Nuvens Brancas

Nuvens Brancas

Uma nuvem branca é um mistério - o vir,o ir, o próprio existir dela.Uma nuvem branca existe sem quaisquer raízes - um fenômeno desenraizado, apoiado no nada, mas assim mesmo existe. E existe em abundância. O todo da existência é assim - sem quaisquer raízes,sem qualquer causalidade,sem qualquer causa final,ela existe e existe como um mistério. Uma nuvem flutua para onde quer que o vento a leve. Ela não tem nenhum lugar para onde chegar, nenhum destino para ser cumprido, nenhum fim.

 



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Segunda-feira, Novembro 30, 2009


RUY CASTRO

Cego e a qualquer custo

RIO DE JANEIRO - Certa noite, há dois ou três anos, em Paraty, faltou luz em plena Flip. Por alguns segundos, ninguém enxergava ninguém na rua. Mas a literatura está habituada a se virar nas trevas, e o pessoal não se apertou. Milhares acenderam seus celulares e, para quem via de longe a cena, pareciam chusmas de vaga-lumes no breu.

Além disso, nesses românticos burgos, meio praianos, meio rurais, o brilho das estrelas dispensa a luz da Light, ainda mais em julho. Namoros e sabe-se lá quantos flertes brotaram daquela noite.

No Rio, com os apagões à luz do dia, em horário comercial e a 35 graus de temperatura, as chances de romantismo são poucas. Os donos dos botequins descabelam-se ao perder seus estoques, as sorveterias precisam liquidar o sorvete antes que ele derreta e os quiosques são obrigados a vender coco quente. Um cabeleireiro teve de terminar na calçada a barba de seu cliente e meu dentista foi interrompido com a broca dentro do canal de uma antiga super-estrela da TV.

O modelo econômico implantado há alguns anos no país permite que qualquer família, mesmo com salário, habitação, saúde, transporte e educação nota 3, tenha em casa micro-ondas, laptop, TV a cabo, ar condicionado, freezer, amplificador, sub-woofer, caixas de som, enceradeira, liquidificador, batedeira de bolo etc. Isso é ótimo, e eu também me beneficio. Mas tem um custo.

O custo é a energia que, para acompanhar essa avalanche consumista, precisa ser produzida em escala cada vez maior. Estará sendo? Algo parecido se dá com a indústria automobilística: com tanta facilidade para se comprar um carro, a frota nas ruas duplicou sem que nossas pobres cidades estivessem preparadas para absorvê-la.
Pelo visto, voltamos aos tempos do "desenvolvimento" cego e a qualquer custo.

Uma linda segunda-feira.... uma gostosa semana pra você.

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Domingo, Novembro 29, 2009


FERREIRA GULLAR

Tema polêmico

Alguém acredita que Fernandinho Beira-Mar, com a descriminação de drogas, vai pagar ICMS?

AO DISCUTIR os problemas que dizem respeito a todos nós, não o faço por arrogância, mas para tentar entendê-los, suscitar a discussão ampla, já que os discuto comigo mesmo.

Um desses problemas são as drogas, que, a cada dia, se torna mais agudo, provocando debates e tentativas de solução os mais diversos e polêmica.

Vejo com apreensão pessoas e instituições responsáveis defenderem a descriminação dessas drogas, de todas ou das chamadas drogas leves, como a maconha. A experiência que tenho -eu e muita gente- indica que a droga leve é, quase sempre, a etapa inicial que conduz às drogas pesadas.

Os defensores da descriminação usam de um argumento que considero sofismático: alegam que defendem o fim da repressão ao tráfico de drogas porque a experiência demonstrou sua inoperância, isto é, a repressão não impediu o crescimento do tráfico e o aumento do consumo de drogas.

Veja bem: o aparelho judicial e a polícia foram criados para reprimir o crime e defender a sociedade; não obstante, após séculos de existência, não conseguiram acabar com a criminalidade que, pelo contrário, cresceu.

Devemos, por isso, não mais prender e punir os criminosos? Claro que não. Não há como extinguir definitivamente a criminalidade, mas deixar de combatê-la é a pior das opções. Ninguém, em sã consciência, defenderá essa tese.

Do mesmo modo, acabar com a repressão ao tráfico e ao consumo de drogas seria render-se aos criminosos e entregar as pessoas (particularmente os jovens) a consequências desastrosas. Basta pensar: que autoridade teria um pai de família para aconselhar o filho a não consumir drogas, se o próprio governo as legalizar e as permitir?

Quando, pela primeira vez, ouvi falar da necessidade de descriminar as drogas, lembrei-me de que a cocaína não é produzida aqui, vem de países vizinhos, onde seu uso é proibido. Como vender legalmente uma mercadoria que entrou ilegalmente no país? A opção inevitável será, sem dúvida, o plantio, no Brasil, da coca, em larga escala. Deixaríamos de plantar feijão e arroz para cultivar um produto bem mais lucrativo.

Talvez por isso, passou-se a falar na legalização mundial das drogas. Essa gente delira, mesmo sem cheirar cocaína. Alguém acredita que Fernandinho Beira-Mar, que ganha milhões de reais com a venda ilegal de drogas, vai passar a pagar Imposto de Renda e ICMS? Ignoram que alguns dos maiores contrabandos que existem no Brasil são de pedras preciosas e de cigarros, que não têm sua comercialização proibida.

Mas há outro ponto também discutível, que é legalizar o consumo de drogas. Acreditam que o consumidor é um doente, que deve ser tratado e não castigado.
Será verdade que todo consumidor de drogas é um doente? Aposto que não. Os maiores consumidores de cocaína e drogas sintéticas não são viciados patológicos e, sim, consumidores que utilizam as drogas socialmente.

Não há o cara que bebe socialmente e não é alcoólatra? Assim como a maioria dos que consumem bebidas alcoólicas não é constituída de alcoólatras, há muita gente que ganha bem, goza de prestígio social como empresário ou artista, e consome maconha, cocaína, ecstasy, promove festas para, divertidamente, drogar-se, ele e sua patota. Compra drogas de vendedores qualificados, que não precisam subir o morro.

Alguém acredita que os milhões de reais que as drogas rendem ao tráfico saem do bolso dos favelados ou do garotão viciado, filhinho de papai, que paga o traficante roubando da família?

A legalização do consumo de drogas só servirá para estimular um número maior de pessoas, socialmente bem situadas, a se tornarem alegres consumidores delas. Oferecer tratamento ao viciado está certo, mas como, se a nova política de saúde -a tal "psiquiatria democrática"- não possibilita internações?

E pense nisto: o tráfico sobreviveria se, de repente, ninguém mais usasse drogas? Um exemplo hipotético: se as pessoas deixassem de consumir carne, a produção e o comércio de carne sobreviveriam? Todos sabemos que nenhuma mercadoria subsiste sem comprador.

É um contrassenso, portanto, pretender acabar com o tráfico de drogas liberando o consumo. Essa liberação, sem dúvida alguma, multiplicaria por milhões o número de consumidores e fortaleceria ainda mais o tráfico.

Telefono para o setor de apoio técnico da Dell e, embora a lei obrigue que tais atendimentos não demorem mais do que um minuto, a telefonista informa que demorará dez. Espero 31 minutos e não sou atendido.


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Sábado, Novembro 28, 2009



29 de novembro de 2009 | N° 16170
MARTHA MEDEIROS


Só estou dando uma olhadinha

"Posso ajudá-la em alguma coisa?” A vendedora faz seu contato educadamente, e eu já tenho a resposta na ponta da língua: “Obrigada, só estou dando uma olhadinha”. Assim deixo claro que não sei se quero comprar algo, ainda não me decidi, vai depender do preço e da gamação que alguma peça me provocar, e enquanto eu não me decido, prefiro ficar sozinha, sem ninguém atrás de mim dando explicações.

A vendedora compreende e me deixa dar quantas olhadinhas eu quiser. Se eu perguntar o preço de algo, ela me responderá e seguirá a alguns metros de distância, de forma discreta. Eu então poderei chamá-la se resolver efetivar a compra ou sair sem levar nada, e nenhuma gota de sangue será derramada. É uma relação cortês e normal.

Só que o normal diverge, dependendo do país e de seus costumes.

Eu já havia estado em Istambul há uns oito anos, e portanto sabia onde estava me metendo quando fui ao Marrocos, mas não poderia deixar de percorrer as ruas da medina de Marrakesh. Como não se infiltrar em meio a lojinhas multicoloridas que vendem castiçais, tapetes, porcelanas, garrafinhas, caixinhas, panos e incensos? Você não vai pra Marrakesh para fazer compras na Zara.

Se você está de passagem marcada para algum país de cultura árabe e pretende trazer lembrancinhas, prepare-se. Os comerciantes partem pra cima dos turistas feito gaviões. Se você tem cabelos loiros e olhos claros, estará ferrado. Se tiver o mesmo aspecto muçulmano que tenho, estará ferrado igual: basta que leve uma mochila nas costas. Eu levava.

Eles vão seguir você pela rua. Perguntar de onde você é. Mesmo que você responda que é de Júpiter, eles vão encontrar algum assunto relativo ao seu lugar de origem, vão ser simpáticos ao extremo e tentarão arrastá-lo até a loja deles.

Estando lá, basta que você olhe com um leve ar de cobiça para o que estiver exposto e, pronto, danou-se. Você vai perguntar o preço e, sem saber, terá dado o pontapé inicial para o hábito que mais dá prazer aos residentes do país: pechinchar.

Pechinchar pode ser lucrativo e pode ser estafante. É lucrativo quando você sabe que o vendedor está pedindo demais e ele sabe que você está oferecendo de menos, e conseguem (depois de 20 minutos de prosa) chegar num valor de bom tamanho para ambas as partes.

E é estafante quando você está apenas dando uma olhadinha, sem tempo para trelelé, e o vendedor está desesperado para vender. Aí, escolham as armas.

Eu não tenho a menor paciência para esse jogo de cartas marcadas, em que um pede um valor absurdo, o outro oferece um valor humilhante, até atingir um empate conciliatório. Prefiro a paz de um preço fixo.

Fazer compras em terra de mercadores me deixou tão pirada que teve um dia em que um cara me disse que não me venderia um castiçal por menos de 80 dirham, que é a moeda local. Entrei no jogo: “O quê? 80 dirham? De jeito nenhum, só pago 100!”.

O Natal está aí de novo e já está todo mundo dando uma olhadinha, afinal, é uma data religiosa: a religião do consumismo. Menos mal que aqui os vendedores não lhe seguem pelos corredores do shopping nem cultuam o teatro da pechincha, mas, ainda assim, cuide-se: ninguém está livre de pirar.

Um lindo domingo para você.

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Lya Luft

A praga moderna


"O que somos mesmo, neste período pós-moderno de que algumas pessoas tanto se orgulham, é estressados"

Nossas pestes – que também as temos – podem ser menos tenebrosas do que as medievais, que nos faziam apodrecer em vida. Mas, mesmo mais higiênicas, destroem. E se multiplicam, na medida em que se multiplica o nosso stress. Ou melhor: o stress é uma das modernas pragas.

Quanto mais naturebas estamos, mais longe da mãe natureza, que por sua vez reclama e esperneia: tsunamis, tempestades, derretimento de geleiras, clima destrambelhado. Ser natural passou a não ser natural. Ser natural está em grave crise.

O bom mesmo é ser virtual – mas isso é assunto para outra coluna, ou várias. Porque, se de um lado somos cada vez mais cibernéticos e virtuais, de outro cultivamos amores vampirescos, paixões por lobisomens, e somos fãs de simpáticos bruxos em revoadas de vassouras. Mudaram, os nossos ídolos. Não sei se para pior, mas certamente para bem interessantes. Pois nosso lado contraditório é que nos torna interessantes, em consultórios de psiquiatras, em textos de ficcionistas.

Também na vida cotidiana aquela velhíssima voz do instinto, voz das nossas entranhas, deixou de funcionar. Ou funciona mal. Desafina, resmunga, rosna. A gente não escuta muita coisa quando, por acaso ou num esforço heroico, consegue parar, calar a boca, as aflições e a barulheira ao redor.

O que somos mesmo, neste período pós-moderno de que algumas pessoas tanto se orgulham, é estressados. Não tem doença em que algum médico ou psiquiatra não sentencie, depois de recitar os enigmáticos termos médicos: "E tem também o stress". Para alguns, ele é, aliás, a raiz de todos os males.

Eu digo que é filho da nossa agitação obsessivo-compulsiva. Quanto mais compromissados, mais estressados: é inevitável, pois as duas coisas andam juntas, gêmeas siamesas da desgraça. Porque a gente trabalha demais, se cobra demais e nos cobram demais, porque a gente não tem hora, não tem tempo, não tem graça. Outro dia alguém me disse: "Dona, eu não tenho nem o tempo de uma risada". Aquilo ficou em mim, faquinha cravada no peito.

Um dos nossos mais detestáveis clichês é: "Não tenho tempo". O que antes era coisa de maridos e de pais mortos de cansaço e sem cabeça nem para lembrar data de aniversário dos filhos (ou da mãe deles), agora também é privilégio de mulher. De eficientes faxineiras a competentíssimas executivas, passamos de nervosas a estressadas, stress daqueles de fazer cair cabelo aos tufos.

Não sei se calvície feminina vai ser um dos preços dessa nossa entrada a todo o vapor no mercado de trabalho – pois ainda temos a casa, o marido, os filhos, a creche, o pediatra, o ortodontista, a aula de dança ou de judô dos meninos, de inglês ou de mandarim (que acho o máximo, "meu filhinho de 6 anos estuda mandarim") –, mas a verdade é que o stress nos domina. É nosso novo amante, novo rival da família e da curtição de todas as boas coisas da vida.

Que pena. Houve uma época em que a gente resolvia, meio às escondidas, dar uma descansadinha: 4 da tarde, a gente deitada no sofá por dez minutos, pernas pra cima... e eis que, no umbral da porta, mãos na cintura ou dedo em riste, lá apareciam nossa mãe, avós, tias, dizendo com olhos arregalados: "Como??? Quatro da tarde e você aí, de pernas pra cima, sem fazer nada?".

Era preciso alguma energia para espantar os tais fantasmas. Neste momento, porém, eles nem precisam agir: todos nós, homens e mulheres, botamos nos ombros cruzes de vários tamanhos, com prego ou sem prego, com ou sem coroa de espinhos. São tantos os monstros, deveres, trânsito, supermercado, dívidas e pressões, que – loucura das loucuras – começamos a esquecer nossos bebês no carro.

Saímos para trabalhar e, quando voltamos, horas depois, lá está a tragédia das tragédias, o fim da nossa vida: a criança, vítima não do calor, dos vidros fechados, mas do nosso stress. Começo a ficar com medo, não do destino, eterno culpado, não da vida nem dos deuses, mas disso que, robotizados, estamos fazendo a nós mesmos.


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Sexta-feira, Novembro 27, 2009


JOSÉ SIMÃO

Motel! Temos suítes para pedestres!

O bispo Lugo no começo da carreira eclesiástica não era seminarista, era inseminarista!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! "Homem preso por agredir namorada com peru congelado." O Natal começou quente! E a placa num motel de Santo André: "Temos suítes para pedestres!". Mas eu quero a minha suíte para pedestre sem IPI. Pedestre sem IPI!

E tem também aquele motel em Fortaleza: "Aceitam-se casais a pé". E adorei o novo programa de prêmios da Record: "Acerte o Preço Certo". Pensei que era pra acertar o preço errado!

