade. O ensaio da Bárbara Borges está entre meus preferidos. Ela é toda perfeita, empolga-se o estudante Alexandre Braga, 18 anos. Assinante da revista, o comerciante Danilo Mendonça, 24, completa: Foi bom mostrarem que não precisa ser siliconada para ser bonita. A mulherada, que gosta de olhar nem que seja para falar mal, também aprova. Assim a concorrência fica menos desleal, assume a farmacêutica Érica Pereira, 32 anos. Mas para botar lenha na fogueira, tem sempre quem reclame. Peito tem que ser grande: siliconado ou não, decreta o administrador Fernando Santos. Irretocável FOFA. Antes de posar totalmente nua, Ana de Biase estampou revistas e sites de fotos sensuais. Quando posou para o Paparazzo, divulgou-se que suas fotos não tinham nenhum tipo de retoque. A receita daquele corpão todo, ensina a loura, é simples: Corro na areia fofa, pratico capoeira e ioga. DÚVIDA. Apesar da aceitação, Natália não está 100% satisfeita. Também acho lindo seio com silicone, chama atenção. Nos meus trabalhos como modelo, não era escolhida para foto de lingerie por não ter busto. Mas tenho orgulho de não ser uma daquelas mulheres montadas. FARTURA. Este ano, até agora a única siliconada na capa da Playboy foi Luma de Oliveira, na edição de janeiro. Os seios turbinados ficam todos com a mesma forma de bola. É estranho, detona a universitária Camila de Mello Fonseca, 21 anos. Domingo, Abril 24, 2005
Suspense com Nicole Kidman e Sean Penn lidera as bilheterias americanas LOS ANGELES, 24 abr (AFP) - "A intérprete", filme de suspense estrelado por Nicole Kidman e Sean Penn, ocupou o primeiro lugar nas bilheterias americanas neste final de semana, segundo cifras preliminares. O filme dirigido por Sydney Pollack arrecadou 22,8 milhões de dólares e tirou do primeiro lugar "Terror en Amityville", que ficou em segundo com 14,2 milhões. Em terceiro, ficou o filme de aventuras "Sahara", com 9 milhões, seguido da comédia romântica "A lot like love", protagonizada por Ashton Kutcher e Amanda Peet, que conseguiu 7,7 milhões. "Kung Fu Hustle" ficou em quinto com 7,2 milhões, seguida de perto por "Fever Pitch", com 5,4 milhões. Sábado, Abril 23, 2005
Martha Medeiros 24/04/2005 Quem precisa saber escrever? Escrever bem, escrever certo, deveria ser considerado um hábito tão fundamental quanto tomar banho ou escovar os dentes Recebo e-mails de pessoas com idades e profissões diversas. Outro dia, chegou a mensagem de um sujeito muito gentil, fazendo comentários elogiosos à coluna. Cometeu alguns erros gramaticais comuns, como acontece com meio mundo, mas o que me surpreendeu foi que ele se despediu dizendo: "Desculpe por não escrever o português corretamente, mas sabe como é, sou engenheiro". O raciocínio era que se ele fosse escritor, jornalista ou professor, escrever certo seria obrigatório, mas sendo engenheiro, estava liberado desta fatura. Assim como ele, inúmeras pessoas acreditam que escrever não está na lista das cem coisas que se deva aprender a fazer direito na vida. Antes de aprender a escrever bem, esforçam-se em aprender a falar um inglês fluente, a jogar golfe e a utilizar o hashi num restaurante japonês. Escrever bem? Não parece tão necessário, já que a gente acaba sendo compreendido igual. "Espero não lhe encomodar com este e-mail, é que fasso jornalismo e queria umas dicas". O recado foi dado. É preciso dizer que não há ninguém que seja imune a erros. Todo mundo se engana, todo mundo tem dúvidas. Não conheço um único escritor que não trabalhe com o dicionário ao lado. De minha parte, sempre tenho uma consulta a fazer no Aurélio, nunca estou 100% segura, e mesmo tomando todos os cuidados, erro. Acidentes acontecem. O que não pode acontecer é a gente se lixar para a aparência das nossas palavras. Escrever bem - não estou falando de escrever com estilo, talento, criatividade, apenas de escrever certo - deveria ser considerado um hábito tão fundamental quanto tomar banho ou escovar os dentes. Um texto limpo também faz parte da higiene. Bilhetes, e-mails, cartões de agradecimento, tudo isso diz quem a gente é. Se você não sai de casa com um botão faltando na camisa, por que acharia natural escrever uma carta com as letras fora do lugar? Sábado, 23 de abril, foi o Dia Mundial do Livro, data instituída pela Unesco. Sei que todos estão carecas de saber a importância da leitura na vida de uma pessoa, mas não custa lembrar que, quem não lê, corre muito mais riscos de dar vexame por escrito, e isso não é algo a ser desconsiderado só porque se trabalha numa profissão que, aparentemente, não exige familiaridade com as palavras. Ninguém precisa ser expert, mas ser cuidadoso não mata ninguém. Meu irmão, outro dia, me escreveu um e-mail rápido para recomendar um disco e nunca vi meia dúzia de frases tão bem colocadas. Nem parecia um engenheiro. martha.medeiros@zerohora.com.br Sexta-feira, Abril 22, 2005
A Ivete é nossa De amor novo, musa baiana chega a Nova Iguaçu amanhã para fazer show em que são esperadas 40 mil pessoas Pedro Landim Um furacão de música e alegria se formou na costa baiana e, segundo os especialistas em Carnaval, vai atingir o Rio de Janeiro no fim de semana. Seu nome é Ivete Sangalo e atrás dela só não vai quem já morreu. A cantora voltou recentemente das férias e com a bateria recarregada depois de alguns dias na Disney, bem acompanhada pelo namorado Marcelo, 19 anos. Agora promete sacudir Nova Iguaçu amanhã, com um Carnaval fora de época armado no Parque de Exposições da Expoiguassú, anexo à Rio-Sampa, enfileirando todos os seus sucessos num show inspirado no CD/DVD MTV Ao Vivo. Poderosa e prestes a embarcar para a Europa, onde fará o circuito dos grandes festivais, como Montreux, dividirá um grande evento com Lenny Kravitz, em Portugal e acabará levantando poeira no Japão. Mas Ivete não vê a hora de reencontrar o público carioca. Tenho intimidade com a galera do Rio. Somos cúmplices na alegria e será mais um show inesquecível, diz a musa. De Carro Velho a Festa, passando por Flor do Reggae até a versão de Chupa Toda, Ivete vai fazer a alegria dos fãs na Baixada. Fui dar um tapa na orelha do Mickey Prestes a partir para um giro europeu, renovada pelas férias e feliz com o novo romance, Ivete não pára. Terça-feira, depois de gravar uma chamada de TV para o show que fará em Portugal, dividindo a noite com Lenny Kravitz, a cantora foi direto para sua academia particular em Salvador. Malhou por uma hora e saiu para jantar com amigos num restaurante japonês à beira-mar. Entre sushis e sashimis, falou com O DIA pelo telefone sobre a apresentação em Nova Iguaçu e o amor que tem por seu trabalho no palco. O DIA Qual sua expectativa em voltar ao Rio de Janeiro para um show onde são esperadas 40 mil pessoas? IVETE Muitas vezes me perguntam se estou em meu melhor momento e posso dizer que sempre tive melhores momentos no Rio. Tenho uma relação bonita com os fãs, que vão aumentando com o tempo. Sou tendenciosa mesmo, sempre digo aos meus empresários que tem pouco Rio de Janeiro em minha agenda. E como foram suas férias? Podemos dizer que a bateria está recarregada? Fui dar um tapa na orelha do Mickey e descansei (risos). Mas não desligo nunca. Vejo uma parada musical na Disney, ou um musical da Broadway, e já começo a ter idéias, pensar em coreografias. Gosto muito do meu trabalho, que é uma associação de prazeres. Já imaginou, milhares de pessoas no mesmo local, todo mundo feliz, gostando das mesmas coisas? E como será sua turnê pela Europa? Você e o Lenny Kravitz cantarão juntos em Portugal? Você já conhece o astro? Marcamos um jantar para nos conhecermos, acho muito bacana a música dele. Será uma noite com dois shows separados, mas se ele ficar a fim de tocar junto comigo, será maravilhoso. Quem sabe? E o Japão, será seu primeiro show do outro lado do mundo? Rapaz, vou comprar tanta muamba (risos). Nunca estive lá e sei que a música brasileira é um sucesso total naquela terra. Acho que vão entender minha música. Quando existe a intenção forte e o sentimento, é fácil captar o espírito da coisa. O Marcelo, seu namorado, viajará com você para a Europa? Aí você já está querendo saber demais.Essas coisas eu não falo, não. Mas o coração vai bem, obrigada. EXPOIGUASSU. Rodovia Pres. Dutra Km 177 (2667-4662), Nova Iguaçu. Abertura com trio elétrico e a banda Brilho da Bahia e os DJs Lutcho, Mazza, Wanberson e Spock. Amanhã, às 21h. Ingressos R$ 50 e R$ 60. Mei-entrada para estudantes. 16 anos. Quinta-feira, Abril 21, 2005
Jayme já tem dono Diretor afastado de América é convocado por Manoel Carlos para dirigir sua próxima novela Marcelle Carvalho A tsunami que atingiu a vida profissional do diretor Jayme Monjardim, culminando na saída dele, do front de América, há dez dias, já passou. O diretor, que está de férias em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, já foi escalado para comandar a próxima novela de Manoel Carlos, que tem estréia prevista para junho do ano que vem antes, no lugar da trama de Glória Perez, será exibida Belíssima, de Silvio de Abreu. Autor diz que Jayme quase dirigiu Presença de Anita Ao ser perguntado sobre a dobradinha, Jayme ainda foi cauteloso. Se for verdade, vou ficar muito feliz. Então, o diretor pode sorrir, porque o martelo já está batido. Sempre que Jayme e eu nos encontrávamos, conversávamos sobre a possibilidade de fazermos uma dobradinha. Quando ficou decidido que a minha novela só entraria em junho do ano que vem, pedi ao Mário Lúcio Vaz (diretor geral artístico) que me desse o Jayme para dirigir. Quando aconteceu a saída dele da atual novela, o convite tomou uma forma objetiva. E definitiva, garante Manoel Carlos. Por pouco a parceria entre autor e diretor não aconteceu na minissérie Presença de Anita. Chegamos a fazer algumas reuniões com o Daniel Filho, na época o responsável pela teledramaturgia na Globo. O Jayme leu os 16 episódios, ficou entusiasmado e chegamos a conversar muito sobre o assunto, esboçar uma escalação. Mas acabou não rolando. Adiamos nosso encontro, que agora, finalmente, se realiza, exulta Maneco. Apostando em Jayme, Maneco deixa uma parceria com o diretor Ricardo Waddington, que vem desde 1995, com os trabalhos História de Amor (95), Por Amor (97), Laços de Família (2000), Mulheres Apaixonadas (2003) e Presença de Anita (2001). Minha parceria com o Ricardo foi perfeita e muito feliz. Mas agora apareceu a oportunidade de trabalhar com o Jayme e isso me animou muito, porque mudar de parceiro é também estimulante, traz um novo gás, oxigena o projeto, afirma o autor. Aids será aboradada na trama DIVERGÊNCIA. Ao contrário do que aconteceu entre o diretor Jayme Monjardim e a autora Glória Perez, Manoel Carlos afirma nunca ter passado por isso. Mas acha que a solução foi perfeita para os dois lados. Costumo dizer que uma novela é um boeing. A tripulação tem que estar coesa, unida, para que os passageiros viagem em segurança. O Jayme fez bem em pedir para sair, se havia um descompasso entre ele e a autora, analisa. AIDS. Em sua próxima trama, Maneco pretende flertar, mais uma vez, com a polêmica, ao falar sobre a Aids. Já era para eu ter abordado o tema Aids em Mulheres Apaixonadas, mas não fiquei satisfeito com a solução que encontrei na ocasião. Então, deixei para enfocar o assunto agora, quando me sinto mais preparado. Minha pesquisadora, Leandra Pires, está mergulhada no tema desde que terminamos Mulheres, diz Maneco. PREOCUPAÇÃO. O que me preocupa na Aids, neste momento, é que as pessoas baixaram a guarda, relaxaram outra vez, como se o perigo tivesse passado. A descoberta de novas drogas levou as pessoas a esse descuido. Também por causa da incidência maior entre mulheres, inclusive as casadas, por serem infectadas pelos maridos. E também o número de crianças vítimas de Aids, por herdarem da mãe o vírus, explica o autor. Confusão DESAVENÇAS. Os desentendimentos entre o diretor Jayme Monjardim e a autora Glória Perez tinham começado antes mesmo de a novela estrear. Ele queria Camila Morgado no papel de Sol, Glória bateu o pé por Deborah Secco. Em contrapartida, a autora queria que a música de abertura fosse Soy Loco por Ti América, na voz de Ivete Sangalo, mas acabou ficando Órfãos do Paraíso, com interpretação de Milton Nascimento para composição de Marcos Viana, produtor musical, parceiro de Jayme há 15 anos. As coisas se agravaram com a atuação sussurrante e chorosa de Deborah Secco, a falta de química entre os protagonistas e a interpretação gritada de alguns atores. FILME. A novela é um dos projetos de Manoel Carlos. O simpático autor ainda está envolvido no roteiro para o cinema de Presença de Anita. Terminei um primeiro tratamento, mas tive que dar uma parada, já que a Globo me pediu que antecipasse em dois meses a entrega da sinopse da minha próxima novela: de 5 de agosto para 5 de junho. Agora, a continuidade desse trabalho vai ficar para mais tarde. Só aí veremos locações e elenco, avisa Maneco. PEÇA. Além da novela e do filme, Maneco também estará no teatro. Sua peça Off, escrita desde 1998, quando ele terminou Por Amor, finalmente será encenada. Os ensaios começaram em abril, trazendo no elenco Natalia Thimberg, Paulo César Peréio e a Claudia Mauro. Deve estrear durante as férias, em junho, que é um mês bom para o teatro aqui no Rio, conta ele. Quarta-feira, Abril 20, 2005