E o Dalcio revela o que um puxa-saco falou do filme do Lula: "Gostei de três cenas: aquela em que o senhor voa, aquela em que o senhor anda sobre as águas e aquela em que luta contra os vilões".

E o meu amigo Ciro Botelho falou que o presidente do Irã veio pro Brasil ver duas coisas: o jogo do Náutico e a "Playboy" da Fernanda Young. Rarará! Duas bombas.

Só falta agora a "Playboy" chamar a Geisy e reeditar a Hortência. Trio Derruba Pingolim: Fernanda Young, Geisy da Uniban e Hortência. A sem graça, a desgraça e a nem de graça. Rarará!

E uma amiga me falou: "Eu não quero ver a Geisy pelada, eu quero ver o boletim da Geisy. Isso ninguém mostra". Rarará!

E a piada pronta da chamada do UOL: "Leilão de velharias no Senado". Então não precisa mais cassar ninguém. Acabou o Senado. Estão leiloando "bens usados e velhos, considerados desnecessários": Sarney, Temer, Arthur Virgílio.

E aquele belga que todo mundo pensava que estava em coma mas não estava. Passou 23 anos ouvindo e vendo tudo, mas sem poder falar. "Eu sei o que é isso, fiquei casado por um período igual", disse o meu vizinho. Rarará!

E PAIRAGUAI Urgente! A volta do bispo Lugo. Tá sofrendo processo pela quarta paternidade. Bispo Papão. No Paraguai ele já tá sendo chamado de LUGO MAU. Come até a vovozinha! Tá melhor que o Zé Mayer!

O bispo Lugo no começo da carreira eclesiástica não era seminarista, era INSEMINARISTA! E sabe como se chama dar uma rapidinha no Paraguai? LUGO LUGO!

Vou dar um lugo lugo! E volto lugo. Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês.

Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Vitória da Conquista, Bahia, tem um motel chamado Deus Dará! Ueba! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Colombiano": companheiro que só usa terno da Colombo!

simao@uol.com.br

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Quinta-feira, Novembro 26, 2009


KENNETH MAXWELL

Um Estado falido?

CASO A CALIFÓRNIA fosse independente, e não parte dos Estados Unidos, seria a décima maior economia do mundo. Mas a situação fiscal do Estado é caótica. O governador Arnold Schwarzenegger recentemente anunciou um deficit de arrecadação de US$ 26 bilhões.

O sistema político é patentemente incapaz de enfrentar a crise.

Alguns comentaristas argumentam que o problema da Califórnia é o excesso de democracia. Certas medidas tributárias precisam de maioria de dois terços para aprovação no Legislativo estadual, e isso se provou virtualmente impossível de obter. A Constituição do Estado inclui uma cláusula de referendo compulsório que oferece aos cidadãos a oportunidade de votar sobre questões que requeiram mudanças na Constituição.

A Califórnia é um dos apenas três Estados norte-americanos que operam com esse requerimento. Na prática, os referendos compulsórios reforçaram o poder de minorias altamente motivadas e organizadas. Seu impacto mais significativo é sobre as decisões de política tributária, e eles se tornaram sério obstáculo à formulação de uma política tributária racional.

A Califórnia sofreu mais que outros Estados com a crise econômica. O desemprego é superior à média nacional. As hipotecas executadas por falta de pagamento continuam a ser problema.

Mas uma das maiores consequências é o impacto sobre um dos maiores sistemas universitários públicos do país, que há muito constitui uma das joias do ensino superior norte-americano em termos de preços acessíveis e qualidade. A Universidade da Califórnia conta com 55 ganhadores do Prêmio Nobel em seu corpo docente.

Mas, agora, o sistema está absorvendo sua maior queda em verbas estaduais desde a Grande Depressão e perdeu quase 20% de seu orçamento.
Cada professor, funcionário administrativo e auxiliar do sistema está sujeito a licenças não remuneradas.

Em Berkeley, a principal universidade californiana, o deficit anual atingiu os US$ 145 milhões, e o recrutamento de novos professores caiu de 100 para 10 ao ano. Nos dez campi do sistema em todo o Estado, a perda de verbas estaduais chegou a US$ 813 milhões.

Nesta semana, o conselho universitário se reuniu no campus da Universidade da Califórnia em Los Angeles e votou aumentar em 32% as mensalidades dos alunos, o que as levará a mais de US$ 10 mil anuais, três vezes o custo do estudo uma década atrás.

Os estudantes organizaram ruidosos protestos. A resposta do reitor da universidade, Mark Yudolf, não foi animadora: "Detesto dizê-lo, mas, quando não há escolha, não há escolha".

KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras nesta coluna.


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26 de novembro de 2009 | N° 16167
LETICIA WIERZCHOWSKI


O pensamento desligado da mão

Semana passada, outro bebê foi esquecido dentro de um carro, dessa vez pela própria mãe. A mulher saía de casa diariamente com as duas filhas: deixava na creche a pequena, de cinco meses, depois levava a filha de seis anos para outra creche; então ia para o trabalho.

Naquele dia, essa rotina se inverteu: a mãe deixou primeiro a filha de seis anos. No caminho para a creche da bebê, confundiu-se e rumou para o próprio serviço, esquecendo no carro a filhinha mais nova, que morreu devido a uma hipertermia.

Lamentei por essa infeliz mãe (mãe que sou, não posso imaginar dor maior do que a perda de um filho). Especialistas dizem que a rotina pesada dos dias atuais é a culpada por esses lapsos, e que a mãe em questão, provavelmente sobrecarregada com o trabalho, o trânsito paulista, mais a função familiar, agia de maneira automática a fim de cumprir suas múltiplas tarefas.

Casos como esse não acontecem somente aqui: nos EUA, morrem 37 crianças a cada ano por hipertermia dentro de carros familiares. Uma dessas crianças era filha de um funcionário da Nasa, e depois disso a empresa desenvolveu um dispositivo para evitar esquecimentos: um sensor de peso que dispara quando o carro é trancado com algo que não deveria estar lá.

Depender de um alarme para avisar os pais da presença do próprio filho num espaço tão exíguo como um carro me parece coisa de filme. Esquecer da existência física de uma criança pressupõe que esquecimentos anteriores (e bem mais sutis) já se cristalizaram.

A rotina estressante que alguns pais vivem há muito que expulsou os próprios filhos da sua agenda e, talvez, das suas mentes: filhos que são criados por outros, terceirizados em seus cuidados básicos – alimentação, higiene e amor – e que para alguns pais passam a ser apenas isso: pessoinhas que são carregadas numa sequência lógica de um ponto a outro da cidade, da casa para a creche, da creche para a casa.

Talvez fosse bom a Nasa criar um alarme que soe na hora em que um casal decide ter um filho, avisando-os da maravilhosa bagunça que eles fazem nas nossas vidas. Aliás, uma bagunça ruidosa demais para que seja crível esquecê-los silenciosamente no banco traseiro de um carro.

Enfim, onde a lógica não alcança, deixo a poesia: “A civilização em que estamos é tão errada que nela o pensamento se desligou da mão. Ulisses, rei de Ítaca, carpinteirou seu barco. E gabava-se de também saber conduzir num campo a direito o sulco do arado.” (Sophia de Mello Breyner)

Ainda que com chuva e previsão de ventos outra vez, que tenhamos todos uma excelente quinta-feira


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Quarta-feira, Novembro 25, 2009


JOSÉ SIMÃO

Ueba! Serra, filho do Zé do Caixão!

Ahmadinejad trouxe a pomba da paz. Mas ninguém viu porque ela tava de burca!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Grafite em Pouso Alegre: "Eu sou o Édipo da mãe dos outros!". E a pesquisa nos presídios de São Paulo: 5% querem a liberdade e 95% querem a Libertadores! Rarará! E o melhor jogador do Brasileirão é o TED. Transferência Eletrônica de Dinheiro!

Milagre! O Lula conseguiu pronunciar o nome do presidente do Irã! Mahmoud virou BARHBOUD! Companheiro BARBUD! E o Lula agora tá fazendo trocadilho? Em vez de urânio, falou IRÂNIO! Gênio! Rarará!

E vou divergir da maioria: o Lula tinha que receber o presidente do Irã, SIM! Negócios! Você acha que um vendedor de shopping vai deixar de vender televisão porque o cliente bate na mãe? "Ah, não vou vender essa televisão pro senhor porque o senhor bate na mãe." E o iraniano é tão pacífico que o nome começa com Arma! Ahmanucleardinejad.

E o chargista Dalcio revela que o Ahmadinejad trouxe a pomba da paz. Ninguém viu porque ela tava de burca. A pomba da paz tava de burca! E ele é o Bush do islã! E combo pra assistir "Lula, o Filho do Barril": churrasquinho de gato com uma branquinha.

E eu vou ligar pro Zé do Caixão pra encomendar um filme do Serra; "Serra, o Filho das Trevas!" E a ironia do destino, a tragicomédia: recebi uma foto da enchente no Rio Grande do Sul com um único estabelecimento aparecendo: AQUÁRIOS BAR! Dica de lanchonete pra enchente: Bar Aquarius! Pior foi o muro pichado que eu vi numa enchente em São Paulo: "Favor não urinar no muro!". Rarará!

E os buracos de Sampa? Toda vez que aparece um buraco novo, o Kassab (ops, Taxab) vai conhecer: "Muito prazer, seu buraco. Espero que tenhamos uma amizade pacífica e DURADOURA". E reparou que o Lula tá com mania de dar dois abraços nos chefes de Estado?

Tipo preto velho. Abraço de macumba. Não bastavam aqueles dois beijinhos cariocas? É mole? É mole, mas sobe. Ou, como disse aquele outro: é mole, mas rela pra ver o que acontece.

Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Sampa um camelô estendeu a faixa "Temos Shrek DUBRADO!".

Rima sonora. E é o mesmo que dubrou o Lula? Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Arbítrio": juiz que apita o Brasileirão!

O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

simao@uol.com.br


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25 de novembro de 2009 | N° 16166
MARTHA MEDEIROS


Vidas de plástico

Assisti no DVD a um filme que me sensibilizou, ainda que não tenha feito muito barulho quando esteve em cartaz, ao menos não que eu lembre. É uma produção norte-americana chamada A Garota Ideal.

É a história de Lars, um homem tímido e fechado em si mesmo. Ele mora nos fundos da casa do irmão e da cunhada, que tentam atraí-lo para uma vida mais social, só que ele não quer saber de fazer amigos, não tem namorada, vive da casa pro trabalho, do trabalho pra casa, sem nem mesmo apertar a mão de ninguém – é refratário a qualquer toque. Sua solidão não é bem aceita, e tanto pegam no seu pé, que ele encontra uma solução para que o deixem em paz: compra uma boneca sexual pela internet.

O que poderia não passar de uma piada vira um constrangimento, porque Lars trata Bianca, a boneca, como uma mulher real. Conversa com ela, a leva à mesa na hora das refeições, apresenta aos amigos, deixando a todos perplexos com esse delírio.

Uma psicóloga acaba sendo convocada e, pra surpresa geral, recomenda que todos entrem no jogo de Lars, tratando a boneca como uma mulher de verdade – é o único meio de ajudá-lo. E mais não conto, mas acreditem, esse roteiro aparentemente estapafúrdio rendeu um filme terno e inteligente.

Mostra um homem se refugiando na fantasia para vencer seus traumas e mobilizando todo um vilarejo a fazer o mesmo: a população, solidária, trata a boneca como se ela tivesse pensamentos e vida própria.

Em determinado momento do filme, Lars está saindo da igreja com a sua “namorada” (que se locomove numa cadeira de rodas: seria demais exigir que ela caminhasse) quando uma moradora da cidade deixa no colo da boneca um buquê de flores artificiais. Lars agradece, se afasta com a cadeira e sussurra à namorada: “Não são de verdade, por isso vão durar para sempre”. É a frase que, a meu ver, resume não só o filme, mas um comportamento que está se tornando epidêmico.

A melhor maneira de fugir dos problemas é inventar uma vida em que tudo dê certo. Não por acaso, as relações virtuais andam com um ótimo cartaz, já que, em vez de serem realizadas, elas são controladas à distância.

Você se relaciona com fotos, com palavras tecladas, com alguém que está amenizando a sua carência sem que haja interação pra valer – é a legítima “proteção de tela” para ambos. Assim, fica fácil alcançar o romance ideal: como não há um envolvimento de fato, também não haverá decepções de fato.

Flores artificiais não perdem a cor e não precisam ser regadas, por isso se assemelham às relações dos nossos sonhos: são imortais. No entanto, não têm beleza, cheiro, não exigem dedicação, há apenas tédio, e acabam esquecidas num canto.

Não são de verdade, já que a verdade pressupõe mais instabilidade e emoção. Um amor de plástico, assim como flores de plástico, apenas servem para não dar trabalho, mas seu valor é nenhum. Onde não existe a possibilidade de morte, a vida não acontece.

Aproveite o dia. Uma ótima quarta-feira para vc


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Terça-feira, Novembro 24, 2009



24 de novembro de 2009 | N° 16165
LIBERATO VIEIRA DA CUNHA


Entre dois mundos

Num entardecer de novembro de 1989, precisamente há 20 anos, Lauro Schirmer, então diretor de Zero Hora, me chamou à sua sala para mostrar o que foi um dos acontecimentos mais importantes do século 20. Na tela da televisão, uma multidão, na noite de Berlim, se apropriava do Muro e o punha abaixo, desafiando a bipolarização do mundo entre duas superpotências e acabando com a cisão de um país dividido contra si mesmo.

Contemplei emocionado aquele capítulo vivo da História e disse a Lauro que não me faltava ver mais nada.

Eu era sincero. Conheci Berlim em 1980, ainda dilacerada, e não esqueço a primeira vez que transpus suas fronteiras. O ônibus cruzou o Checkpoint Charlie, e logo um impressionante aparato da polícia oriental nos cercou. Meus companheiros de travessia e eu fomos cuidadosamente revistados e meu passaporte examinado como se fosse uma arma letal. Depois de uma excursão por entre ruínas da II Guerra e a monumental arquitetura socialista – imensos pombais de mínimos apartamentos – retornamos ao ponto original.

Aí aconteceu o ápice da vigilância. Guardas fardados nos cercaram, aparatos com espelhos escrutinaram a parte inferior do ônibus, cães enormes farejaram cada recanto do veículo. Nunca me esqueci dessa cena.

Tornei a Berlim em 1982. A rigidez do lado leste era a mesma. Ainda assim, em algum fim de semana – eu tirava um curso de Jornalismo Avançado que durava três meses – volvia a cruzar a fronteira, dessa vez por Friederichstrasse. O roteiro incluía a fantasmagórica visão de uma estação de metrô mantida exatamente como era no dia em que o Muro foi erguido, aí incluídos anúncios de artigos havia muito esquecidos e arquivados. Era como se o tempo tivesse parado.

Regressei em 1987 para outros três meses também assombrados pela divisão entre dois universos.

Houve 1989. Voltei em 1991, mas então os espectros se tinham dissipado. Onde antes resistia o Muro, já não se via sinal de sua existência.

Era como se eu caminhasse por um pedaço de calendário olvidado pela evolução da humanidade.

Melhor assim.

A liberdade é algo que não tem preço.


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24 de novembro de 2009 | N° 16165
MOACYR SCLIAR


O jogo do fanatismo, o jogo da paz

A entrevista que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, deu a Tulio Milman (o brilhante editor da página 3) é um modelo de sobriedade e de bom senso, e contrasta com as declarações de Ahmadinejad negando o Holocausto.

Uma cantilena que o líder iraniano provavelmente não repetirá no Brasil. Sabe que aqui esta retórica, à qual não falta inclusive uma conotação neonazista, será muito mal recebida. Na verdade, até já está modificando a linguagem; numa entrevista recente admitiu que o Holocausto “talvez” tenha acontecido. Absurdo e má-fé.

Não pode haver qualquer dúvida quanto ao genocídio nazista: o assassinato de milhões de pessoas foi exaustivamente comprovado. No Brasil, não faltam inclusive testemunhos pessoais de sobreviventes. Além disso, é importante assinalar que o Holocausto matou principalmente judeus, mas não só judeus. Etnias como os ciganos, adversários do nazismo, minorias sexuais, membros de várias religiões e doentes mentais tiveram o mesmo fim. Será que o mandatário iraniano nega isso também?

O raciocínio de Ahmadinejad é muito simples – simplório, até. Parte da ideia de que o Estado de Israel foi criado por causa do Holocausto. Ora, como não houve Holocausto (sic), não deveria haver Estado de Israel, que portanto precisa ser “varrido do mapa”.

Tola como é, esta retórica tem, contudo, uma finalidade concreta: Ahmadinejad quer mostrar aos aitaolás que é um fundamentalista convicto, daqueles que não hesitam em negar a realidade em nome do fanatismo. É uma jogada, sinistra jogada mas jogada, um discurso para fins internos, e por isso creio que não será recitado no Brasil.

Lula tem um passado de luta pela justiça social, e isto sempre incluiu a rejeição de ideias nazistas e neonazistas. Bem que ele podia dar um discreto puxão de orelhas no líder iraniano. Talvez isso melhore a audição desse senhor. E sua lucidez.

Quando comecei a trabalhar em saúde pública, um de nossos maiores problemas era a desnutrição, que se manifestava em déficit de peso, sobretudo nas crianças, e em déficit de altura (por isso os nordestinos eram baixinhos).

Agora, a pesquisa Saúde Brasil 2008 mostra a mudança verdadeiramente dramática que ocorreu nesta área. Em 1996, a desnutrição afetava 13,4% das crianças com menos de cinco anos. Dez anos depois, esta porcentagem caiu a menos da metade (6,7%).

O déficit de altura reduziu-se em 75% neste grupo. Claro, desnutrição ainda existe e afeta muita gente, mas 43,3% dos adultos nas capitais brasileiras estão acima do peso. O que também traz problemas: aumenta a prevalência de diabete e de óbitos ligados a essa doença.

Conclusão: o Brasil mudou. Mudou para melhor, mas, como sempre acontece nessas situações, tal mudança não se fez sem um preço. Contudo, nada impede que os programas de saúde agora coloquem ênfase na dieta racional e no exercício físico. Obesidade Zero, deve ser agora o nosso lema. Frutas e verduras em vez de salgadinhos e alimentos gordurosos, calóricos. Dá para chegar lá.

Ainda falando em Oriente Médio: Lula está propondo, para março de 2010, uma partida de futebol entre o Brasil e uma seleção israelense-palestina. Em termos de esporte, certamente o jogo não será o bicho, mas em matéria de caminho da paz é uma boa proposta. Não esqueçam que a briga entre os Estados Unidos e a China praticamente terminou com uma partida de tênis de mesa entre jogadores dos dois países.

Ótima terça-feira ainda que com chuva. Que haja muto sol dentro de você.


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Segunda-feira, Novembro 23, 2009



Bananão desbanca vampiro

Divertido livro infantil que já vende mais do que "Crepúsculo" pode lhe ensinar algo sobre seu próprio filho

E squeça a vampiromania. A saga Crepúsculo perdeu o primeiro lugar na lista de best-sellers do jornal The New York Times. O mais surpreendente é que isso ocorreu na mesma semana em que estreava, mundialmente, cercado de alvoroço e marketing, o filme Lua Nova, adaptação para o cinema do segundo título da série Crepúsculo (Twilight, no original).

O novo número 1 da pesquisa do Times é o divertido Diary of a Wimpy Kid. No Brasil, Diário de um Banana.

São apenas três volumes: Diário de um Banana, Rodrick É o Cara e Dias de Cão – este último (Days Dog, no original) ainda não saiu no Brasil. Juntos, os três livros desbancaram os quatro que compõem a série vampiresca concebida por Stephenie Meyer.

Diário reproduz o cotidiano de Greg Heffley, um garoto magrelo e tímido que precisa lidar (fazendo o mínimo de esforço) com os incômodos da puberdade, os desmandos domésticos e os valentões da escola. Os volumes são escritos no formato de um diário, com linhas feito as de um caderno e desenhos bem toscos.

Dog Days, lançado na semana passada nos Estados Unidos, já é o livro mais vendido no site Amazon.com, ultrapassando inclusive o recente Dan Brown, O Símbolo Perdido. A procura foi tanta que a editora aumentou a tiragem inicial – de 3 para 4 milhões de cópias.

Alguns pais se mostraram preocupados. Nas primeiras cinco páginas do livro, aparecem palavras como “idiota”, “imbecil”, “babaca” e “meninas gostosas”. Especialistas advertem que aí não haveria problema. Sugerem, inclusive, que os pais leiam os livros. Joshua Sparrow, psiquiatra da Faculdade de Medicina de Harvard, leu o primeiro volume depois de ouvir comentários de um paciente e ficou entusiasmado:

– O livro capta o que a criança é capaz de conseguir e o que está além do alcance delas.

Lawrence Rosen, pediatra e fundadora do Whole Child Center, de Nova Jersey, diz que já conversou sobre os livros com a sua filha pequena. O que ela mais gosta no texto é que o personagem principal não é perfeito.

– O poder do livro está no banana, uma criança comum com problemas comuns, lidando com o que a vida oferece – diz Rosen. – Para os pais, acredito que ler os livros, ou pelo menos discuti-los com seus filhos, dá uma ideia mais real de como eles enfrentam o dia a dia.

O autor, Jeff Kinney, um designer de games de 38 anos, com um filho de seis e outro de quatro anos, diz que, em vez de oferecer lições de moral, preferiu focar no humor natural que aparece nas decisões erradas que as crianças geralmente tomam. Em um episódio do terceiro livro, Greg deixa seu melhor amigo ser castigado por uma diabrura que ele, Greg, havia aprontado.

– Decidi que a coisa certa, desta vez, era deixar o Rowley encrencado – comenta o garoto.

Kinney sublinha:

– Greg realmente pensa que ele fez a coisa certa e acha que aprendeu a lição. Você espera que em algum momento um adulto vá esclarecer tudo, mas isso nunca acontece. Se há uma lição no livro, é que façam o oposto do protagonista. Até o meu filho, que está no jardim da infância, entende que Greg está sendo malcriado e que não deve agir como ele.

Joshua Sparrow diz que parte do apelo do livro é que ele não moraliza.

– Se você tivesse uma voz onisciente dizendo para "fazer a coisa certa", os jovens não dariam a mínima. Isso dá espaço para a criança ser desafiada a decidir o que ela pensa.

Uma ótima segunda-feira e uma excelente semana


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Domingo, Novembro 22, 2009


DANUZA LEÃO

Como é difícil ser feliz

É hora de inventar alguma coisa para sofrer; afinal, não há nada mais difícil do que viver a felicidade

POR MAIS louco que pareça, é difícil suportar a felicidade. Você conhece alguém feliz? Nem eu, e os poucos que têm tudo para serem felizes ficam inventando modas para complicar a vida.

Ter uma vida familiar satisfatória, sem nenhum daqueles problemas graves que existem em quase todas as famílias, já é raro. Além desse aspecto, ainda existem as relações entre os parentes, que na maioria das vezes costumam ser explosivas, para dizer o mínimo.

Sogras odeiam noras -e vice-versa-, irmãs querem esfaquear as cunhadas, e levante as mãos para os céus se na sua família nunca existiu quem se engraçasse com quem não devia.

Se do lado familiar está tudo bem, o que já é raro, vamos ao profissional. Suponhamos que você, depois de muita luta, tenha conseguido chegar ao ponto que queria: bem de grana e prestígio na praça, o que não é pouco. Mas ainda falta o lado sentimental; como vai ele?

Por incrível que pareça, esse também vai bem. Encontrou a pessoa certa -quase certa, a bem dizer-, com quem os filhos se dão bem, a quem os amigos não torcem o nariz e até a família, que não deixa passar nada, aceita.

Além disso, está morando numa casa legal, tem o carro do ano, pode viajar mais ou menos para onde quer mais ou menos quando quer, e o resultado do último check up não poderia ter sido melhor. E mais: modéstia à parte, o visual não deixa a desejar, muito pelo contrário, e as mulheres estão chovendo na sua horta.

Não são razões de sobra para estar feliz? São, e até demais. Então é hora de inventar alguma coisa, qualquer coisa, para sofrer; afinal, não há nada mais difícil do que viver a felicidade.

Um dos recursos mais usados é o medo. Ah, se ela me deixar; ah, se eu ficar doente; ah, se minha mãe morrer; ah, se eu perder o emprego; ah, se um incêndio queimar a minha casa; ah, se eu perder a inteligência e não puder mais trabalhar; ah, se a inflação voltar e não der para pagar as prestações do apartamento; ah, se o avião que vai me levar para fazer a mais maravilhosa de todas as viagens cair -e por aí vai.

As poucas pessoa felizes -e por isso são felizes- não têm medo de nada e nunca acham que a vida vai piorar, muito pelo contrário. Mas os que estão com a vida boa encontram sempre uma maneira de achar um drama em tudo.

As mulheres são especialistas nisso: se está tudo bem, elas lembram daquele dia, oito anos atrás, em que o marido bebeu demais e ficou fazendo charme para uma mulher. Daí para uma grande cena de ciúmes é um passo -ah, como nós podemos ser insuportáveis às vezes. E o pior: essa crise pode durar dias.

Se não é por aí, então quem sabe no trabalho? Como está tudo meio burocrático demais, fica pensando em como seria bom que fosse mandado para longe por uns tempos; até Brasília seria uma boa, só para mudar de ares e de função. Mas pensa na praia, na maravilha que é morar no Rio, e abandona a ideia antes que seja tarde.

Mas, como não há nada mais monótono do que a felicidade, é preciso arranjar pelo menos um problema, um pequeno problema, para que a vida fique mais interessante, e isso é simples.

Basta pensar: e se sua felicidade acabar?

danuza.leao@uol.com.br

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Sábado, Novembro 21, 2009



22 de novembro de 2009 | N° 16163
MARTHA MEDEIROS


Um oásis no deserto

Aconteceu no Rio, pelo que ouvi falar. Um garoto aparentando ter uns 19 anos resolveu improvisar um pocket show usando uma esquina da cidade como palco: a cada vez que o semáforo fechava, ele se posicionava na frente dos carros e tocava saxofone por um minuto. Aí o sinal abria e ele voltava para a calçada.

Não era malabarismo para garantir uns trocados. Ele fez isso por... sei lá, sugira você uma razão: farra, vaidade, benemerência, esperança de cruzar com um produtor musical? O que importa é que fez, e o curioso é que assim que o sinal abria, os motoristas custavam a arrancar seus carros, perdiam a pressa. Haviam deparado com um pequeno oásis em meio ao caos.

Cheguei do Marrocos há pouco, como comentei na coluna de quarta passada. Um país encantador, com uma biodiversidade de tirar o fôlego. Cruzei a árida cordilheira Atlas, percorri uma pequena trilha que já fez parte do Paris-Dakar e cheguei a dormir uma noite num acampamento de tuaregues em pleno deserto: tudo estupendo, mas seco.

Ainda assim, engolindo areia, fui surpreendida várias vezes por alguns oásis que quebravam o jejum. Fazia-se uma curva na estrada e de repente se vislumbrava um conjunto de palmeiras verdes, tão verdes que pareciam pinceladas à mão. De onde brotavam, de que solo fértil, de que estúdio cenográfico? Pareciam miragens.

Aterrissei de volta ao Brasil e entre as notícias de um apagão inexplicável e de um escândalo mais inexplicável ainda por causa de uma reles minissaia que gerou teses sociológicas, preferi me ater a essa história do garoto saxofonista que fazia shows de um minuto no agito das ruas, silenciando os buzinaços com sua música. Pensei: também é um oásis.

O que não falta por aí são pessoas com vidas desérticas, pensamentos viciados, gente presa em calabouços e respirando por aparelhos, sem dedicar um minuto, um minutinho que seja por dia, a criar seu próprio oásis.

Os nossos podem ser tão numerosos quanto os que eu encontrei naquelas paisagens marroquinas em tons de terracota, em que já não se distingue o que é cor original ou desbotado, uma estética da solidão que tem sua beleza e força, mas que clama por um pouco de oxigênio.

As pessoas dizem que a tecnologia, que deveria servir para agilizar o nosso trabalho e liberar mais tempo para o lazer, está, ao contrário, produzindo ainda mais trabalho e mais stress.

A culpa não é da tecnologia, que, pelo que sei, ainda não tem cérebro, mas de seus usuários, que deveriam pensar mais em vez de entrarem na paranoia de preencher cada hora do seu dia com atividades produtivas, ignorando a produtividade que também há num encontro entre amigos, num cinema, numa caminhada, na audição de um disco, na meditação, num final de semana longe da cidade, na leitura de um livro, num passeio de bicicleta, num namoro, no desprezo à lógica e no respeito aos acasos.

Esses são os verdadeiros oásis, ao contrário dos oásis fabricados, como, por exemplo, restaurantes da moda onde não se come bem nem se ouve ninguém.

O saxofonista no meio da rua nada mais fez do que ofertar à nossa vida opaca um toque de verde.

Um ótimo domingo para você.


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Suzana Villaverde - Lailson Santos

O brinquedo dos famosos

No Twitter, gente que luta para preservar a vida pessoal passa o dia falando de sua vida pessoal. Às vezes, fala mais do que pretendia

DIA, NOITE E MADRUGADA


Sabrina, 310 000 seguidores: de tanto contar o que está fazendo, namorar escondido ficou difícil

É madrugada de uma segunda-feira e a apresentadora Sabrina Sato, acordadíssima, conta aos interessados o que está fazendo no momento. "Gente, estou até com vergonha, pareço uma coruja.

Não consigo dormir. Já tomei leite quente, rezei e li", lamuria-se Sabrina, que não passa mais de três horas sem fazer contato com seus mais de 300 000 seguidores, como é chamada a multidão cadastrada na sua página no Twitter, a rede virtual em que pessoas repartem sua rotina e suas impressões em mensagens rápidas, de até 140 caracteres.

No mesmo dia, depois de avisar na sua página que acabou de amamentar o filho Davi, a cantora Claudia Leitte (310 000 seguidores) fala com VEJA e, ato contínuo, twitta: "Acabei de dar entrevista! O assunto foi Twitter". Também cantora, também baiana, em outubro Ivete Sangalo fez questão de anunciar a seus 470.000 seguidores que estava indo para o hospital ter o filho, Marcelo.

"Crianças, agora vou parar de twittar porque acho que chegou a hora de ter meu baby. Obrigada pelo carinho de todos. Um beijo enorme!", digitou. Embora faça sucesso com meio mundo, ou mais, é entre as celebridades que a mania de dar palpite geralmente irrelevante, a qualquer momento, por celular ou computador, alastrou-se com mais vigor. Isto mesmo: quem antes fugia dos flagrantes para preservar a intimidade agora usa o brinquedinho para divulgar, por vontade própria, detalhes da vida pessoal.