Em movimento Jovem Guarda comemora seus 40 anos indo onde o povo está, com série de show populares nos Sescs Pedro Landim O Tremendão garante que já ouviu falar de um menino batizado de Wanderasmo mistura de Wanderléa com Erasmo. Faz sentido. Seria apenas mais um entre os milhões de herdeiros da onda de guitarras elétricas e roquenrol que inundou para sempre a música brasileira nos anos 60. Cultivando fãs através das gerações, a Jovem Guarda comemora quatro décadas em 2005 e seus ídolos estão prontos para subir no Cadillac: o show 40 Anos de Jovem Guarda vai percorrer a rede Sesc reunindo The Fevers, Golden Boys, Wanderléa e Erasmo Carlos a preços populares R$ 8 e R$ 4 para comerciários. Erasmo pede música de fundo na hora de fotografar Não parece que foi ontem, parece que foi hoje, diz Erasmo, o tal Tremendão, sobre a explosão do movimento em 1965 num programa de TV comandado por ele, Roberto Carlos e Wanderléa. O público nunca deixou de comemorar a Jovem Guarda. Nossos fãs ainda têm aquela clima de pular, rasgar as roupas, chorar, resume Wanderléa. E compara, com palavras que explicam o apelido de Ternurinha e arrancam aplausos de todos os ícones presentes na entrevista: Foi uma semente que plantamos e só recebemos carinho e amor. Na hora de fotografar, Erasmo pediu música no estúdio, e o hino É Preciso Saber Viver, parceria dele com o Rei Roberto, deixou todo mundo sorrindo, cantando e balançando as cabeças, quase todas brancas. Embora pareça que grupos como os Golden Boys e os Fevers estejam fora do mercado, praticamente não há espaço em suas agendas de show pelo Brasil afora. A Jovem Guarda não pára de tocar nas rádios do País, os ouvintes pedem, diz Roberto Corrêa, um dos três irmãos dos Golden Boys. E Wanderléa conclui: Será maravilhoso cantar para um público popular, que não pode ir às casas chiques. Pois é. De repente, até Wanderasmo pinta na platéia. Os herdeiros ATUAL. Erasmo elege Jota Quest e Skank legítimos herdeiros do movimento e Luiz Cláudio, dos Fevers, afirma sobre os Los Hermanos: Anna Júlia é pura Jovem Guarda. INÍCIO. Em 1965, a Record foi proibida de exibir futebol aos domingos e criou o programa de auditório Jovem Guarda, comandado pelos jovens Erasmo Carlos, Roberto Carlos e Wanderléa. A música brasileira nunca mais seria a mesma. MÚSICAS. No repertório dos Fevers não faltará Mar de Rosas; os Golden Boys cantarão Erva Venenosa; Erasmo vai mandar Gatinha Manhosa e Wanderléa, Prova de Fogo, entre outras. ONDE. Neste fim de semana haverá shows nos Sescs São Gonçalo (sexta), Madureira (sábado) e São João de Meriti (domingo). Ingressos a R$ 8 e R$ 4 (comerciários, estudantes e maiores de 65 anos). Discos aos montes A Jovem Guarda está nas lojas em lançamentos como a caixa com cinco CDs 30 Anos de Jovem Guarda e o CD Um Barzinho, Um Violão (Universal), reunindo grandes da MPB, e também numa caixa box com 16 CDs do grupo Renato e Seus Blue Caps (Sony/BMG). Os Golden Boys planejam lançar seu Acústico, Wanderléa e Fevers estão com CDs novos na praça e Erasmo, ídolo de 10 entre 10 artistas da MPB e do rock, assina a abertura da novela A Lua Me Disse, com Lero Lero. Terça-feira, Abril 19, 2005
Crocante e macia Wanessa Camargo diz que está mais madura, faz todas as letras do novo CD e se anuncia encalhada e felizPedro Landin No silêncio da madrugada, Wanessa Camargo escreve em seu diário: Esse ano eu vou deixar o bolo assar até ficar crocante por fora e macio por dentro. E revela sintomas introspectivos: tem pintado quadros abstratos, esculpido no barro, corrido na chuva e devorado quilos de chocolate. No paredão do BBB entre Pink e Jean se derramou no Atlântico de tanto chorar. E pensou em fazer meditação para desligar sua tomada de 220 volts. Depois contou tudo isso na internet. Ali, na grande rede, a vida de Wanessa é um blog aberto. Cantora fez todas as letras do seu novo CD Me mostro sem máscara, câmera ou intervenção, diz Wanessa, por telefone. Escrevo coisas que nem sabia sobre mim. É como desabafar com alguém. São filosofias, risadas e lições. Transbordando em palavras, Wanessa fez todas as letras do novo CD, ainda no estúdio. Aos 22 anos a bela tem se dedicado às amigas e à família. Passou Carnaval, Réveillon e Páscoa com Zezé, Zilu e companhia. No momento não quero vida a dois. Primeiro vou me apaixonar por mim, afirma a ex de Dado Dolabella. E se diverte com as falsas Wanessas do Orkut site de relacionamento na internet. Lá, ela foi incluída na comunidade As encalhadas. Estou encalhada e feliz. Na minha idade, um mês sem beijar já é encalhe, né? Nas madrugadas, as noitadas da cantora têm dado vez a novas descobertas: Nunca tinha ido ao supermercado. Fui às 3h e amei. Só comprei besteiras como 30 barras de chocolate, diz a chocólatra assumida, sem pudor. Estou que nem adolescente, com espinhas. Para manter a forma, Wanessa malha quatro vezes por semana. E garante que a felicidade está próxima: Se tirar o bolo antes ele não terá sabor. Mas na hora certa ficará gostoso. CANTORA JÁ VENDEU 1 MILHÃO O quarto CD de carreira de Wanessa, o mais autoral, será lançado em junho. Além das letras, ela fez a maioria das músicas. Pela primeira vez consegui me acompanhar no piano, revela. De férias do palco, chamou seu guitarrista Mello Junior para o estúdio. Eu digo: bota aí qualquer nota e começo a criar. No CD, Wanessa trabalhou com os músicos Apollo 9 e Zé Gonzales, do Planet Hemp, queridos de modernos como Otto e Bebel Gilberto. Bateu de cara. Quero eles para o resto da vida, diz. Há uma parceria com o pai, Zezé, no estilo Cat Stevens, e outra especial: Define minha busca pela paz. As pessoas vão entender tudo. Wanessa já vendeu 1 milhão de CDs. DETALHES DICAS. No blog, Wanessa dá dicas de combate ao estresse e garante que testou todas. Pintei e fiz argila, mas minhas peças são toscas, diz. Há conselhos como dançar de forma esquisita, fazer guerra de travesseiros e dar risadas altas e ridículas em lugares lotados. VARIEDADES. Ela também aborda temas políticos como o Tratado de Kyoto e o assassinato da irmã Dorothy. E propõe discussões leves como abdução por ETs e controle da mente. SUCESSO. Mesmo pessoas que não gostam da minha música escrevem elogiando, surpresas com o blog, comemora. CONSELHO. Para viver intensamente, ela aconselha : Prestem muita atenção nos detalhes: no cheiro, no sabor, na vista, no toque, nas palavras. ROUBO. História divertida é a de quando ela e uma amiga levaram golpe de uma velha no Uruguai e perderam 100 dólares para a cigana de araque. OPINANDO. Os fãs deixam média de 200 comentários no blog quando Wanessa escreve. Tento ler tudo, mas geralmente paro nos 50, confessa. PÓDIO. O blog (http://www.wanessa.camargo.blog.uol.com.br) está entre os finalistas do prêmio iBest, categoria Celebridades. Segunda-feira, Abril 18, 2005
Mamma mia! Miguel Magno promete roubar a cena em A Lua me Disse, que estréia hoje, como Dona Roma, homem que se veste de mulher mas, acreditem, não é gay Ana Lúcia do Vale O público vai poder reclamar de tudo em A Lua Me Disse, que estréia hoje às 19h na Globo. Menos de tédio. A começar pelo estranhamento que o personagem de Miguel Magno vai causar. De peruca encaracolada, roupas anos 50 inspiradas, segundo ele, na atriz italiana Gina Lollobrigida, fará voz agudíssima e jeito de velhinha metida que investiga crimes dos livros de Agatha Christie. Ôpa, velhinha? É uma novela com a visão alterada das realidades, ri Magno, acostumadíssimo a se vestir de mulher em teatro. Já sou praticamente um travesti, brinca o paulistano de 54 anos. Na novela de Miguel Falabella e Maria Carmen Barbosa, Magno será Amoroso Valentin, que desde pequeno se veste de mulher e assume o nome de Dona Roma, comandando sua pensão de vagabundos. A personagem saiu modificada da peça Síndromes Loucos Como Nós (2003), também da dupla de autores. Mas na peça, Magno era mulher. Na TV, só não tem enchimento, nem peito, nem bunda. Desconfio que ela seja uma intelectual, tripudia. Personagem se veste de mulher desde menino Dona Roma não é travesti, drag queen ou afins, garante o ator. Para explicar sua condição na TV Ela não vai ter sexualidade, será quase anjo , D. Roma é praticante de cross dressing, tipo o Ed Wood do filme, macho à beça que não resistia a casaco de pelúcia. Na peça, eu era velhinha mesmo. Mas TV não admite falcatrua. Então, se leva para o caricato, para a alta comédia, promete ele, explicando. O Amoroso tem o costume bizarro de se vestir de mulher. Muitos pensam que é fetiche, mas é mania, exposição. Tem vários clubes por aí. Sei de casos de homens que têm muito prazer em se vestir assim, garante o ator. Magno é um dos pais do besteirol, junto com o próprio Falabella. Fez oito novelas, teve sua fase de desbundes que não se orgulha muito Na época de Ana Raio e Zé Trovão chafurdei nas drogas, foi muito triste , sabe que pode não ser reconhecido debaixo de tanta roupa Não sou o Ney Latorraca , mas aposta na Roma. Se ela for amada, cresce. Se não, desaparece. Novela é assim. Piadinhas até na Globo MONTADAS. Adoro a Rogéria e a Eloína, são seres fantásticos porque têm coragem de se vestir assim. A aceitação do homossexualismo é difícil ainda. Sinto isso quando me monto para gravar e ouço nos corredores da Globo várias piadinhas de mau gosto, conta Magno. BESTEIROL. Miguel Magno escreveu e montou em 1979 com Ricardo Almeida filho do novelista Manoel Carlos, falecido em 1988 o marco zero do besteirol: Quem Tem Medo de Itália Fausta?. Até hoje, a peça está em cartaz, com Eduardo Martini e Marcos Oliveira, o Beiçola de A Grande Família, com esquetes sobre a atriz italiana. EXPERIÊNCIA. Em Quem Tem Medo de Itália Fausta?, Magno fazia 11 mulheres. Também vestiu saia para Os Filhos de Dulcina e até em uma paródia de Hamlet, em que era a Rainha Gestrudes e Ofélia. Na novela Dona Anja, do SBT, foi o sacristão Neca, que acabou rebolando de batom no bordel da protagonista vivida Lucélia Santos. Já fui até a Hebe, numa paródia do Armação Ilimitada, relembra. Domingo, Abril 17, 2005
Amor e humor Adriana Esteves é a mocinha de A Lua me Disse, novela das sete que estréia amanhã investindo na comédia, marca de Miguel Falabella Marcelle Carvalho Com uma carinha bem romântica e leve tombar de cabeça para o lado, a atriz Adriana Esteves confessa seu incurável romantismo. Adoro contar história de amor, falar e fazer romance. Aquela coisa do amor, o coração que bate, isso tudo gosto de contar. Acho que se eu fosse uma atriz americana, iria fazer comédia romântica no cinema, afirma Adriana, 34 anos, que será a mocinha Heloísa na novela novela das sete, A Lua me Disse, que estréia amanhã na Globo. Supermercado O Frango com Tudo Dentro é cenário Fã também do gênero de humor, a atriz estará como bem gosta na trama. Afinal, na história de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, sua personagem vai unir o romance à comédia marca da dupla de autores, que investem num universo colorido, com figurinos exagerados, cenários mirabolantes e uma trama para lá de popular. Basta dizer que um dos núcleos de personagens é um supermercado chamado O Frango com Tudo Dentro, concorrente de O Peru do Papo Gordo. Eu me sinto bem trabalhando com os dois gêneros, resume ela, que tem uma superstição curiosa: não gosta de falar sobre a personagem. Prefiro não falar dela antes do quarto mês de novela no ar. Porque novela é feita junto com o público, ele gostando ou não as coisas vão sendo mudadas, tenta explicar. Na trama, o coração da personagem de Adriana baterá por dois homens: Marcos Pasquim, o misterioso Tadeu, e Wagner Moura, o tímido Gustavo. Engraçado é que, na vida real, Wagner é amigo do namorado de Adriana, o ator Vladimir Brichta. Conheço Wagner do cinema e por causa do Vladimir. Mas não penso que estou beijando o amigo do meu namorado, afirma a atriz. Gostei da química entre os personagens. Estamos trabalhando pela primeira vez juntos e a coisa está funcionando. Acho que o casal vai pegar, aposta. Com Pasquim, a intimidade já é antiga eles formaram casal em Kubanacan. Eu e o Pasquim tivemos afinidade imediata, afirma Adriana. Apesar de viver um triângulo amoroso na ficção, a atriz não sabe direito como Heloísa vai lidar com essa situação. Está certo que os dois a atraem, mas acho que o grande amor de Heloísa é o Gustavo, comenta Adriana. Apesar de ser a mocinha, Heloísa não é sofredora. Ela arregaça as mangas e vai à luta, afirma Adriana. Sábado, Abril 16, 2005
Martha Medeiros 17/04/2005 O melhor de dois mundos "Não se pode ter tudo", é o que crescemos escutando, enquanto que uma outra voz, interna e ininterrupta, questiona: "Por que não?" Queremos ser maduros. Saber como agir, ter uma vida bem resolvida, colecionar idéias sensatas, ser emocionalmente equilibrados... e ao mesmo tempo ter a pureza dos 17 anos, nenhuma responsabilidade nos acorrentando, arriscar-se em projetos incertos, realizar sonhos sem garantia de sucesso, vagar por um mundo de descobertas. Queremos ter um amor pra sempre, família e filhos. Atender às expectatitvas da sociedade, sentir-se quite com o que esperam da gente, experimentar essa que é uma vivência de quase todos... e ao mesmo tempo estar disponível para paixões inesperadas, rejuvenescer-se através do sexo e do encantamento, não ter como prioridade outra coisa que não seja a liberdade de ir e vir. Queremos nos dedicar a uma profissão e nela ser bem-sucedidos... e ao mesmo tempo fazer cursos que nada têm a ver com a atividade que escolhemos, fazer teatro, aprender um instrumento, estudar um idioma fora do país. Queremos segurança... e saltar no abismo de braços abertos. Então superlotamos os consultórios dos psiquiatras, sustentamos o mercado de antidepressivos, lotamos as mesas de bar, buscamos no cinema, na literatura, na música, nos museus, na arte, em geral, algo com que possamos nos identificar, que dê sentido à nossa angústia, que minimize a solidão provocada por este nosso aparente desajuste. "Não se pode ter tudo", é o que crescemos escutando de nossos pais, de nossos amigos, enquanto que uma outra voz, interna e ininterrupta, questiona: "por que não?". Excetuando-se agruras realistas e nada românticas (falta de emprego, falta de dinheiro, falta de comida), o que atormenta o ser humano "realizado" é a falta de permissão para que ele transite no melhor dos dois mundos: tanto o mundo dos ajuizados, que nos recompensa com a paz de espírito, como no mundo dos franco-atiradores, dos que caçam emoções, dos que não se conformam com o bê-á-bá do bom comportamento, e que paz nenhuma oferece, apenas instabilidade, risco e prazer. Estando do lado de cá do rio, a outra margem parece muito mais atraente. Com um tremendo esforço e desprendimento, nadamos até o outro lado para constatar que as novidades também envelhecem, e todo passado deixa saudade. Voltar? Ficar? O que é que acalmará de vez nosso tumultuado espírito, nossa urgência de vivenciar todas as possibilidades que se apresentam? Ainda está para nascer quem não vacile diante de uma encruzilhada e, diante da escolha feita, não a repense, silenciosamente, a cada manhã. martha.medeiros@zerohora.com.br Um ótimo domingo a todos nós, ainda mais que a previsão aqui na Capital mais ao Sul deste Brasil será de muito sol e de céu azul.