"É o lugar que os famosos encontraram para chegar mais perto do público, impondo, ao mesmo tempo, a distância que querem estabelecer. O problema é que muitas vezes eles mesmos se esquecem e passam dos limites", alerta a consultora de imagem Renata Mello.

Até artistas muito reservados, como a cantora Sandy, apreciam a chance de manter uma relação mais próxima com os fãs. Ela lembra que, logo que entrou para a rede, em junho, chocou os seguidores (230 000, pelas últimas contas) com uma revelação espantosa: confessou que adorava picanha. Choveram comentários.

"Mesmo quando escrevo bobagem, as pessoas acham que é grande coisa. Recebi respostas do tipo ‘nossa, ela come a mesma comida que eu’", admira-se. Igualmente twitteira, a deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB-RS, menos de 8 000 seguidores até agora) também mantém blog e perfis no Orkut e no Facebook, espaços que aproveita tanto para mostrar seu lado mais pessoal quanto para discutir com a oposição com menos formalidade. "Quem quer informação oficial vai ao meu site.

O Twitter é algo comportamental, não é uma central de informações", diz. Para os famosos, uma das maiores utilidades da ferramenta é a possibilidade de negar boatos infundados. Sandy apelou ao Twitter para desmentir que estivesse grávida; Manuela, para esclarecer que não, não estava de casamento marcado. Já Sabrina, nos tempos em que queria manter escondido seu namoro - hoje assumido - com o deputado Fábio Faria (PMN-RN), passou por apertos estratégicos.

"A gente ia ao cinema e eu comentava o filme no Twitter. Ele tinha de tomar cuidado para não comentar a mesma coisa", lembra Sabrina, que, viciada confessa, twitta até em reuniões - "Mas meu lugar preferido é sentada no meu banheiro".

Fotos Anderson Schneider e Lailson Santos
VIVA A INFORMALIDADE


Manuela (à esquerda, 7 800 seguidores) e Claudia (310 000): o gosto de falar sobre tudo, inclusive, ou principalmente, sobre as coisas mais irrelevantes

Gafes acontecem, claro (veja o quadro abaixo), e, lidas por seguidores que se contam aos milhares, viram um caso sério em questão de minutos. No começo do mês, a atriz Thaila Ayala escreveu que "é ruim sentar na primeira cadeira do avião. Todo mundo fica olhando, como se você fosse paraplégico!". Todo mundo, no caso, comentou. Thaila se desculpou e apagou a frase, mas o registro ficou.

"As pessoas ainda estão mais acostumadas com o mundo físico, onde você conta alguma coisa para um amigo e, por mais fofoqueiro que ele seja, vai falar para outras dez pessoas. No mundo virtual, qualquer comentário tem abrangência mundial", diz Wanderson Castilho, especialista em segurança na internet. Ele estima que em média 40% dos seguidores de uma pessoa no Twitter leem a mensagem no instante em que ela é enviada.

Ou seja: não adianta apagar - alguém já viu. Primeiro brasileiro a conquistar 1 milhão de seguidores, o apresentador Luciano Huck diz que se preocupa o tempo todo em não contar mais do que deve, mesma atitude de sua mulher, a também twitteira Angélica.

"A gente toma muito cuidado para não deixar escapar algo que não queremos dividir", diz Huck. "Famoso ou não, a dica é sempre olhar o número de seguidores antes de começar a escrever qualquer coisa", aconselha a consultora Renata.


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Sexta-feira, Novembro 20, 2009



Celebridade instantânea

Esse caso de celebridade instantânea de Geisy Arruda, a estudante de turismo da Uniban que foi humilhada na faculdade e que, agora é cortejada por programas de TV e revistas masculinas, faz pensar.

A moça já trocou de cor de cabelo, penteado, vestido, posa para fotos, dá autógrafos em shoppings e disse que sua vida está uma bagunça. Claro que ela está gostando do movimento e das fotos e, possivelmente, vai esquecer daquele dia que ela julga “o pior da minha vida”.

É cedo para saber que as coisas ocorreram naturalmente ou se foram programadas ,como dizem alguns. Se foram, o marqueteiro parece que é dos bons. O futuro dirá. É cedo para falar de responsabilidades, culpados, etc. e para saber se a loira vai ganhar mais do que os tais quinze minutos de fama.

O tempo, o talento dela e os acontecimentos certos e incertos vão nos mostrar até onde vai Geisy. O lance parece roteiro de filme norte-americano. O interessante nisso tudo é, mais uma vez, notar que a vida de uma pessoa “comum”, se é que existe alguém “comum”, pode mudar radicalmente em pouco tempo, ou, no caso, em poucas horas.

Na Rua da Praia, lá pelos anos setenta, duas meninas de microssaia protagonizaram cena parecida com a de Geisy. A coisa foi menos que o caso de Geisy. Alguns assovios, palavras calientes e corre-corre do macharedo e aí elas se mandaram rápido, meio tropeçando sobre os sapatos de plataforma. Se não me engano pegaram um táxi no Largo dos Medeiros.

Os tempos eram outros, mais inocentes, e as duas, tanto quanto eu sei, seguem anônimas, lembradas apenas por alguns “jovens senhores” como eu. Às vezes o destino, o acaso e acontecimentos misteriosos mudam a trajetória de alguém. Outras vezes alguns planos ou desejos tipo mais conscientes mudam a vida. Às vezes pode ser tudo misturado mesmo, sei lá, a existência é um mar infinito de possibilidades. Vai saber!

Há quem diga que o melhor para o futuro é sempre resultado de uma conquista, que tem de ralar muito, que o melhor não acontece por acaso. Difícil dizer. O namoro-relâmpago de Luciana Gimenez com Mick Jagger e mais algumas coisas, como se viu, estão proporcionando milhões de minutos de fama. Ces’t la vie! O futuro a Deus e a nós pertence.

Quem sabe eu saio do Moinhos Shopping de Mini Cooper, com o bilhete da Mega-Sena acumulado premiado e junto com a Angelina Jolie. Claro, sem o grudento do marido dela. Torçam pelo meu destino! Pensamento positivo!

Está lá no livro do Paulo Coelho: se tu queres realmente algo, o mundo inteiro vai conspirar a teu favor. Sei lá, acredite nos seus sonhos, vá em frente, até citando Paulo Coelho. Eu vou!

Uma linda sexta-feira ainda que com chuva e um gostoso fim de semana


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Quarta-feira, Novembro 18, 2009


JOSÉ SIMÃO

Ueba! Movimento Reage, Helena!

Há duas semanas que ela limpa o nariz na manga da blusa! Um lenço para Helena!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Comentário da TV Vale Tudo sobre o filme do Lula: "Vou estragar o filme pra ninguém ir assistir. NO FINAL, ELE VIRA PRESIDENTE". Rarará! E um outro me disse que só vai assistir ao filme do Lula se ele morrer no final.

"A Fazenda 2"! Diz que faltou incluir o Zelaya: já tem chapelão de roceiro e é especialista em confinamento. E a Geisy da Uniban, é claro! E a Karina Bacchi tem um piercing na perereca! Piercing na perereca se chama PIERCEGUIDA! E ela já leiloou esse piercing para fins sociais. E um cara perguntou: "Se eu arrematar o piercing, é pra retirar no local?". Rarará! Eu adoro a Karina Bacchi, hilária!

E avisa pro Manoel Carlos que já tem o movimento Reage, Helena!. Precisa se ajoelhar pra levar um tapa da Lilia Cabral na cara? Precisa! Porque a Helena é chata, tava vestida de alma penada, sem maquiagem e a Lilia Cabral é deusa! Isso eu li no blog da Katylene. Rarará! E há duas semanas que ela limpa o nariz na manga da blusa! Um lenço para Helena!

E sabe como se chama o cara encarregado de investigar se foram os hackers que provocaram o apagão? Hermes CHIPP! Rarará! Esse é predestinado. E não foram os hackers que provocaram o apagão. Foi o Zé Mayer! Ele passou uma mensagem pelo celular: "Me espera no banho que eu tô indo praí agora". E enviou pra agenda inteira. Aí, 120 milhões foram pro banho. E apagou o Brasil!

Socuerro! O IPTU DO KASSAB! "Kassab vai aumentar o IPTU em até 60%." Então não é IPTU, é HIPER-TU! IPTU de ITU! IPTU quer dizer Impossível Pagar Tudo Isso! E avisa pro Kassab que em São Paulo carro é que paga IPTU. Porque não sai do lugar, é imóvel!

E avisa pro Kassab que São Paulo só tem buraco. Parece que a gente tá andando de touro mecânico! Vou trocar o meu carro por um! E avisa pro Kassab que, durante a campanha, ele falou que a Marta iria aumentar o IPTU! E todo mundo acreditou. É mole? É mole, mas sobe!

Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que no Rio Grande do Norte tem um município chamado Jardim de Piranhas! Uau! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Santificada": companheira que transa todo santo dia. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

simao@uol.com.br

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18 de novembro de 2009 | N° 16159
MARTHA MEDEIROS


Salve a família irreal

Excetuando uma viagem escolar aos 15 anos de idade, nunca saí em excursão, e olha que já rodei esse mundo um bocado. Excursão, pra mim, sempre me pareceu uma espécie de Alcatraz, uma maneira de viajar com uma bola de chumbo nos pés, protegendo-se contra o que o desconhecido pode trazer de melhor, que é a liberdade e as surpresas.

Então sempre preferi viajar a dois, que é sublime, ou sozinha, que não é nenhum castigo. No entanto, conspirações cósmicas têm me feito aceitar que às vezes é preciso flexibilizar nossas certezas, e acabo de excursionar pelo Marrocos semissolitária, porque solitários somos todos, e semiacompanhada por outras 25 pessoas. Contrariando todos os prognósticos, deu certo.

A fórmula do sucesso é simples: entrar num grupo culturalmente homogêneo e aceitar que você deve se adaptar aos outros, e não eles a você. É imprescindível deixar em casa o “eu não quero”, “eu não vou”, “eu não gosto”, e com bom humor encarar o que for decidido comunitariamente.

Mas, mesmo nesse meu inspirado momento “topo todas”, não me aventurei no escuro: escolhi uma turma liderada por uma amigona que é professora de história da arte e que tem milhagens para dar e vender, nasceu com uma mochila nas costas. Portanto, a chance de entrar numa fria era remotíssima.

Três dias depois de voltar, estava dentro do cinema assistindo a This is It, documentário sobre os ensaios que Michael Jackson fez para os nunca estreados shows em Londres, já que uma overdose de medicamentos o tirou de cena.

O filme não chega a ser uma surpresa em termos de performance – quem não sabe o quanto o homem dançava? –, mas é um tributo à delicadeza, e não porque o protagonista vivesse num parque de diversões.

O filme mostra que Michael Jackson era um profissional adulto, rígido em suas escolhas, obcecado por qualidade. Mas era também obcecado por bons modos: nunca precisou levantar a voz para comandar seus dançarinos, nunca economizou nos elogios e agradecimentos, nunca permitiu que os nervos se alterassem.

O mérito do filme, além de destacar o inimitável talento pop de Michael, é deixar clara a eficiência da gentileza para unificar pessoas antagônicas. Havia um grupo a ser liderado, conduzido, gente de toda procedência, de tudo quanto é idade, e que juntos, naqueles meses de ensaio, se transformaram numa nova família Jackson. Não mais os Jackson Five, mas os Jackson 183, os Jackson 254, ou um número aproximado, se levarmos em conta todos os envolvidos numa megaturnê.

Uma excursão turística também é uma família. Aliás, era assim que a gente se chamava pelas ruas de Marrakesh ou perdidos na muvuca de Fez. Quando o grupo começava a se dispersar demais, a sumir pelas labirínticas medinas, soava alguma voz de comando: “Família!”. E todos rapidamente se reuniam e reverenciavam nossa divertida família irreal.

Éramos adultos gentis tentando administrar diferenças. Éramos seres que nunca haviam se visto, e nem visto aquelas cidades exóticas no norte da África, mas que sabiam a importância da cortesia para fazer a coisa funcionar. Éramos o que somos todos: participantes de uma coletividade em busca de uma convivência sadia.

O grupo do Marrocos sobreviveu. O de Michael, por razões óbvias, não. Mas o filme está aí para, além de nos extasiar com sua música, mostrar o quanto a boa educação também pode dar espetáculo.


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Terça-feira, Novembro 17, 2009


JOSÉ SIMÃO

2012 Urgente! Começou "A Fazenda"!

Elenco de primeira. Só faltou a Stephany, a filha da Gretchen e a Garota da Laje!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!

Socuerro! Todos para o abrigo! Me mate um bode! 2012 foi ontem. Começou "A Fazenda". Mais um SURREALITY SHOW da Record! Elenco de primeira: Adriana Bombom, Sheila Mello e a ex do Theo Becker!

Só faltou a Stephany, a filha da Gretchen e a Garota da Laje! Agora, sacanagem é botar a Sheila Mello pra cuidar das galinhas! E eu tô achando essa "Fazenda" muito CULTURRAL! Rarará!

Por que a Sheila Mello foi fantasiada de Geisy da Uniban? E por que a Andressa Oliveira foi fantasiada de Geisy da Uniban? Geisy da Uniban é tendência na "Fazenda"! E adorei o crédito da Andressa Oliveira: "Ex do Theo Becker". Uau, namorar barraqueiro dá fama. Superfamosa. Classe A. A de anônima!

Esse casting é muito trash. Mais trash que aquele filme de terror "Matadores de Vampiras Lésbicas"!

E a Karina Bacchi tá parecendo a Margarida do Pato Donald. Peito empinado e bico de pata! Ela podia fazer duelo com a Alline Moraes.
Duelo de bicos! Bicos de tênis Conga.

E o PGN, o meu Partido da Genitália Nacional, vai criar uma faculdade para as rejeitadas da Uniban: UNIBUNDAS. Não tem matrícula nem mensalidade. Cada uma dá o que pode! E tá tão quente aqui em Sampa que um amigo meu foi pro supermercado. Ficar na frente da gôndola de frios e laticínios. Ar condicionado de graça! E a última sobre o apagão:

"Apagão é mais econômico que horário de verão!". E a piada pronta da semana é a faixa estendida na Uniban: "4ª Semana Selvagem".

PRAGA DO MALUF! E a ponte do Rouboanel que desabou? Praga do Maluf! Tudo que cai em São Paulo eu acho que é praga do Maluf: "Minhas obras são caras, mas não caem". Deu uma sexta-feira 13 nos candidatos 2010! Acabou o apagão da Dilma, desabou o Rodoanel do Serra.

A culpa do apagão é o raio de Itaberá. Aliás, os repórteres perguntaram pra Dilma Furacão: "É blecaute ou apagão?". E ela, muito meiga, gritou: "Ô RAIOS!". E a culpa pelo Rodoanel?

Um urubu fugindo da macumba de sexta 13! Aí bateu e derrubou três vigas. Rarará! E o Eramos6 revela o que o Serra falou quando viu o Rodoanel: "Que pena, vai demorar mais tempo para cobrar pedágio". Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse o outro: é duro, mas desce.

E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Obelisco": companheiro do Asterisco. Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.


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17 de novembro de 2009 | N° 16158
LIBERATO VIEIRA DA CUNHA


Montevidéu na primavera

Algumas pessoas viajam para a Tasmânia, outras para Pago-Pago. Eu escolhi agora como destino, para uma breve temporada, Montevidéu, Uruguai. Fiz isso por pura saudade de um tempo que se foi. Minha primeira viagem fora das fronteiras de Porto Alegre e de Cachoeira, isto quando eu tinha 18 anos, foi a amável república que nos dá a honra de sua vizinhança. Quer dizer: meu combustível era a saudade.