Diogo Mainardi Oposicionistas de poltrona "Vim pedir instruções a um notório golpista Millôr Fernandes. Ele já derrubou um governo. O dos militares. Agora pode me explicar como derrubar o dos petistas" Quero derrubar o governo. Só não sei como. Vim pedir instruções a um notório golpista Millôr Fernandes. Ele já derrubou um governo. O dos militares. Agora pode me explicar como derrubar o dos petistas. MILLÔR EU NÃO DERRUBEI GOVERNO NENHUM. A prova de que ele derrubou o governo é a revista Pif Paf, que acaba de ser republicada pela editora Argumento. Millôr a lançou imediatamente depois do golpe, em maio de 1964, decretando que "Todo homem tem o direito sagrado de torcer pelo Vasco na arquibancada do Flamengo". Pela minha reconstrução, Pif Paf não apenas derrubou o governo militar, como o derrubou sozinha. MILLÔR NÃO É VERDADE. O último número da Pif Paf é de agosto de 1964. Está lá, na contracapa: "Se o governo continuar deixando que circule esta revista, dentro em breve estaremos caindo numa democracia". O que fez o governo? Não percebeu a cilada e fechou a revista. Pif Paf tirou a ditadura do armário. Com a ditadura fora do armário, ficou mais fácil enfrentá-la. MILLÔR A DITADURA AINDA DUROU MUITO TEMPO. A TV do estúdio de Millôr está ligada, sem volume, num filme sobre alpinistas no Himalaia. Ele fala de sua admiração por aventureiros. Relembro que em "Aventureiros de poltrona", na Pif Paf número 4, ele sonha ser esquiador, balonista, caçador de leões, automobilista e presidente da República, mas, no fim, se contenta em não fazer nada, indo apenas "de casa pro trabalho, do trabalho pra casa". Sentados em seu estúdio, somos dois oposicionistas de poltrona, que sonham em derrubar o governo. MILLÔR LULA VISITOU A CATEDRAL DE ASSIS. O QUE ELE SABE SOBRE GIOTTO, CIMABUE, BEATO ANGELICO? A IGNORÂNCIA DELE JÁ FICOU ESTABELECIDA, MAS NÃO É PELO RIDÍCULO QUE ELE VAI CAIR. Meu mestre é um conspirador dispersivo. De Giotto, Cimabue e Beato Angelico, ele desvia sua atenção para João Paulo II. Abre a Enciclopédia dos Espiões e me mostra o trajeto de Ali Agca da Turquia à Itália, onde cometeu o atentado contra o papa. Peço para ver em primeira mão seu último trabalho, uma colagem da figura de João Paulo II sobre o quadro O Grito, de Edvard Munch (veja na pág. 40). Elogio seu extraordinário talento artístico. Ele aproveita para comentar a biografia de Saul Steinberg, e faz uma pausa para atender o técnico do computador. Quando volta à poltrona, o assunto é Veneza, e de Veneza vai direto para Goldoni, e de Goldoni para Molière, que ele traduziu. Tento retomar o tema do nosso encontro. Depois de duas horas de conversa, ainda não sei como derrubar o governo. MILLÔR É SIMPLES. É SÓ INVESTIGAR A ORIGEM DO DINHEIRO. O dinheiro do partido? MILLÔR DESCONFIO SEMPRE DE TODO IDEALISTA QUE LUCRA COM SEU IDEAL. A essa altura, estamos num restaurante. Ele conta que é feliz. Eu conto que sou feliz. Dá empate em matéria de felicidade. Volto para casa. Antes de dormir, penso em Pif Paf, Cimabue, fundos de pensão e CPI do Banco Santos. Sexta-feira, Abril 15, 2005
Que boquinha É só América começar e Deborah Secco está de lábios entreabertos. Como nove entre dez modelos nas revistasZean Bravo Com algumas mudanças em curso, América não terá mais uma sussurrante Deborah Secco. Mas a boquinha levemente entreaberta, ponto marcante na atuação da atriz, dificilmente sairá de cena. Pelo contrário. A expressão está em todas as bocas. Basta parar em frente a uma banca de revistas para ver modelos e atrizes estampando a maioria das publicações com a mesma cara. Essa boca é fundamental para atrair, é puro apelo sensual, diz o fotógrafo Mauri Granado. Ele diz que pede a expressão quando fotografa musas como Sheila Mello. Se você não sabe dirigir a modelo, a boca não fica legal, frisa Mauri, que ensina seu método: É uma boca molhada, como se tivesse acabado de passar a língua. Primeiro você dá uma mordida forte e prende os dentes. Depois solta o lábio inferior. Parece loucura, mas funciona. Símbolo sexual dos anos 70 inspirou a boca Ex-coreógrafo do concurso Panteras, Zé Reinaldo se inspirou em Rose Di Primo, símbolo sexual dos anos 70, na hora de passar adiante a boquinha. Em todos os meus trabalhos as mulheres faziam essa boca. Não são todas que sabem e podem fazer, ponderá Zé. Monique Evans e Cristina Mortágua arrasam. Dessa geração a Deborah Secco e a Ana Hickmann fazem a boca maravilhosamente bem. Já a Gisele Bündchen não faz esse gênero, compara. Manter o carão sensual requer alguns truques: Pense como se tivesse sol forte. Aperte o olho e deixe a boca entreaberta. Quem olha pensa que a cara é normal, mas elas ficam todas truncadas. Para a psicóloga Lulli Milman, a boquinha das revistas tem intenção óbvia. Inspirar desejo. Todas as revistas foram aplayboyzadas, vendem sedução, diz ela, que vê significado até nos dentes à mostra. É aquela coisa de agredir no sentido sensual, do desejo irresistível de abocanhar, concluiu. Quinta-feira, Abril 14, 2005
Garotos perdidos Malhação chega aos 10 anos com mudanças de rumo para contornar crise na nova temporada Zean Bravo Em tempos de crise nas novelas da Globo até a estabelecida Malhação chegou perto de apertar o botão de pânico. Depois de atingir sua melhor audiência e marcar 42 pontos em outubro de 2004, a trama passa por adaptações para não ficar abaixo dos 30 pontos em sua atual temporada a média agora é de 31. O Ibope caiu dez pontos na semana do Carnaval e houve mudanças. Mas a estrutura da trama é a mesma, reconhece o protagonista da trama, Thiago Rodrigues. Existe certa rejeição depois de uma fase de sucesso, mas já recuperamos o Ibope, conta o ator, que vive o drama de engravidar a amiga da menina por quem é apaixonado. Diretor de núcleo da novela, Ricardo Waddington minimiza o problema. O que acontece é que os atores começam verdes. Malhação trabalha com elenco jovem que precisa se adaptar, diz Ricardo, apontado nos bastidores como substituto de Jayme Monjardim em América. Ricardo Hofstetter, supervisor de texto do programa, diz que todo começo de fase necessita de tempo para emplacar. Não há motivo para alarde. Foram dois dias de audiência baixa, o que não chegou a preocupar. Ele fala dos ajustes: Isso é normal em novela. Se um casal está bombando a gente investe mais nele. Na Malhação o núcleo de humor também é importante. O ideal é ter duas tramas de humor rolando, diz o supervisor, que precisou adiar a transformação de Jaque (Joana Balaguer), a menina grávida, em vilã. Vai acontecer mais para frente. Parte do núcleo do humor, Daniele Suzuki, a Miyuki, aponta mais mudanças na trama. Ficamos uns dois dias sem gravar por causa destas modificações. A república tinha ficado séria, a história da Betina (Fernanda Vasconcellos, uma das protagonistas) estava desenrolando lá. Mas com a chegada do Charles Paraventi teremos mais situações engraçadas, diz. Daniel Erthal, o Léo, que faria par com Betina, terá agora outro destino. Eles ficaram muito amigos para serem namorados. Estamos nos adaptando às mudaças, conclui o ator. ALTOS E BAIXOS DA NOVELINHA Malhação estreou em abril de 1995 mostrando o cotidiano de uma academia de ginástica marcava média de 25 pontos de audiência no primeiro ano de exibição. A maior crise no histórico da atração foi em 1998, quando a trama passou a ser interativa o público conversava ao vivo com os atores num estúdio e o Ibope patinou nos 15 pontos. Em 1999, já com a fórmula desgastada e a audiência despencando, a novelinha foi reformulada. O cenário principal passou a ser o colégio Múltipla Escolha e temas como gravidez na adolescência e uma menina contaminada pelo vírus da Aids entraram em cena. Debates sobre drogas ficaram mais freqüentes. No ano passado, Letícia (Juliana Didone) foi a primeira menina pobre protagonista da trama, que marcou média de 34 pontos de audiência com o sucesso do grupo Vagabanda. Ponta de lançamento da emissora, Malhação revelou gente como Priscila Fantin, Erik Marmo, Cauã Reymond e Maria Flor. A ATUAL FASE ROLOU. O namoro de Bel (Laila Zaid) e Downlond (Wagner Santisteban); o amor bandido entre Natasha (Marjorie Estiano) e João (Java Mayan); a agitada trama dos bad boys, ainda mais em foco com a chegada de Urubu (Marco Antônio Gimenez); NÃO ROLOU. A falta de experiência de Joana Balaguer que encara o difícil drama da gravidez adolescente; a falta de uma vilã que apronte todas no triângulo amoroso principal; o mal aproveitamento de atores como Paulo Betti e Cristiana Oliveira. Quarta-feira, Abril 13, 2005
13 de abril é o dia do beijo. Pratique! Já beijou hoje? Se não, ainda está em tempo. Dia 13 de abril é o Dia do Beijo e para comemorar a data nada melhor do que distribuir beijos para as pessoas que você gosta ou encher uma pessoa especial de beijinhos. Há alguém que não goste de receber ou de dá-los? Quem já experimentou, quer repetir. Quem nunca sentiu na boca a boca de alguém, em geral, quer sentir o quanto antes. Não há o que estranhar. Tem coisa melhor que um beijo? Além de movimentar 29 músculos, sendo que 17 músculos são da língua, queimamos calorias e liberamos um hormônio chamado serotonina, que eleva o humor e produz uma sensação de bem-estar e felicidade. Manifestamos afeto e conhecemos intimamente uma pessoa quando a beijamos na boca. Sentir o gosto de alguém não é pouca coisa. Em uma época que é prática comum entre os beijoqueiros de carteirinha beijar primeiro e conhecer o dono da boca depois ou mesmo competir com amigos para ver quem beija mais em uma balada, quem tem o privilégio de ver o mundo desaparecer durante alguns segundos, sabe valorizar um bom beijo. Um beijo nunca é igual ao outro. Nem mesmo beijando a mesma pessoa. O beijo bom vem da prática e da intimidade. Não há regras e mesmo que elas existissem, ninguém se lembraria na hora H. Portanto, aproveite este finalizinho de quarta-feira para "beijar muito". Vale qualquer tipo de beijo para comemorar: de língua, selinho, no rosto, roubado, de amor. Beijo de irmão, de amigo, de pai e de mãe. Está esperando o que? Pratique!
Deus salve 'América' Jayme Monjardim desiste do cabo-de-guerra com a autora Glória Perez e abandona direção da novela Marcelle Carvalho Com apenas 26 capítulos exibidos, a novela América já enfrenta uma pesada crise: a saída de Jayme Monjardim da direção da trama. O estopim da crise foi a sussurrante Sol de Deborah Secco: Monjardim queria Camila Morgado (sua Olga no cinema e May na novela) no papel, mas a autora, Glória Perez, bateu pé por Deborah. Depois, Glória viu a Sol que ela descrevia na sinopse como uma mulher alegre e vibrante se transformar numa personagem macambúzia e tristonha. Segundo pessoas ligadas à produção de América, Glória já havia comentado que ficava incomodada ao assistir à novela, porque o que via na TV não era o que havia escrito. Segunda-feira o diretor geral artístico da emissora, Mário Lúcio Vaz, se reuniu com a autora e depois com Jayme, que decidiu sair. Alvejada por críticas, Deborah Secco justifica o jeito sussurrante de interpretar. Segundo ela, só estava seguindo orientação da direção. Sobre a saída de Jayme, a atriz diz que foi pega de surpresa e que sempre se deu bem tanto com Glória quanto com Jayme. O pedido de desligamento do diretor foi comunicado ontem e o motivo alegado foi a incompatibilidade entre ele e a autora na condução da novela quem assume é o diretor geral Marcos Schechtman. Não é a primeira vez que algo do tipo acontece: em Renascer, Benedito Ruy Barbosa queria Luciana Braga para o papel de Mariana. O papel acabou ficando com Adriana Esteves, que foi massacrada por público e crítica, e teve depressão. Alguns atores foram informados da situação pela reportagem do DIA. Bete Mendes, que interpreta a imigrante Dona Fátima, quase perdeu a voz: O quê? Mas é oficial? Estou em choque, afirmou ela. Outra que ficou atônita foi Samara Felippo, a breteira Detinha. É triste. Não por causa de quem vai dirigir, mas é o Jayme, né? É uma pena isso ter acontecido. Apesar da voz tranqüila, o ator Paulo Goulart, que interpreta Mariano, ficou alguns segundos sem saber o que dizer. Estão mudando o técnico. A gente lamenta, mas temos que tocar o barco. E o Marcos (Schechtman) é ligado à equipe do Jayme. Acho que vai ser um ponto de equilíbrio entre qualquer desavença entre Jayme e Glória. Palavra de veterano. Glória fala A autora soltou um comunicado no fim da tarde de ontem: América estreou batendo recordes de audiência no horário. Mas, conforme ele (Jayme) mesmo observou, recentemente passamos a ter idéias diferentes sobre a condução da trama. Realmente a audiência não era ruim: a média geral até sábado (24 capítulos exibidos) é de 46 pontos, ficando no mesmo patamar de Senhora do Destino que, com o mesmo número de capítulos, tinha média geral de 47 pontos. Celebridade, com o mesmo tempo, obteve 43 pontos; Mulheres Apaixonadas, 40; e O Clone, 42. Em Esperança, o autor Benedito Ruy Barbosa foi muito cobrado por causa de audiência. A crise foi tamanha que ele se afastou alegando motivos de saúde e Walcyr Carrasco assumiu escreveu ate o fim. O Adeus do diretor Em primeiro lugar, devo manifestar meu orgulho pela escolha para dirigir uma novela tão sensacional e ousada como América, certamente uma das realizações mais complexas pela sua grandiosidade da TV Globo. (...) com a audiência consolidada entre os mais altos patamares do horário, a novela entra agora na fase de consolidação. Eu e Glória temos visões diferentes a respeito dessa continuidade, numa discordância que não pode comprometer o andamento de um projeto tão bonito como América nem meu relacionamento com ela (...) Assim, certo de que estou entregando a novela numa trilha vitoriosa irreversível, gostaria de me dedicar a um projeto (...) Tenho certeza que (...) América já tem assegurada sua presença entre as melhores realizações da TV Globo. Abraços, Jayme O que não deu certo A voz sussurrante de Deborah Secco A falta de química entre o casal protagonista, Tião (Murilo Benício) e Sol A trilha de abertura da novela, Órfãos do Paraíso, interpretada por Milton Nascimento e Sagrado Coração da Terra Os rodeios geraram polêmica negativa. O compositor Chico César vai lançar CD em maio com a canção Odeio Rodeio, que canta com Rita Lee Terça-feira, Abril 12, 2005
Naturais e bastante rentáveis Produtos orgânicos atraem cada vez mais consumidores, gerando bons negócios Silvana Caminiti A preocupação com a qualidade de vida tem aumentado entre os consumidores e, em decorrência disso, aumenta também para os negócios. Os produtos orgânicos frutas e hortaliças produzidas de forma natural antes eram vistos como artigos de luxo, em função do preço mais elevado, em relação aos similares produzidos de forma convencional, mas hoje já estão mais acessíveis. Um dos motivos é o aumento da oferta e também da procura. Atualmente é possível encontrar os orgânicos nas prateleiras de quase todos supermercados e lojas de hortifrutigranjeiros. A rede Hortifruti, por exemplo, aposta, desde 2001, na venda desses produtos. Nas gôndolas das 14 lojas da marca no Rio, o cliente encontra 65 itens de orgânicos, entre verduras, legumes, frutas e cereais. Os grandes campeões de venda são o alface, a cenoura e a banana, mas frutas como maracujá, laranja, manga, goiaba, abacate e limão também têm ótima aceitação. Diariamente a Hortifruti comercializa três toneladas de orgânicos. Nossa meta é chegar a cinco toneladas em 2005, revela Marcelo Pimenta, encarregado do setor de orgânicos da loja do Leblon. Segundo ele, para alcançar a meta, será firmada até o fim do mês uma parceria de exclusividade com a Fazenda Três Cachoeiras, em Nova Friburgo, especializada na produção de frutas e hortaliças de forma natural. A nova área de plantio, diz Pimenta, vai ajudar a suprir a demanda das lojas. Os orgânicos vendidos pela rede são da marca Frutifique e vêm de um fornecedor exclusivo, a Fazenda Suíça, em Teresópolis, que conta com uma área de plantio de oito hectares. Hortifruti: (21) 2512-6820 Cafeteria traz café de Pernambuco As cafeterias também lucram quando trabalham com produtos obtidos sem o uso de agrotóxicos. A rede de cafeterias Armazém do Café, por exemplo, tem conseguido manter uma clientela fiel. A rede, com seis lojas no Rio, foi a primeira empresa do ramo a introduzir o conceito de café especial, ou o café com gosto de café, como explica a administração da empresa. Entre os vários tipos de grãos usados para preparar o café servido nos pontos de venda da Armazém do Café, está o Frevo. O grão é plantado e colhido à sombra, em uma área que fica a mil metros de altitude, no interior de Pernambuco. Trata-se de um café orgânico, produzido sem nenhum tipo de agrotóxico ou fertilizante químico. A colheita, feita de forma manual, também ocorre da maneira mais natural possível, sem uso de máquinas. Armazém do Café: (21) 2522-5039 Restaurante aposta em pratos naturais e de baixa caloria De olho no público formado por consumidores que preferem produtos naturais, empresas do setor da gastronomia também aderiram aos produtos orgânicos. No Leblon, o restaurante LowCal tem um estilo que varia entre o moderno e o clássico, oferecendo uma proposta arrojada e única no Rio: boa parte das comidas servidas das carnes ao cafezinho são orgânicas e de baixas calorias. A sugestão de pratos leves e saudáveis é um dos diferenciais da casa e tem atraído pessoas de diversas idades e perfis, que buscam se entreter e, ao mesmo tempo, investir na qualidade de vida. O restaurante, lembra Cláudio Sieira, um dos sócios, procura sempre renovar o cardápio e atualizar seu serviço. O bufê, que antes acontecia somente no horário de almoço, agora se estende ao jantar. Além disso, procuramos manter um cardápio diversificado, com variedades de pratos quentes e saladas, conta o empresário. Segundo ele, são mais de 20 tipos de pratos frios, que vão das tradicionais caprese, caesar e aspargos aos brotos de alfafa, soja e carvalho. Entre os pratos quentes, diz Sieira, as opções mais procuradas são peito de peru ao funghi, turbante de frango com legumes, risoto de soja e palheta de cordeiro. Nos fins de semana, o destaque são os pratos com frutos do mar, explica.