Me aguardava em Carrasco um novíssimo aeroporto, que lembra Renzo Piano e outros grandes mestres da arquitetura. Mais do que ele, me esperava uma sedutora recepcionista: a primavera luminosa que me fez graciosa companhia durante todos os dias que passei na oriental, democrática república.

Embora conheça Montevidéu há tanto tempo, refiz percursos ao modo de quem recém lhes fosse apresentado. Cheguei a me inscrever em city tours que me levaram da renovada Ciudad Vieja a Playa Ramirez, Punta Carretas, Pocitos, Malvin e a uma infinidade de outros bairros em que nada havia mudado para tudo mudar. Eu sou o primeiro no entanto a reconhecer que havia um sentido de permanência no ar. Há detalhes da arquitetura de uma capital que no Brasil mudam a cada instante. Na do Uruguai, no entanto, resta uma atmosfera de completude que talvez nunca se altere.

Falo da arquitetura humana. As pessoas são amáveis. As fórmulas de cortesia são universais. Nada me tocou mais do que tornar a ouvir, depois de agradecer por qualquer favor, uma brevíssima sentença: Usted merece. São fórmulas que fazem parte natural da conversação, como quem diz bom dia ou por favor. A cidade em si praticamente é a mesma que conheci no distante ano da graça de 1963. Há, é claro, o novo palácio presidencial, uma escultura em aço e vidro, em azul e esmeralda, que encanta por suas linhas sóbrias e belas. Há também a torre das telecomunicações, mas esta é mais antiga. Restam intocadas as ruas margeadas de plátanos, as casas de um traço clássico, monumentos como o Palácio Salvo, os cenários da Rambla Costanera.

E sobrevivem, aparentemente muito bem da saúde, os cassinos, aí incluído um novo, Las Maroñas, em plena Avenida 18 de Julio. Foi instalado em um palácio restaurado em todo o esplendor, mas guarda para mim um pecado capital: as apostas não se fazem com o prestimoso auxílio do crupiê, mas com os bons ofícios de mecanismos eletrônicos.

Nada disso no entanto rouba o charme de Montevidéu. Este vai desde as crianças em seus uniformes escolares ao sóbrio desenho das mansões ancestrais.

Sem falar, é claro, na senhorita que nunca viste e de repente te lança todo um olhar de fascínio e de mistério.

Uma linda terça-feira, com muito sol lá fora e ai dentro de ti.


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Segunda-feira, Novembro 16, 2009


MOACYR SCLIAR

A cura pelo beijo

Estão namorando (e beijando muito). Descobriu o que é bom para a tosse, ao menos para a que nasce da neurose

Leandro Vissotto, jogador da seleção brasileira de vôlei e do Trentino, da Itália, foi repreendido por membro da organização do Mundial de Clubes de Vôlei por beijar sua mulher após a conquista do título. Folha Online

Estudantes chineses denunciaram que uma universidade do leste da China criou "patrulhas do beijo" para policiar casais que estejam se beijando nas dependências do instituto. As patrulhas são formadas por estudantes voluntários da própria faculdade, que verificam se os casais estão se abraçando, beijando-se ou sentados próximos demais.

As patrulhas são supervisionadas por professores. Uma moça descreveu contou que ela e o namorado estavam sentados, trocando beijos; um patrulheiro se colocou atrás deles e ficou tossindo até que eles se separassem. Folha Online

ELE ODIAVA beijos, sobretudo beijos em público. Era uma coisa que deixava-o profundamente perturbado, fora de si, quase. Mas, por outro lado, vibrava de alegria quando lia alguma notícia sobre repressão a beijoqueiros.

A nota sobre o jogador brasileiro de vôlei Leandro Vissotto, repreendido por um membro da organização do Mundial de Clubes de Vôlei por beijar sua mulher após a conquista de um título, deixou-o simplesmente eufórico. O mundo tem esperança, repetia a si próprio, a moralidade será vencedora.

Os amigos ficavam espantados e consternados diante dessa insólita situação, mesmo porque, aos 17 anos, ele era um jovem bonito, que poderia facilmente arranjar uma namorada -e beijá-la à vontade, se fosse o caso. Não era o caso.

Ele era, por assim dizer, o líder de uma imaginária cruzada contra a imoralidade -saias curtas, maquiagem excessiva- mas, principalmente, contra o beijo, para ele uma conduta absolutamente afrontosa. Jurara para si próprio que jamais casal algum se beijaria perto dele.

Mas como evitar essa situação? Não poderia, claro, recorrer à violência. Alguns professores que o apoiavam haviam feito claras advertências neste sentido. Não, teria de recorrer a algum meio eficiente mas não agressivo para expressar sua repulsa.

E aí lhe ocorreu: a tosse. Todo mundo sabe que tossir é uma forma fácil e prática de chamar a atenção, de advertir pessoas inconvenientes. Naquele mesmo dia fez a primeira experiência nesse sentido. Avistou, na universidade, um jovem casal se beijando. Colocou-se atrás deles e começou a tossir escandalosamente -até que eles pararam.

O rapaz, irritado, levantou-se e saiu dali, resmungando. Mas a moça, que ele aliás conhecia, ficou a olhá-lo -aparentemente sem qualquer rancor, e até com simpatia, o que deixou-o muito perturbado. Deu as costas e foi embora. À noite, estava no quarto, sozinho, escrevendo um artigo sobre os riscos de transmissão de doenças pelo beijo, quando alguém bateu à porta. Abriu, e era a moça. Sorrindo, ela lhe estendeu um frasco.

Era xarope contra a tosse. Num impulso, ele puxou-a para si e beijou-a apaixonadamente, o primeiro e decisivo beijo de sua vida. Estão namorando (e beijando muito). Quanto ao xarope, deu-o a um amigo. Descobriu o que é bom para a tosse, ao menos para a tosse que nasce da neurose: é o beijo. Grande, grande remédio.

MOACYR SCLIAR escreve, às segundas-feiras, um texto de ficção baseado em notícias publicadas na Folha.


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Bombeiro resgata família

Diante de carro submerso em Pedro Osório, Gerson Silva se jogou na água e evitou tragédia

Quando se formou como bombeiro, Gerson Luis Castro da Silva, 31 anos, já tinha a certeza de que a paixão pela profissão estava no sangue. Na manhã do último sábado, quando viajava de férias, ele recebeu mais uma prova ao salvar quatro pessoas, incluindo um bebê de um ano. O motorista do veículo não resistiu e morreu.

O acidente ocorreu em Pedro Osório, na rodovia Jaguarão-Camaquã (BR-116). Ao se aproximar do local, o bombeiro, que viajava de Pelotas a Jaguarão com a mulher e o filho, percebeu um veículo que havia caído no barranco e estava quase todo submerso. Dentro do carro, uma pessoa gritava por socorro. Gerson acionou imediatamente o resgate da rodovia.

– Tinha chovido muito. Sabia que o carro ia ficar submerso rapidamente. Passei o telefone para minha mulher e resolvi entrar na água – conta.

Fora do carro, duas mulheres, que se seguravam em uma cerca dentro da água, gritavam para que ele salvasse um bebê.

A correnteza era muito forte e Gerson lutou várias vezes para chegar perto do carro. O acesso ao veículo era difícil porque havia muitos espinhos em volta, além de ferros retorcidos e vidros quebrados. O bombeiro se cortou diversas vezes, mas conseguiu chegar e retirar uma das vítimas.

– Tinha medo de que as mulheres não suportassem a força da correnteza e se soltassem da cerca. Quando olhei para elas, vi ao longe alguém acenando com algo no colo – conta.

Era o bebê, que, depois de ser carregado pela água cerca de 300 metros, foi encontrado por um morador. O bombeiro gritou para que a mulher, Denise Gamio Dias, 33 anos, enfermeira, socorresse a criança. Juntos eles tentavam reanimar o bebê, que havia engolido muita água, quando Gerson soube que o motorista, Rodrigo Alves Duarte, 27 anos, ainda estava preso no carro. O bombeiro se jogou outra vez na água. Várias vezes o bombeiro foi jogado para longe do veículo.

– Tive medo de não conseguir vencer a correnteza – relata.

Quando conseguiu se prender ao automóvel, ele quebrou os vidros com as mãos. Com o motorista preso em uma corda, Silva venceu a correnteza sozinho.

– Nunca passei por nada assim. Sempre temos uma equipe, além dos equipamentos. Dessa vez, minha família foi a minha equipe.

Enquanto tudo acontecia, o filho de Silva, Bruno Menezes da Silva, de nove anos, fazia a sua parte.

– Tentei acalmar as pessoas que estavam fora da água. Para mim, meu pai foi um herói.

Com a chegada do socorro, toda a família foi atendida. O motorista não resistiu e morreu no local. O bebê foi internado em estado grave no hospital de Pelotas e transferido para o Hospital das Clínicas, na Capital.

leticia.mendes@zerohora.com.br

Uma gostosa segunda-feira e uma linda semana para você


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Sábado, Novembro 14, 2009



15 de novembro de 2009 | N° 16156
MARTHA MEDEIROS

Futebolzinho

Você já pensou em quantas mulheres dariam tudo para que o marido jogasse um futebolzinho de vez em quando?

VOcês se veem todos os dias. Conversam sobre todos os assuntos. Almoçam ou jantam juntos diariamente. Transam com alguma assiduidade. Viajam juntos. Vão ao cinema juntos. Dormem juntos. Passam todos os Natais juntos. As férias juntos. Pelo amor de Deus, como é que você tem coragem de reclamar do futebolzinho dele?

Todo mundo precisa respirar dentro de um casamento. Você, que vive se queixando do futebolzinho dos sábados, ou do futebolzinho das quintas, ou seja lá em que dia o seu marido jogue um futebolzinho com os amigos, deveria se ajoelhar e agradecer por ele ter um hobby e não compartilhá-lo com você.

Ele precisa ver outras pessoas, se desintoxicar do ambiente familiar, suar a camisa, perder a barriguinha, tomar um chopinho. Você não pode privá-lo de uma coisa tão inocente.

Você já pensou em quantas mulheres dariam tudo para que o marido delas jogasse um futebolzinho de vez em quando? Tem marido que fica em casa o dia inteiro, tem marido aposentado, tem marido que só faz dormir, tem marido que não sai da frente da televisão, tem marido sem amigo: bendita seja você que tem um marido que joga um futebolzinho.

Tem marido que viaja a trabalho toda semana, marido que vive jogando pôquer às ganhas (e sempre perde), marido que desaparece de casa e só volta três dias depois, marido que cheira, fuma e bebe todos os dias, marido que aposta até a sogra nos cavalos, marido que é violento, marido que é retardado: louvado seja o marido que só quer jogar seu futebolzinho em paz.

O futebolzinho permite que você enxergue as pernas do seu marido no inverno. O futebolzinho faz com que ele externe sua virilidade, sua fúria, sua raiva contra aquele juiz filho da mãe. O futebolzinho resgata o homem primitivo que ele tem dentro dele.

O futebolzinho ajuda-o a descarregar a tensão, dá a ele uns hematomas para se orgulhar. O futebolzinho é sua religião, e você quer acabar com isso só porque ele não tem prestado atenção em você? Vá procurar suas amigas e tomar um vinhozinho, bater um papinho, pegar um cineminha. Vá descolar seu próprio futebolzinho.

Eu achei que estava fora de moda o grude nas relações, que isso era coisa do passado, mas recebi um e-mail comovente de um homem apaixonado pela esposa que tenta, deseperadamente, preservar seu futebolzinho, que ela, por seu lado, tenta a todo custo exterminar. Fiquem espertas, garotas. O futebolzinho, o vinhozinho e tudo o mais que homens e mulheres fazem separados um do outro é o que os mantêm juntos.


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14 de novembro de 2009 | N° 16155
NILSON SOUZA


Páginas da vida

Zuca e Pedro estiveram na Feira do Livro em dias diferentes, mas com o mesmo objetivo: autografar suas obras.

Zuca saiu de São Sebastião do Caí com uma bolsa cheia de livros, edições do autor, custeadas com seus ganhos de consultor de vendas, primeiro trabalho do escritor iniciante de um texto centrado no combate à corrupção. Passou uma hora sentado sozinho na Praça de Autógrafos, uma espécie de multipalco das celebridades do livro. Vendeu um livro e assinou um autógrafo.

Pedro desembarcou na Feira do olimpo de campeão de vendas no país. Em 36 anos de ofício, 70 obras publicadas, mais de 21 milhões de exemplares vendidos e a glória suprema de atingir o coração de crianças e adolescentes. O autor de A Droga da Obediência já tem livro transformado em filme e reconhecimento internacional. Sua sessão de autógrafos provocou filas de pequenos leitores inquietos e de mães embevecidas.

Zuca e Pedro, como este cronista sabático e incontáveis escribas, usam as letras como tijolos para dar forma concreta a suas ideias e a seus sonhos. O livro é uma espécie de casa própria construída com as próprias mãos. Só para de pé se os alicerces estiverem bem plantados, se as paredes forem sólidas e se o telhado resistir às intempéries. E, principalmente, se for edificada com matéria-prima de qualidade.

A morada de páginas pode ser a casa de Zuca, frequentada apenas por ele mesmo ou por algum extraviado que aparece para pedir um copo d’água. Pode ser também a cidade de Pedro, visitada por multidões. Ambas, porém, são amadas por seus proprietários, porque contêm as páginas de suas vidas.

Zuca, o anônimo autor de Pela Decência da Política, é Luiz Augusto Flores, que passou sozinho a sua sessão de autógrafos no primeiro dia desta semana. Pedro carrega no sobrenome uma Bandeira de sucessos literários. Os dois são personagens inesquecíveis desta obra aberta chamada Feira do Livro de Porto Alegre, que continua atraindo leitores viciados e curiosos ao centro da Capital.

Zuca tenta consertar o estrago moral e cultural do país com uma pregação ética dirigida a adultos. Pedro opera no mesmo sentido, mas sua missão talvez seja mais decisiva: ele lida com mentes infantis e adolescentes. Seus livros também abordam o contraste honestidade/desonestidade, em ritmo de aventura, de modo a fazer sentido para leitores em formação.

Bendita e democrática Feira, que oferece o mesmo palco para atores tão diferentes e revela que eles lutam pela mesma causa com a mais civilizada das armas: a palavra.


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Sexta-feira, Novembro 13, 2009



A Capital, o Interior e os interiores de Sergius Gonzaga

Sérgio da Costa Franco perguntou onde andavam os cronistas que falavam das pessoas, ruas, avenidas, esquinas e coisas da cidade. Sérgio, que veio do Interior, deve ter gostado muito de O hipnotizador de Taquara e outras crônicas de tevê ( Leitura XXI, 192 páginas), do professor e crítico Sergius Gonzaga, nosso secretário municipal da Cultura.

Sergius nasceu em Taquara, saiu de lá guri para morar em Porto Alegre, mas Taquara, felizmente, nunca saiu dele. Iberê Camargo falou que a gente nunca esquece do lugar onde viu pela primeira vez a luz do sol. Quase todas as crônicas do livro foram apresentadas no programa de TV Câmera 2, de 1987 a 1989 e aí na leitura se ouve a voz abaritonada do autor e os textos ficam ainda mais vivos e sonoros.