Vai bombar Entrega do prêmio FM O DIA reúne os artistas que o público escolheu, hoje, na Via Show Pedro Landim Parece sonho. Um palco iluminado e as maiores estrelas reunidas para cantar as músicas que o público mais curtiu e pediu para tocar, ano passado, na rádio que comemora a marca de 38 meses em 1º lugar, com a maior audiência do Brasil. O troféu FM O Dia Aos Melhores de 2004 será entregue hoje com shows de 17 artistas escolhidos pelos ouvintes, em festa transmitida ao vivo pela FM O DIA (100,5 MHz). No palco da Via Show, estarão nomes como Felipe Dylon, Gustavo Lins, Revelação, Babado Novo, Alcione, Arlindo Cruz, Serginho e Lacraia e muitas outras feras. Não é de hoje que a FM O DIA reúne os maiores talentos musicais. Minha vida começou no rádio, e esse prêmio é da maior importância, diz Alcione, que soltará a voz e receberá o troféu de Melhor Cantora. Mauro Júnior, do Revelação, campeão na categoria Pagode de Mesa, acrescenta: Todo ano a gente aguarda a premiação torcendo. Ser reconhecido nessa categoria pela FM O DIA é uma festa para nós. O diretor do Sistema O DIA de Rádio, Mário Reis, explica que pela primeira vez o evento terá transmissão via satélite pela rádio, com qualidade digital. A noite reunirá os melhores e todos eles vão cantar seus sucessos, diz Mário. Os melhores da rádio COMPOSITOR. Suel, do Imaginasamba. REVELAÇÃO PAGODE. Grupo Sinceridade. GRUPO PAGODE. Swing & Simpatia. SHOW PAGODE. Grupo Exaltasamba. PAGODE MESA. Revelação. PAGODE RAIZ. Arlindo Cruz. DESTAQUE PAGODE. Grupo Disfarce. CARISMA. Pique Novo. CANTOR. Rodriguinho. CANTORA. Alcione. DESTAQUE POP. Felipe Dylon. GRUPO AXÉ. Babado Novo. MÚSICA. Daqui você não passa (Gustavo Lins). DISCO. Sorriso Maroto. FUNK MASCULINO. MC Frank. FUNK FEMININO. As Danadinhas. VIA Show. Rua Maria Soares Sendas 105, Venda Velha, São João de Meriti (2651-8523). Na Via Dutra, sentido São Paulo, na saída da Linha Vermelha, km 167. Às 22h. R$ 15. 16 anos. Segunda-feira, Abril 11, 2005
Questão de cor Novela de Miguel Falabella promete levantar polêmica com negros que não aceitam sua raça Olívia Mendonça Em meio a gargalhadas e piadas, a próxima novela das sete, A Lua Me Disse, que estréia dia 18, trará um tema delicado para discussão: o preconceito do negro com o próprio negro. É na família de Dionísia (Chica Xavier) que o assunto virá à tona. Seus filhos, Anastácia (Zezé Barbosa), Jurema (Mary Sheila), Violeta (Isabel Fillardis) e Jorginho (Jorge de Sá) serão os protagonistas do embate. Violeta é a caçula das três irmãs. Mas é a única que foi para faculdade, fez pós-graduação, trabalha duro e ganha bem. Suas irmãs não quiseram estudar e não suportam seu sucesso, conta Isabel Fillardis. Na trama, as irmãs de Violeta, além de invejarem o sucesso da irmã, não aceitam sua condição social e racial. A Anastácia não aceita nem o nome e prefere ser chamada de Latoya e a Jurema, de Whitney. Elas também alisam os cabelos e andam em casa com pregadores de roupas no nariz para afiná-los. Uma loucura, diz Zezé Barbosa, que não aprova sua personagem e revela: As duas são tão racistas que não namoram negro de jeito nenhum. Não sou contra as mulheres negras alisarem ou pintarem o cabelo. As negras americanas já fazem isso há anos e ficam lindas. A diferença é que nos EUA os negros são unidos e têm linhas de cosméticos voltadas para eles. No Brasil, agora é que estamos começando com isso. Mas sou contra plásticas para mudar o formato do nariz, por exemplo, opina Isabel. Do lado de Violeta na luta contra as loucuras de Jurema e Anastácia está Jorginho, o caçula dos quatro. Ele é músico, muito tranqüilo e não entende por que suas irmãs não se aceitam do jeito que são. Acho muito importante Miguel abordar esse tema porque ninguém nunca falou sobre isso na televisão. E acho que Violeta dará o exemplo, mostrando uma negra bem-sucedida. Ela é uma vencedora, orgulha-se Isabel. Negros falam Acho interessante que esse tema seja abordado. A mídia fica querendo embranquecer a sociedade. É só anúncio de chapinha, escova. Os negros precisam ter personalidade e se assumirem como são, opina a produtora Mariana Sacramento, 24 anos, negra. Ela não é a única a achar isso. O publicitário Rodrigo Feijó, 28 anos, pensa parecido. Acho ótimo que tenha esse assunto na novela, mesmo que seja em tom cômico. Acho legal que não seja só um núcleo negro e acabou. Tá, tudo bem, eles são negros e sofrem preconceitos, mas e daí?!, questiona. O racismo não é novidade para ninguém, mas sempre pode surpreender: Já ouvi negras falando que gostariam de se casar com brancos por que de preto já bastavam elas, diz a atriz Marcela Linhares, 28 anos. Lição TEMA ANTIGO. Para Isabel Fillardis, um dos motivos para que os negros não se aceitem é que eles não se vêem representados na sociedade. Só agora os negros estão começando a aparecer, e não só como empregados domésticos ou escravos em novelas de época. Violeta, minha personagem na trama, é gerente comercial de um supermercado. Ela chefia um monte de gente, inclusive brancos. Isso é legal de ser mostrado, diz Isabel. REVIRAVOLTA. Para dar o exemplo, Miguel Falabella pensa em dar uma lição em Latoya e Whitney no decorrer da trama. Elas têm preconceito contra os negros e só querem saber de homens louros, de olhos verdes, os típicos arianos. Uma delas deve acabar se apaixonando e casando com um belo negão. Mas, enquanto nada está definido, as duas vão infernizar a vida de Madô (Débora Bloch), moradora da mansão que as irmãs herdarão. As ex-empregadas poderão virar patroas. Domingo, Abril 10, 2005
Vida Moderna Chame o técnico Problemas amorosos, profissionais ou familiares? Consulte um personal coach Rosana Rodini Quando o mafioso Paul Vitti (Robert De Niro) dos filmes A máfia no divã e A máfia volta ao divã tem repentinos ataques de ansiedade, decide consultar secretamente o psiquiatra Ben Sobel (Billy Cristal). Paul desenvolve uma dependência tão grande do psiquiatra que passa a persegui-lo nos lugares mais impróprios. Hoje, a figura do requisitado psiquiatra Sobel poderia atender por outro nome, personal coach, um novo profissional, de formação diversa, que presta uma espécie de consultoria emocional personalizada. Coach quer dizer em português técnico, treinador. O personal coach apareceu na década de 90, com foco em executivos, mas logo estendeu seu atendimento a qualquer pessoa que tenha dinheiro e problemas não só profissionais, mas afetivos ou familiares. Os coachs brasileiros ou coaching de vida, como são chamados, não ultrapassam uma dezena e são o último elo de uma longa linhagem de personais. Primeiro veio o popular personal trainer, depois o personal stylist. Na mesma categoria, surgiram ainda o personal artist que ensina sobre artes plásticas , o personal dieter, que palpita na sua alimentação, o personal sex trainer, que diz fazer você transar melhor, e até o personal zen, que o ajuda a meditar. Cada sessão com um coach pode custar R$ 300 reais por hora. O processo é mais rápido do que o da terapia. Traçamos um objetivo, metas e as sessões duram de três a seis meses, explica o personal coach californiano Rhandy Distéfano. Além de atuar no Brasil e nos Estados Unidos ele atende a maioria dos clientes por telefone , Rhandy ainda ministra cursos que formam coachs aqui no Brasil. As aulas duram cerca de oito dias e custam R$ 3 mil à vista. Afinal, quais os requisitos para ser um coach? É importante ter formação superior, mas não é necessário que seja em psicologia ou alguma coisa do gênero, explica Rhandy. RENATA adotou novo jeito de viver Clientes E, por falar na boa, velha e insubstituível terapia, a principal diferença entre ela e o coaching é que a primeira busca causas, sintomas e curas. O segundo é mais objetivo e trabalha com metas e prazos.
Quem procura os coachs é chamado de cliente, e quem procura a terapia, de paciente. As sessões acontecem nos consultórios, por telefone e até via internet. Os temas podem ser desde tentar parar de fumar até resolver problemas de relacionamento. E eles garantem: o coach não lhe dará respostas, mas apontará o caminho. O empresário Marcelo Kraus, 35 anos, se deixou seduzir. Li sobre o assunto e percebi que seria uma boa ferramenta para o meu trabalho, especialmente no que diz respeito a questões de liderança, afirma. Frequentando as sessões da coach Jael Klein há três meses, assegura que os resultados são ótimos. A engenheira Renata Randi, 36 anos, é outra que experimentou o serviço de Jael numa época em que estava desmotivada. Já havia feito faculdade, pós-graduação, MBA em uma universidade americana e senti que, apesar disso tudo, estava incompleta. Precisava fazer um balanço na vida profissional e pessoal, e uma pessoa mais neutra ajuda a definir melhor os objetivos, conta ela, que é adepta da consultoria há um ano. Às vezes, não analisamos se nossas atitudes nos conduzem ao lugar certo. Com o coach incorporamos novas visões no dia-a-dia, continua. No fundo, o personal acaba se tornando um grande amigo, com a diferença que esse amigo não fala apenas o que você quer ou precisa ouvir. É algo como um livro de auto-ajuda aberto, daqueles que dizem: aprenda com os próprios erros. E um pouco mais caro.
A vida é uma festa Resultado de uma salada latina, mexicanos de América desfilam cor e música Marcelle Carvalho Se em O Clone o público foi apresentado às danças e expressões dos muçulmanos, o folclore da vez é o núcleo mexicano, radicado em Miami, em América. E, como na novela anterior de Glória Perez, a inspiração é mais resultado de uma salada de influências de Cuba ao brasileiro Bispo do Rosário que da fidelidade ao cotidiano. Reviver é o verbo da cenógrafa Érika Lovisi. Não queríamos cenários com jeito americano, mas sim com a cara dos latinos. A inspiração na verdade foi cubana, por englobar todos os personagens: mexicanos, brasileiros, cubanos, sem tender para um ou para o outro, conta Érika. A pensão é Havana pura. Tem aquela decadência na arquitetura. Sem contar as cores, o excesso de informação, para mostrar que não houve interferência americana, diz a cenógrafa. Já a diretora de arte Tiza de Oliveira foi duas vezes ao México. Visitei duas cidadezinhas, Juarez e Ochinagua, e trouxe mantas, imagens da Virgem de Guadalupe, bandeirinhas e condimentos. A culinária é diferente, no café da manhã já comem coisa temperadas, conta. As tradições são fortes na vida de Consuelo (Cláudia Jimenez). Ela comprou uma casa velha em Miami e colocou sua cara. Tinha que ter bastante cor, a arquitetura é parecida com as construções mexicanas, avalia Tiza. Inspiração que não podia faltar era a pintora mexicana Frida Khalo, traduzida nas roupas, segundo a figurinista Maysa Jacobina. Não podíamos esquecer as cores vibrantes dela. Não queria roupas de butique nem folclóricas. Então, fizemos uma mistura com outros estilos, diz Maysa. A viagem vai do barroco mineiro, com bordados e rococós, ao artista plástico Bispo do Rosário e às cores do espanhol Miró. Botei tudo no liqüidificador e saí batendo, brinca. Cada uma tem seu estilo. Para Consuelo, fiz superposições e xales, Inesita (Juliana Knust) usa túnicas e saiões bordados. Mercedes (Rosi Campos) é mais espanholada, com flor no cabelo, saias e vestidos. E o cubano Geraldito (Guilherme Karam) tem camisas estampadas, calça de listras e xadrez, explica Maysa. A atriz Cláudia Jimenez se empolga: A cada dia temos mais cenas. Filha de espanhóis, não tem dificuldade em retratar a mexicana: Sou exagerada. Alegria SEMELHANÇAS. Apesar de as culturas serem diferentes, há certa semelhança entre o núcleo mexicano de América e o muçulmano de O Clone: São duas culturas alegres, que celebram a vida com as danças. Tem um lado um pouco lúdico também, acredita a cenógrafa Érika Losivi. CORES. Quisemos dar as diferenças entre os núclos através das cores. Se no mexicano há muitas cores, o de Vila Isabel é mais monocromático, o do Pantanal é mais puxado para o verde. É para bater os olhos e já saber o que está sendo retratado, detalha a diretora de arte Tiza de Oliveira. Inesita quer se americanizar Juliana Knust, a Inesita, comenta que, antes de entrar em América, desconhecia as tradições mexicanas. Mas ao começar a conhecê-las, uma coisa chamou sua atenção. A maneira como os mexicanos encaram a morte. A perda de uma pessoa querida deixa saudades, mas eles têm consciência de que ela foi para um lugar melhor. No dia dos mortos, fazem uma grande festa, comemoram com alegria, nada de tristeza, conta a atriz. Filha enfrenta mãe para ter vida como os americanos A relação com a família e suas tradições também é forte para esse povo. Tanto que Inesita, que até então tinha um relacionamento perfeito com a mãe, vai entrar em conflito com Consuelo, à medida em que for querendo se americanizar. Inesita está encontrando dificuldades para fazer amizades e a Consuelo não facilita, por querer manter as tradições mexicanas. Não a deixa ir à escola sozinha, ao baile. Elas vão acabar batendo de frent | |