Sergius fala de pessoas e cenários de Taquara e Porto Alegre, especialmente das décadas de 50 a 80 e mescla, em meio a primorosas descrições tipo querosianas, fatos da vida pessoal e históricos, como o suicídio de Getúlio Vargas, o 31 de março de 1964 e as passeatas que os estudantes faziam, a partir da Filô da Ufrgs. Impressionante a memória do Sergius e nem é memória inventada. É memória mesmo.

O autor descreve o espanto dos interioranos com as sedutoras luzes da cidade, fala sem nostalgia ou pieguismo dos tempos dos bares Langur, Liliput e Alasca, este atendido só por um garçom, Isac. Fala da melancolia dos finais de domingo, dos velórios de antigamente, dos padecimentos dos “gordinhos” e dos charmosos bondes. Os desejos e “amassos” possíveis da época andavam de bonde, em velocidade provinciana.

Pessoas, política, universidade, jornalismo, cinema, cultura e comportamento daqueles anos verdes, dourados e plúmbeos estão lá, junto com emotivas recordações de pai, mãe, irmãos e amigos. Se você tem cinquenta ou mais e, se veio do Interior, não deixe de ler. A Capital, o Interior e os interiores do Sergius estão lá, afetuosa e sinceramente entregues. São nossas balzaqueanas, rodrigueanas e proustianas histórias, de tempos em que, como disse o Quintana,

Porto Alegre tinha deixado de ser uma grande cidade pequena para ser uma pequena cidade grande. É a crônica de uma geração. Se você ainda não teve a felicidade de chegar aos cinquenta, não se apresse, mas leia para saber como eram e tudo o que fizeram aqueles jovens que não aceitaram mordaças e acreditavam em paz, amor, possibilidades de sexo, margaridas, rock, normalistas, alguns aditivos “ligantes” e até num Brasil melhor. Os caras contribuíram, deixaram suas pegadas.

Sergius registrou os papos dos corredores da Filô da Ufrgs, as festas, os filmes e as preleções do então noviço Luiz Osvaldo Leite sobre os eternos problemas da carne humana. Leia como se ouvisse o Sergius na porta da Livraria do Globo, na rua da Praia.

Ótima sexta-feira e um excelente fim de semana para todos nós.

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Quinta-feira, Novembro 12, 2009



12 de novembro de 2009 | N° 16153
APOSENTADOS


Lula decide bancar a proposta de 6%

Reajuste para quem ganha mais do que o mínimo será levada ao plenário

Em uma rápida reunião de meia hora espremida pelo tema do blecaute, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu ontem à tarde com ministros e deputados que o governo vai bancar a proposta fechada em agosto com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical para o reajuste das aposentadorias acima de um salário mínimo.

A oferta para os próximos dois anos prevê corrigir os benefícios pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acrescido de 50% do crescimento do PIB, o que daria um aumento em torno de 6% em 2010.

Segundo o deputado Pepe Vargas (PT), relator do substitutivo que reúne as propostas do governo para a Previdência, Lula deve chamar hoje líderes de partidos e da base aliada para enfrentar o debate com os aposentados e a oposição no Congresso. Conforme o deputado, a proposta pode ser votada na forma do substitutivo ou ser resolvida por medida provisória.

– Somos o único país do mundo que vai dar aumento real para os aposentados – alega Pepe Vargas.

O governo também reiterou o apoio à substituição do fator previdenciário pelo chamado cálculo 85/95, que permite a aposentadoria pelo teto para mulheres que somarem 85 anos de idade e contribuição. No caso dos homens, a soma deve ser 95 anos. Além das aposentadorias, o governo quer definir a política de valorização do mínimo que deve vigorar até 2023.

Líder do governo na Câmara, o deputado Henrique Fontana (PT) admitiu que a posição do governo deve desagradar os aposentados e as pequenas centrais sindicais, contrárias ao acordo fechado em agosto. Mas ressaltou que é pouco o espaço para mais concessões.

– Estamos falando aqui do que é possível, não do ideal – disse Fontana.

Ontem, as seis maiores centrais sindicais do país entregaram aos presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, José Sarney (PMDB-AP), documento em que pedem a votação da proposta de emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Foi a principal reivindicação da pauta da 6ª Marcha dos Trabalhadores, movimento que reuniu milhares de manifestantes em Brasília.

Meus amigos, uma ótima quinta-feira para todos nós. Aproveitem o dia

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Terça-feira, Novembro 10, 2009



Ueba! Uniban tem moral de jegue!

Agora as alunas da Uniban têm três opções de modelo: burca, xador e saco de lixo!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!

Fora, Uniban! Pela descriminalização das gostosas! A Loira da Uniban! Esse foi o grande babado da semana: "Uniban expulsa estudante de minissaia". Aquela loira da minissaia que quase foi apedrejada, estripada e espancada pelos universitários. Os UNIVERSOTÁRIOS!

E Uniban vira Taleban! E os alunos da Uniban que foram no programa da Lucianta Gimenez? Um aluno disse: "Estão DEFAMANDO a universidade".

E outro: "Querem DEGRENIR a universidade". Agora as alunas têm três opções de modelo: burca, xador e saco de lixo! Minissaia de novela da Globo nem pensar!

Aliás, sabe como chamam aquelas minissaias da novela da Globo? Abajur de perereca! Rarará! O caso saiu até no "New York Times" e "Guardian"! E corre no Twitter a melhor manifestação a favor da aluna: PELA DESCRIMINALIZAÇÃO DAS GOSTOSAS. Rarará!

A Uniban alega que a menina gostava de provocar os meninos. Como disse uma amiga minha: "E quem não gosta?". Rarará! E como disse o Xico Sá: "Muda a placa Cuidado/Escola para Cuidado/Uniban"!

E diz que a Uniban está em penúltimo lugar no ranking de universidades. Mentira! Estão DEFAMANDO e DEGRENINDO a universidade.

Rarará! E o modelito não é atentado ao pudor coisa nenhuma. É atentado ao bom gosto! Essa universidade tem moral de jegue! E a Madonna vem pro Brasil arrecadar dinheiro para causas sociais.

Como é o nome da vinda da Madonna? Marcha para Jesus Luz! E olha esse classificado: "Rapaz solteiro procura solteira de 25 a 40 anos para compromisso e que seja peluda".

O Brasil é socialmente injusto, mas sexualmente tem pra todo mundo. E essa: "Casal gaúcho oferece-se".

O problema de pegar casal gaúcho é que você tem que comer os dois. É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão!

Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que dois portugueses chegaram ao Brasil e abriram um motel chamado Motel Nossa Senhora de Fátima. Faliu em três meses! Mais direto impossível.

Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula, o Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Guerras Púnicas": guerra entre companheiros pra ver quem solta mais pum. Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza.Hoje só amanhã.

simao@uol.com.br


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Universidade volta atrás e mantém aluna

Caso da universitária paulista hostilizada por usar vestido curto teve repercussão mundial Entrevista: Geisy Arruda, estudante

Um dia depois de anunciar a expulsão da estudante Geisy Arruda, 20 anos, perseguida e humilhada por usar um microvestido em sala de aula, a Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) voltou atrás.

Adecisão foi anunciada no início da noite de ontem, após o caso ganhar destaque internacional e virar assunto nas rodas de conversa do país.

A controvérsia veio à tona em 22 de outubro, quando a aluna do curso de Turismo foi à faculdade com as pernas à mostra e acabou hostilizada por colegas. As agressões foram gravadas e divulgadas na internet. A jovem não frequentou mais a Uniban, que no domingo comunicou o seu desligamento.

Ontem, por meio de uma nota oficial, a instituição revogou a medida sem dar maiores explicações. O texto do documento diz que, “com isso, o reitor dará melhor encaminhamento à decisão”. É possível que a repercussão da história – tanto na mídia quanto entre entidades estudantis e feministas – tenha influenciado a reitoria.

A notícia do desligamento de Geisy havia ultrapassado não apenas as fronteiras de Diadema, onde ela vive com a família, na Grande São Paulo, mas os limites do território brasileiro. Na imprensa internacional, dois dos mais importantes jornais a tratar do tema foram o inglês Guardian e o norte-americano New York Times.

O site de notícias Associated Content, por exemplo, observou que a história teria recebido “atenção secundária” se tivesse ocorrido nos EUA e que a “reação excessiva” transformou a aluna em “celebridade mundial”.

Por aqui, a punição inesperada continuou provocando manifestações indignadas ontem, inclusive em Porto Alegre. Durante a manhã, carregando cartazes contra o “machismo”, integrantes do Diretório Central de Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) pressionaram a reitoria para que entrasse na briga e cobrasse do Ministério da Educação (MEC) rapidez no caso.

MEC deu 10 dias de prazo para que Uniban se explique

Agilidade, no entanto, não faltou ao órgão. Ainda pela manhã, o MEC decidiu impor um prazo de 10 dias para que a Uniban se explicasse. O ministério chegou a abrir um processo de supervisão para analisar se a aluna de fato teve direito à defesa.

O caso foi parar na Delegacia de Defesa da Mulher. A delegada Angela de Andrade Ferreira Ballarini abriu inquérito para identificar os alunos envolvidos e apurar o que aconteceu.

Ainda durante a tarde, antes do anúncio da Uniban, os advogados de Geisy chegaram a divulgar, em uma entrevista a jornalistas, que entrariam na Justiça para que a jovem pudesse voltar às aulas. Até o início da noite de ontem, eles não haviam sido comunicados oficialmente da alteração. A polêmica em torno do caso, porém, não deve terminar aí.

Uma linda terça-feira para você ainda que com chuva. Aproveite o dia.

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Segunda-feira, Novembro 09, 2009


MOACYR SCLIAR

A guerra das rosas

Foi isso que motivou os partidários das rosas vermelhas a desafiar os admiradores das rosas azuis

A multinacional japonesa Suntory apresentou em Tóquio o que assegura ser a primeira rosa azul do mundo. Em colaboração com a australiana Calgene Pacific, a empresa japonesa Suntory levou duas décadas para conseguir a flor, um objetivo perseguido por botânicos do mundo todo.

A NOTÍCIA do lançamento da rosa azul foi recebida pelos floricultores e pelos fãs das rosas vermelhas com assombro e com verdadeiro ultraje. Aquilo era uma verdadeira ofensa contra a natureza. Rosas, para eles, tinham de ser vermelhas: a cor do sangue, a cor da vida, a cor da paixão.

Já os fãs da rosa azul estavam, em primeiro lugar, fascinados com a novidade, com o milagre da tecnologia. Além disso, lembravam, o azul é a cor do céu, a cor da tranquilidade, do equilíbrio.

A polêmica rapidamente generalizou-se, mesmo porque o mercado de rosas azuis expandiu-se com uma rapidez impressionante. Logo, cartas estavam chegando aos jornais, debates estavam se realizando nas tevês e os blogs tinham um assunto novo e aparentemente inesgotável.

"É a guerra das rosas", trombeteava um deles, aludindo ao famoso episódio ocorrido na Inglaterra em que os adversários na luta pelo poder tinham como símbolo rosas.
E foi exatamente isso que motivou os partidários das rosas vermelhas a desafiar os admiradores das rosas azuis para uma batalha. Uma batalha de caráter simbólico, mas nem por isso menos decisiva.

Dois grupos, com igual número de pessoas se enfrentariam em território neutro. Cada um dos combatentes estaria armado apenas com uma rosa, vermelha ou azul. Sem espinhos: a intenção não era machucar ninguém, era apenas testar as rosas.

Ao final do combate, o lado que tivesse mais rosas desfolhadas seria considerado o perdedor, e teria de reconhecer publicamente a superioridade da rosa rival.
O embate teve repercussão mundial.

Os ingressos para a contenda, que seria realizada num grande estádio em Londres (de novo, uma alusão à guerra das rosas), esgotaram-se rapidamente. E finalmente chegou o grande dia. À hora marcada lá estavam os defensores das rosas vermelhas e das rosas azuis, cada um portando uma flor. O juiz consultou seu cronômetro...

E aí o inesperado. De repente, um enorme grupo de jovens invadiu o gramado. De onde vinham, ninguém sabia (depois descobriu-se que haviam escavado um túnel de uma casa vizinha até os vestiários). Estavam todos vestidos de branco, portavam rosas brancas e gritavam: "Paz! Paz! As rosas querem paz!"

Surpresos, aturdidos, os contendores ficaram por alguns instantes paralisados. Depois, e como se tivessem combinado, juntaram-se e partiram em conjunto para cima dos recém-chegados.

Quando a briga terminou -e só terminou com a intervenção de reforços policiais, chamados às pressas- o gramado estava juncado de rosas desfolhadas e de pétalas, vermelhas, azuis, brancas. Aos poucos, brigões e espectadores deixaram o estádio.

"Uma rosa é uma rosa é uma rosa", escreveu a americana Gertrud Stein numa frase conhecida. Pode ser. Mas será que esta frase derrota aquela outra, segundo a qual guerra é guerra? A humanidade espera uma resposta. As rosas também.

MOACYR SCLIAR escreve, às segundas-feiras, um texto de ficção baseado em notícias publicadas na Folha.

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09 de novembro de 2009 | N° 16150
SERGIO FARACO


Marlene

Todas as emoções que tive na vida, menos ou mais intensas, deixaram suas marcas em minha têmpera. Uma delas, contudo, destacou-se das demais, tanto pela intensidade como por ser de um tipo que te leva a pensar que, entre os humanos, tiveste a glória de ser um dos escolhidos. Em 1964, num teatro de Moscou, ouvi Marlene Dietrich cantar.

Eu já havia assistido ao filme O Anjo Azul, realizado por Josef von Sternberg em 1930, que projetou Marlene no universo hollywoodiano, e trazia viva na lembrança a imagem da bela, provocante, perversa cantora de cabaré, Lola-Lola, que seduz e leva à loucura e à morte o infeliz professor de literatura inglesa, Immanuel Rath, representado na tela pelo ator alemão Emil Jannings.

Fui ao teatro para ver um mito, o da femme fatale. E não é que vi? Aos 63 anos, conservava Marlene a formosura do rosto, com seu ríctus de devassidão e decadência, as linhas sensualíssimas do corpo, e o vestido de plumas brancas descobria as prodigiosas pernas que, nos anos 30, foram consideradas as mais perfeitas do planeta. Fazia-se acompanhar tão-só de um violão. Sua voz grave arrebatava a plateia, como se estivéssemos todos, ela e nós, num boudoir de suave e licencioso calor.

Entre outras canções, cantou Where Have All the Flowers Gone? e Falling in Love Again (de O Anjo Azul), e quando cantou aquela que seria a derradeira, a clássica Lili Marleen, foi ovacionada de pé e teve de voltar duas vezes à ribalta para repeti-la. Sobre ela escrevera Hemingway: “Se nada tivesse além da voz, só com esta despedaçaria nosso coração”. E era pouco. Ela te roubava a alma.

Um biógrafo de Marlene conta que, numa das apresentações de Moscou, “houve 45 minutos de bis diante de uma plateia de 1.350 pessoas”. E Marlene teria dito, aos últimos aplausos: “Devo dizer-lhes que os amo há muito tempo. A razão por que os amo é que vocês não têm nenhuma emoção morna. Ou são muito tristes ou muito felizes. Sinto-me orgulhosa em poder dizer que eu mesma tenho uma alma russa”.

Conta também que Marlene se enamorara da autobiografia do escritor Kostantin Paustovski. Ao saber que ele se encontrava no teatro para ouvi-la, comoveu-se, e não sabendo como traduzir seu sentimento, ajoelhou-se diante dele. E Paustovski chorou. Eu tinha escolhido outro dia para vê-la e não testemunhei essa cena tão tocante. Seria pedir demais aos fados.

Ótima segunda-feira e uma excelente semana para todos nós.

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Domingo, Novembro 08, 2009


FERREIRA GULLAR

Uma experiência-limite

Hélio Oiticica e Lygia Clark levaram proposta do neoconcretismo às últimas consequências

ENTRE 1959 E 1961 , quando nasceu e eclodiu o movimento neoconcreto, tornei-me amigo de Hélio Oiticica, que eu tinha como uma espécie de irmão mais novo. Ele, aliás, era o mais moço do grupo e o último a se juntar a ele, tanto que não participou da primeira exposição neoconcreta, inaugurada em março de 1959, no MAM do Rio, nem assinou o manifesto, publicado naquela ocasião.

Mas Hélio, de todos, era o mais determinado a buscar novos caminhos de expressão, a levar adiante as propostas que surgiam do trabalho e da troca de ideias e de experiências. Ele estava convencido de que a arte neoconcreta abrira um território novo à criação artística. Esse era um tema frequente em nossas conversas, que, na verdade, se limitavam a algumas hipóteses sem resposta. A resposta não estava no discurso, mas no trabalho criador.

O incêndio, que recentemente destruiu grande parte de suas obras, chegou-me como uma notícia inverossímil pelo telefone, quando a repórter me falou da perda de mil obras, o que me pareceu exagero uma vez que, pela própria natureza de suas criações, dificilmente teria feito tantas. De qualquer modo, as perdas seriam muitas. Pois incluiriam telas, desenhos, relevos espaciais, instalações e todos os "Bólides" e "Parangolés", que estavam na sala onde ocorreu o incêndio.

Uma perda irreparável, no plano artístico, impossível de calcular, uma vez que ali se teria perdido grande parte da própria história do artista. Agora se sabe que boa parte das obras se salvou e outras serão recuperadas ou refeitas.

Ainda assim, foi um desastre lamentável que, atinge todas as pessoas amantes da arte, atinge-me particularmente pela ligação que mantive com ele, no momento mesmo em que inventava o seu próprio caminho. E, mais ainda, porque o incêndio ocorreu onde ocorreu, na casa da Gávea Pequena, onde foi construído, em 1960, o "Poema Enterrado".

Cabe dizer ao leitor, que talvez não o saiba, o que era esse poema. A coisa começou quando publiquei no Suplemento Dominical do "Jornal do Brasil" um poema concreto que, para se realizar de fato, obrigava o leitor a ler, seguidamente, a palavra "verde", que se repetia até explodir na palavra "erva". Só que o leitor, ao perceber a repetição, não fazia a leitura prevista, por desnecessária.

Esse fracasso me levou a inventar um poema escrito, palavra a palavra, no verso das páginas e a cortá-las, conforme a necessidade do poema. Nasceu, assim, o livro-poema, que me levou aos poemas espaciais (placa de madeira com um cubo colorido que ocultava uma palavra), que obrigavam o leitor mover as peças do poema.

Pois bem, depois de levá-lo a participar do poema, manuseando-o, usando a mão, decidi levá-lo a usar o corpo -e bolei o "Poema Enterrado": uma sala no subsolo, a que o leitor descia por uma escada e entrava no poema. Sua invenção foi no final de 1959, quando publiquei, no "SDJB", a planta do poema e sua descrição.

Hélio ligou-me empolgado e dizendo que ia obrigar o pai a construir o poema no quintal da nova casa da família, essa mesma casa, onde houve agora o incêndio. Pronto o poema, marcou-se a inauguração num domingo, mas, como chovera muito na véspera, ao abrirmos-lhe a porta, vimos que estava inundado, para desapontamento de todos nós.

Soube, muitos anos depois da morte do Hélio, que o poema havia sido reconstruído, mas não fui informado. Esse poema nasceu azarado: o MAM de São Paulo tentou construí-lo, no Ibirapuera, mas a comissão estadual de cultura o proibiu.

De qualquer modo, o incêndio de agora junta-se em minha mente à inundação do poema, numa relação estranha que sinto sem saber explicar. Tenho diante dos olhos, agora, o rosto tenso de Oiticica, sentado comigo a uma mesa do Zepelin, pouco depois de seu retorno de New York. Daí a poucos meses, ele é encontrado agonizando no pequeno apartamento em que passara a morar, em Ipanema.

Hélio e Lygia Clark levaram às últimas consequências a proposta básica do neoconcretismo, de acrescentar à experiência visual -que define a pintura, a gravura e a escultura- o relacionamento corporal com a obra. Essa participação do espectador conduz, no caso do Hélio Oiticica, à série de "Bólides", que são, a meu ver, o momento-limite de sua busca, antes dos "Parangolés" e outras obras, de difícil definição estética.

Algumas das experiências dele e de Lygia Clark anteciparam certos caminhos que a arte tomaria, a partir dos anos 60 e 70. Daí o reconhecimento internacional de que gozam. Isso nos dá a medida do que se poderia ter perdido com o incêndio de outubro passado.

Um lindo domingo para você

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Sábado, Novembro 07, 2009



08 de novembro de 2009 | N° 16149
MARTHA MEDEIROS


O calor e o frio dos outros

MAntenho correspondência por e-mail com algumas pessoas que moram fora de Porto Alegre e fora do Brasil. Não há um único e-mail, de ida ou volta, em que não se fale rapidamente do tempo. Aqui está um calor dos infernos. Pois aqui choveu o dia inteiro e refrescou.

Uma conversa mundana que eu achava típico de pessoas mundanas como eu, mas quando li o livro que traz as cartas que Clarice Lispector trocava com alguns de seus amigos, reparei que 90% delas também continham observações meteorológicas. Por mais filosófico ou intelectual que fosse o teor da carta, sempre havia um momento para falar do sol ou do nublado lá fora.

Fico pensando o que significa isso. Que me importa se em Paris está chovendo ou se no Rio faz 42ºC à sombra, já que não estou de passagem marcada para lá? O que importa para meus amigos forasteiros se em Porto Alegre choveu muito em 2001? Todos os dias chove ou faz sol, está frio ou quente, úmido ou seco, e a cada manhã isso nos parece um fenômeno sobrenatural e espantoso.

Creio que compartilhar as condições climáticas do lugar em que se está é um recurso de aproximação. É uma maneira de nos situar geograficamente, de preparar um cenário “visível” para quem não está nos enxergando. Lá no hemisfério norte a pessoa está encarangada, congelada, e no entanto pode nos imaginar bronzeada e suando, vestindo uma leve blusinha de alças.

E talvez seja também uma maneira de justificar nosso humor: temos nossas próprias variações de temperatura, somos pessoas nubladas ou ensolaradas, gélidas ou quentes.

A meteorologia nos influencia tanto quanto a posição dos astros, e se não estamos muito pra conversa, vai ver é porque tem uma ventania lá fora que está perturbando por dentro também.

Não sei se você está lendo este texto na beira da praia ou embrulhado num cobertor. Não sei onde você está. Não sei se há um temporal se armando ou se está um daqueles dias cinzas que provocam melancolia na gente. Se eu soubesse, talvez soubesse um pouco de você. É um mistério que a natureza não explica: nossa necessidade de localizar o outro climaticamente.

Relutamos em perguntar: você está deprimido hoje? Chorando muito? Com vontade de cometer uma loucura? Com saudades de alguém? Em vez disso, é tão mais fácil: como é que está o tempo aí?

Aqui, agora, chove, mas acho que vai abrir.

Isa: Fique a vontade para deixar comentários aqui e fico feliz que seja doravante uma leitora assídua. Ele é feito para pessoas como você. Obrigado e um lindo domingo para todos nós.

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Buffett e seu novo brinquedo

No maior negócio de sua carreira, o megainvestidor compra a principal ferrovia dos Estados Unidos – uma aposta no futuro dos trens e da economia americana

Luís Guilherme Barrucho - Ilustração Rob



Tal como seus antepassados, que recorreram às ferrovias para desbravar o Oeste dos Estados Unidos no século XIX, Warren Buffett decidiu investir seu futuro nos trens. Apostou alto. Na semana passada, o empresário de 79 anos realizou o maior negócio de sua carreira ao comprar a totalidade das ações da principal ferrovia do país, a Burlington Northern Santa Fe, por 26,3 bilhões de dólares.

Dono de um repertório de frases cáusticas, Buffett afirmou logo após o anúncio da aquisição: "Isso só está acontecendo porque meu pai não quis me comprar um trenzinho quando eu era criança".

Longe de ser motivada por uma frustração infantil, a investida de Buffett deverá render polpudos lucros a seus acionistas. Em primeiro lugar, porque a recuperação da economia americana elevará a demanda por transportes de carga. Além disso, o encarecimento do petróleo e a busca por alternativas menos poluentes tornarão o frete ferroviá-rio ainda mais vantajoso em relação ao rodoviário.

"Coloquei todas as minhas fichas no futuro da economia americana", disse Buffett ao fechar a transação. É um voto de confiança de um dos mais visionários investidores do mundo não apenas em seu país, mas também na retomada de um setor que havia perdido importância desde a popularização dos veículos e aviões.

As ferrovias perderam gradativamente espaço. Atualmente, enquanto os caminhões carregam 68% das mercadorias que circulam nos Estados Unidos, os trens restringem-se a 15%. No Brasil, que optou pelo modelo americano de estímulo à indústria automobilística na década de 50, os trilhos também foram desprezados. Desde aquele período, a extensão da malha diminuiu 30%.

Agora os Estados Unidos – e também o Brasil, onde os investimentos decuplicaram depois das privatizações feitas na década passada – voltam a se render aos trens. Contribui para essa redescoberta o fato de que as locomotivas ganharam tecnologia e velocidade, além de ser o meio mais barato de transportar grandes quantidades de mercadorias dentro do território de um país.

Segundo a Association of American Railroads, com um galão de combustível (3,8 litros) um trem movimenta 1 tonelada de carga por 740 quilômetros. Em caminhões, essa distância cai para 180 quilômetros. "As ferrovias tornaram-se mais atrativas ao oferecer um bom retorno financeiro aliado à preocupação ambiental", afirma Rodrigo Vilaça, diretor executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários.

O investimento também cabe na estratégia de Buffett, que prefere alocar seus recursos em atividades tradicionais – ele nunca aplicou em companhias de internet, por exemplo – e que sejam bem administradas.

Diz Paulo Fernando Fleury, da UFRJ: "A Burlington Northern mudou a forma de gerenciar ferrovias nos Estados Unidos. Ela incorporou a lógica do mercado ao aprimorar a qualidade do serviço e a eficiência de custos". Isto é, o tipo de brinquedo que hoje faz a alegria de Buffett.


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Sexta-feira, Novembro 06, 2009


ELIANE CANTANHÊDE

Nem tão longe, nem tão perto

BRASÍLIA - Ao acolher as denúncias de desvio e de lavagem de dinheiro público contra o senador tucano Eduardo Azeredo, o ministro do STF Joaquim Barbosa expõe os subterrâneos do financiamento de campanhas, com o PSDB e o PT lado a lado. E eles não estão sós.

Os atuais métodos levam inevitavelmente a acusações e confusões. Se alguém contribui em aberto, com tudo declarado, está sujeito a suspeição toda vez que seu candidato votar algum projeto e, em especial, se ele se meter em enrascadas. Mas, se contribui por baixo dos panos, no "caixa dois", está sujeito a processo criminal. Se ficar, o bicho come; se correr, o bicho pega. E com campanhas cada vez mais sofisticadas e mais caras.

Há, porém, diferenças entre o que se chama de "valerioduto mineiro", contra o tucano Azeredo, e o "mensalão", que pegou o PT de jeito. Num, a acusação é focada no financiamento ilegal de candidaturas. No outro, no pagamento de propina para amoldar os votos de partidos e parlamentares já eleitos ao gosto de um governo.

Como há a questão que Azeredo levanta e gera constrangimentos: ele está envolvido por financiamentos que, aparentemente, saíam de empresas mineiras, entravam no caixa de Marcos Valério e desembocavam na campanha tucana. Como cabeça de chapa, ele é também o acusado-mor. Mas, no caso do candidato e atual presidente da República, isso não ocorreu.

Grandalhões da campanha de Lula respondem por diferentes acusações, mas sozinhos. E os eventuais compradores e comprados para votar com o governo no Congresso estão encalacrados, mas a responsabilidade do governo teve teto: parou em Zé Dirceu.

O STF acerta ao capturar Azeredo na rede. Que sirva para jogar luzes sobre financiamentos de campanha, desde que deixando bem claro que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Pelo menos, até o próximo escândalo.

elianec@uol.com.br

Uma ótima sexta-feira e um gostoso fim de semana


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Quinta-feira, Novembro 05, 2009



Aécio 2010! UAI, WE CAN!

E sabe o que o Lula sugeriu ao Obama pra melhorar a saúde nos EUA? Implantar o SUS!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! E aí perguntaram pra cantora Stephany no "Esquadrão da Moda" do SBT: "Você é de Áries?". "Não, eu sou do Piauí."

E o melhor cartaz da Parada Gay do Rio: "EU ERA EX-GAY!". Rarará! E as estradas? O ministro dos Transportes disse: "As estradas brasileiras são coisa de outro mundo".

São sim, do mundo da Lua. Só tem cratera. Um amigo meu vai trocar o carro por um jipe lunar! E o filme do Michael Jackson? Mudou de nome. Não é mais "This is It".

É "This Is Quisito!". Maica Jéssica em "This Is Quisito!". Rarará! Criança não paga! E farta distribuição de pirolito!

E O Lulalelé? Sabe o que ele sugeriu pro Obama pra melhorar a saúde nos Estados Unidos? Implantar o SUS! E o Obama quase foi internado.

De tanto rir! Esta é a realidade do SUS: um menino entrou na fila pra operar a fimose e esperou tanto tempo que acabou operando a próstata. E o babado do momento é o Aécio.

Aécio X Serra. Sarkozy Mineiro X Vampiro da Mooca! O Aécio parece o Sarkozy: narigudo e só pega mulherão! E a relação do Serra com o Aécio parece coisa de socialite: falsas, porém simpáticas!

E Minas só tem três coisas ruins: não tem mar, Telemar e o Itamar. E tem Aleijadinho. Ou, como diz aquela perua bem fresca: Aleijadérrimo. "Comprei duas obras do Aleijadérrimo."

E o Aécio já tá com o slogan pra 2010: "UAI, WE CAN!". E o jingle é o funk: "Um Tapinha Só Não Dói!".

Rarará! E já está com o programa de governo pra 2010: cinco dentes de ái, três cuié de ói. Um repôi. Casca o ái, quenta o ói e foga o ái socado no ói quente. Repôi no ái e ói. Por um Brasil melhor.

Este é o programa do Aécio pra 2010: repôi no ái e ói! Minas é um monte de montanha com um monte de gente dando adeus. É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é duro, mas desce! Antitucanês Reloaded, a Missão.

Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Barrolândia, no interior da Bahia, tem uma escola chamada Escola Rainha Sílvia.

E eu pergunto: POR QUÊ? Acho que nem em Estocolmo tem a escola Rainha Sílvia. Rarará. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro obvio lulante. "Assustado": companheiro Obama quando o Lula mandou ele fazer um SUS nos Estados Unidos. Ia ser um sú! Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

simao@uol.com.br

Excelente quinta-feira - Aproveite o dia



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Quarta-feira, Novembro 04, 2009



Uau! Dilma inaugura buraco de tatu!

Pra preservar a espécie, os morcegos transam até com a sogra. Por isso é que transmitem raiva

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Lá se foi o ultimo feriadão do ano!

Depois de cinco dias na Bahia, de volta a São Paulo. A marginal Tietê continua linda! Rarará. E sabe o que eu vou pedir pro Lula? Aposentadoria por tempo de praia. Aposentadoria por tempo de Havaianas!

E lá na Bahia tem uma barraca chamada BURRALINDA! Eu não sei se o dono é zoófilo, se está apaixonado por uma jega, se é homenagem à mulher dele ou se é homenagem à Carla Perez!

E deu na Folha: "Morcegos praticam sexo oral para prolongar a relação". É o Batman! Por isso que o Batman e Robin tiveram uma relação tão longa. Morcego é um bicho esquisito. Pra preservar a espécie, eles transam até com a sogra. Por isso é que transmitem raiva. Rarará. Ainda bem que eu não nasci morcego!

E sabe o que o Batman faz quando se lembra do Robin? Pega o bat-móvel, vai pra bat-caverna e bat-uma. Rarará! E qual a próxima inauguração da dupla Lula e Dilma? Tão inaugurando até buraco de tatu! A Dilma inaugura buraco de tatu. Qualquer dia, eles abrem a cortina da sala e inauguram a janela!

E o Ecad diz que hotéis e motéis têm que pagar direitos autorais. O Roberto Carlos vai ficar quaquilionário. E o Wando e o Dicró?

E no fim de semana teve Parada Gay no Rio e Marcha para Jesus em São Paulo. Conhecida como A Marcha das Héteras. As bibas que se arrependeram e viraram héteras. Mas como disse aquela biba: se Deus fosse gay, o mundo seria mais arrumadinho! Rarará.

É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!

Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês.

É que em Fortaleza, no Ceará, tem um bar chamado Bar dos Otários. E vive cheio! Rarará. Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula.

O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Isqueiro": lugar onde se arranca minhoca pra pescar lambari! O lulês é mais fácil que o ingrêis.

Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

simao@uol.com.br

Aproveite o dia. Uma ótima quarta-feira para todos nós


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Terça-feira, Novembro 03, 2009



OS QUE SE VÃO

"Os que se vão, vão depressa.
Ontem, ainda, recebia seus emails
Pedindo para que eu descrevesse
O que eu gostava, pedindo desculpas por perturbar
A concentração no meu trabalho.

Confirmando o que eu já sabia
Que ficava mais comigo
Do que com o homem
Com quem eras casada.

Os que se vão, vão depressa.
Seus olhos grandes
e pretos, das fotografias
tão poucas é fato que me enviou,
brilhavam. Sua voz doce e firme
faz pouco ainda falava no telefone.
Indagavas: por que ligar
se já conversamos
tanto no msn ou por email?

Suas mãos tão macias
Que toquei em adeus de chegada
E de despedida um dia
tinham gestos de bênçãos.
No entanto hoje, devem escrever
para outros no mesmo teclado
que teclavas para mim.


Nem um vestígio meu, sequer.
no seu micro porque
Perguntavas também
Porque guardar e reviver
coisas de um passado que se foi!!

Decerto nem minha lembrança
há na sua mente quanto mais no seu coração,
pois ocupa-os com novos amigos, Alguns, quase todos,
indiferentes ou desconhecidos
mas chama-os de querido
como me chamavas.

Os que se vão, vão depressa.
Mais depressa que os pássaros
que passam no céu,
Mais depressa que o próprio tempo,
Mais depressa que a bondade dos homens,
mais depressa que os trens correndo, nas noites escuras,
Mais depressa que a estrela fugitiva que mal faz traço no céu.

Os que se vão, vão depressa.
Só no coração do poeta,
que é diferente dos outros corações,
Só no coração sempre ferido do poeta
é que não vão depressa os que se vão.

Ontem ainda sorrias e me escrevias
Para o meu email do trabalho
Para agradecer pelas minhas mensagens
para dizer que gostavas do que lhe dizia,
até que decidiste não mais
manteres contato comigo e
nem guardares lembranças minhas..

E que darias prioridade para
As suas coisas. Os que se vão vão depressa,
tão depressa os que se vão ..."

Minha amiga: não permita que sua dor,
seja ela causada pelo motivo que for,
a impeça de perceber
a beleza de cada momento.

Não deixe que suas lágrimas,
por mais sentidas e justas que sejam, turvem sua visão,
impossibilitando que
seus olhos vejam a vida
com clareza e serenidade.

Dedique aos amores que partiram
pensamentos otimistas e repletos
de confiança no reencontro futuro,
sem desespero nem revolta.
Se hoje, na sua rotina,
pareceu-lhe que ninguém notou a dor
que lhe invadia intensamente o peito,
como aconteceu comigo
até porque era o dia de folga
de quem se foi... saiba que nada,
nem mesmo nossas angústias,
passam despercebidas ao Pai.

Confie, persista e prossiga, sempre.


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Universotários da Uniban! Socuerro!

O "Fantástico" entrou em "Pânico'! E descobri a droga que o Zina usa: a camiseta do Timão

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! "Papai Noel preso com adolescentes no carro". E adivinha o nome da cidade? NEVES! Rarará!

E o vestuário feminino com que qualquer mulher sonha: um vestido tomara que caia, uma calcinha tomara que tirem e um sutiã tomara que sustente. Rarará.

E Finados é o Senado. A Turma do Já Morreu. O Sarney é um FINADO VIVO! Rarará. E a loira da microssaia?

Aquela menina apedrejada pelos UNIVERSOTÁRIOS da Uniban por estar vestindo uma microssaia! Socuerro! A Uniban virou TALEBAN! Rarará! Os universotários da Taleban! E eu vi a foto da menina: loira farmácia com micro roxa.

Gongada no "Esquadrão da Moda"! Rarará!

Finados é o "Fantástico"! Que tá morrendo. O site Eramos6 tem algumas sugestões pra aumentar a audiência do "Fantástico": ressuscitar o Cid Moreira, o Mr. M e a zebrinha! Rarará. Ou então bota a Patrícia Poeta pelada.

E contrata o Vesgo, o Ceará e a Sabrina Sato. O "Fantástico" entrou em "Pânico"! E descobriram a droga que o Zina usa: a camiseta do Corinthians. Rarará.

E o Rubinho, hein? Ganha pra não ganhar nada! Rarará! E essa deu na Folha de sábado: "Morcegos fazem sexo oral para prolongar a relação".

É o batboquete! Rarará! E um amigo meu que foi passar o feriadão na casa da sogra e disse que ela fez três tipos de comida: enlatada, congelada e queimada. Rarará!

É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas chacoalha pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês.

É que em Aveiro, Portugal, tem uma loja infantil chamada Brincando, Cresce.

Não resta a menor dúvida: Portugal é o berço do antitucanês. O Brasil apenas tropicalizou. Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante.

"Desmaiô": o companheiro Lula viu a dona Marisa de maiô e DESMAIÔ. Rarará. O lulês é mais fácil que o ingrêis.

Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

simao@uol.com.br

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ELIANE CANTANHÊDE

Tão longe, tão perto

BRASÍLIA - Modestamente, na dimensão do Brasil em imbróglios internacionais, a questão do Oriente Médio vai desabar por aqui neste novembro. No dia 11, chega o presidente e ex-premiê de Israel, Shimon Peres. No dia 23, é a vez do presidente reeleito do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Refletindo as paixões que judeus e árabes (apesar de o Irã ser persa) despertam mundo afora, aqui também já começa a guerra de torcidas, com vantagem, ao menos com base no que circula na internet, para os críticos da vinda de Ahmadinejad.

Razões não faltam para torcer a favor de um lado ou de outro e, principalmente, contra os dois. Aliás, o Irã é suspeito de construir a bomba; Israel já a tem.
Em foros internacionais, Ahmadinejad nega o Holocausto e chama Israel de "racista". Internamente, provocou uma onda de protestos e clamores de liberdade e de modernidade ao se reeleger presidente.

Mas Shimon Peres, que levou o Prêmio Nobel da Paz em 1994 por seu esforço de negociação entre judeus e árabes, representa um país jogado contra a parede pelo "relatório Goldstone", do Comitê de Direitos Humanos da ONU, por causa da invasão de Gaza na virada de 2008 para 2009. A maioria dos 1.400 mortos era civil, quase 200 deles menores de 15 anos.

E o Brasil no meio disso, se até a atual incursão de Hillary Clinton à região está sendo um fracasso, enquanto avançam as colônias israelenses na Cisjordânia?
Planalto e Itamaraty têm a política do não isolamento, seja de que país for, e se movem a partir de três interesses: as relações bilaterais, a inserção brasileira no mundo e -por mais que cheire a megalomania- ajudar nas negociações.

O que não dá é exigir que o Brasil recuse a vinda de Ahmadinejad e promova a aproximação com Israel, ou vice-versa: que promova a vinda de um e recuse a aproximação com o outro. Quanto mais equidistante, melhor para o Brasil.

elianec@uol.com.br

Well, ainda que com chuva que possamos ter uma ótima terça-feira. Para quem está de folga uma folga recompensadora


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Segunda-feira, Novembro 02, 2009


O melhor caminho

MORREM NO Brasil cerca de 30 mil pessoas por ano em desastres automobilísticos. Grande parte das fatalidades se deve à imprudência dos motoristas, mas não se pode desconsiderar a contribuição das más condições das estradas para essa tragédia.

Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes revela que 70% das rodovias estão em condições classificadas de "péssimas", "ruins" ou "regulares". O levantamento mostra que 46% das estradas não possuem acostamento; 51% têm traçado péssimo ou ruim; a sinalização é insuficiente em 24% da malha.

O mapa rodoviário expõe enormes discrepâncias regionais: entre as dez piores vias, cinco estão no norte do país -três passam pelo Pará. Por outro lado, as dez líderes do ranking situam-se no Estado de São Paulo.

O contraste entre a realidade paulista e a das demais unidades federativas fica patente pelo avanço de São Paulo na concessão de rodovias a empresas. A pesquisa evidencia como as estradas privatizadas deixam federais e as outras estaduais a comer poeira: as primeiras conquistam avaliação positiva em 76% dos casos, enquanto as demais estacionam na casa dos 30%.

Os recursos escassos que o governo destina aos transportes rodoviários precisariam se concentrar na expansão da malha. Vias já construídas cujo fluxo de veículos desperte interesse deveriam ser repassadas à iniciativa privada, a fim de livrar o erário do ônus de sua manutenção. Desde outubro de 2007, quando sete lotes de estradas federais foram concedidos, só houve leilão de um trecho, na Bahia.

Evidentemente não se desata esse nó como num passe de mágica. Os pedágios, por exemplo, se multiplicarão país afora. A experiência mostra, contudo, que a competição pode diminuir a tarifa para o usuário -e que um contrato de concessão bem elaborado e fiscalizado redunda em benefícios para os motoristas.


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Domingo, Novembro 01, 2009


FERREIRA GULLAR

Em direção à desordem

A sociedade carioca entrou em entropia desde que o tráfico instalou-se nas favelas

FABIANO ATANÁSIO da Silva, o FB, que comandou a invasão do morro dos Macacos, estava preso e foi beneficiado pelo regime de prisão-albergue, isto é, foi lhe dado o direito de sair do presídio, de dia, para trabalhar, e voltar, à noite, para dormir.

Atanásio, a exemplo de dezenas de outros bandidos, saiu e não voltou mais. E a gente se pergunta: se Atanásio foi condenado por ser chefe do tráfico naquela favela, a que trabalho o juiz, que lhe concedeu a prisão albergue, acha que ele iria se dedicar? Coerentemente, o FB foi fazer o trabalho que sempre fez: traficar.

É impossível negar que, em matéria de Justiça, vivemos, no Brasil, uma espécie de comédia: uma cena recente desse pastelão foi a briga entre a Justiça Estadual de São Paulo e a Justiça Federal, cada uma delas atribuindo-se o direito de julgar os ladrões que roubaram duas telas -uma de Portinari e outra de Picasso- do Masp.

A Justiça Estadual os condenou, o advogado de defesa recorreu da sentença e o Superior Tribunal de Justiça a anulou, alegando que, como as obras tinham sido tombadas pelo Iphan, órgão federal, caberia à Justiça Federal julgar os ladrões, e mandou soltá-los. Ou seja, enquanto os juízes brigam, os ratos passeiam em cima da mesa.

Ainda como parte da comédia nacional, registre-se o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao dar posse ao novo ministro de Assuntos Estratégicos, aquele ministério que já por si é uma piada. Todos sabemos que esse ministério foi entregue ao não menos extravagante Mangabeira Unger, que já se foi, e era conhecido como o "ministro do futuro". Lula, que odeia ler, mas adora discursar, quando abre a boca diz qualquer coisa.

Pois vejam o que ele disse, no discurso, confundindo o nome de seu ex-ministro com o do deputado Fernando Gabeira, seu adversário político: "O Gabeira não está aqui, está certamente naquela escola em Chicago...".

E, sem se dar conta da confusão que fazia, acrescentou: "O dia em que o companheiro José Alencar e a direção do PRB entraram em meu gabinete para aprovar o nome do companheiro Gabeira para ministro...". Como se não bastasse, ao se dirigir ao novo ministro do futuro, Samuel Guimarães, chamou-o de Mangabeira, e, ao tentar corrigir o erro, piorou, trocando-lhe o nome de Samuel por Salomão... Parece que bebe!

Criticado pelo presidente do STF devido ao comício-piquenique que fez com Dilma e seus ministros, às margens do São Francisco, Lula respondeu: "Agora eles estão nervosos porque estamos inaugurando obras". Mentira, estavam ali, segundo a própria versão oficial, para "fiscalizar" as obras mas, ainda assim, desde quando é função do presidente da República fiscalizar obras? Apenas pretexto para fazer campanha eleitoral fora do prazo legal.

A alegação de que isso está dentro da lei, porque só é proibido inaugurar obras públicas após 31 de julho do ano eleitoral, não significa que se pode fazer campanha eleitoral anos antes daquela data; é um sofisma, que o STF estranhamente engoliu.

E Lula ainda teve a desfaçatez de afirmar que estava ali a trabalho (com Dilma e Ciro), comendo churrasco e ouvindo um cantor de forró, por ele contratado. E, com a maior cara-de-pau, afirmou: "É muito fácil assumir a Presidência da República e não fazer nada, porque ninguém nunca fez". Gente, até quando o país vai ter que aturar semelhante megalomania? Ninguém imaginou que um presidente oriundo da classe operária viesse a dar nisso.

Conforme a segunda lei da termodinâmica, os sistemas físicos tendem à desordem. A perturbação da ordem de um sistema chama-se entropia, como, por exemplo, os ruídos numa transmissão radiofônica. Isso vale também para outros sistemas, como a sociedade humana, cuja ordem é mantida pelas normas e leis que regem o comportamento de seus integrantes.

A sociedade carioca, por exemplo, como sistema social, entrou em processo de entropia desde que, nos anos 70, o tráfico começou a instalar-se nas favelas. Os conflitos armados entre grupos de traficantes e desses com a polícia comprometem a ordem social e põem em risco a vida das pessoas.

Essa tendência à desordem pode ser revertida se o governo e a sociedade, juntos, se dispuserem a isso.

O prefeito do Rio decidiu promover corridas de Fórmula Indy no aterro do Flamengo, área de lazer que ostenta belos exemplares da mata brasileira, ali plantados por Burle Marx. Vão atormentar os moradores do Flamengo e envenenar a fauna e a flora do parque, embora exista na cidade um autódromo. Sai um imperador entra outro!


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